Vacinação: Sim ou Não?

Há décadas que a vacinação tem vindo a ser posta em causa um pouco por todo o mundo. O Movimento Anti Vacinação não demorou até chegar à Europa. Em Portugal, a discussão reacendeu com os novos casos de Sarampo em 2017.

Uma pesquisa fraudulenta publicada pela revista científica The Lancet, em 1998, foi o ponto de partida para o primeiro argumento contra a vacinação. Andrew Wakefield, ex-investigador britânico, afirmou que a vacina anti sarampo, parotidite e rubéola estabelecia relação direta com o Autismo. Mais tarde, o artigo foi desmentido por novos estudos de outros cientistas e acabou por ser retirado de circulação. Desde então novos argumentos têm sido apresentados a favor da não-vacinação. Apesar de ter ainda pouca expressão em Portugal, este movimento tem causado controvérsias e posto em causa as recomendações das autoridades de saúde.

Segundo o comissário europeu para a Saúde – Vyternis Andriukaitis – ”As vacinas são uma das formas mais seguras e economicamente mais eficazes de assegurar a saúde pública e de prevenir doenças evitáveis”. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) reforça e realça que ”as vacinas permitiram salvar mais vidas e prevenir mais casos de doença do que qualquer tratamento médico”. Por esta razão, Portugal conta com um Plano Nacional de Vacinação (PNV), que apesar de não ser obrigatório, é recomendado pelas autoridades de saúde. Apenas as vacinas antitetânica e antidiftérica, entre 13 que são administradas de acordo com o PNV, permanecem obrigatórias desde 1962.

Não vacinar é ou não um ato de negligencia?

Segundo o SNS, a vacinação ”deve ser entendida como um direito e um dever dos cidadãos”, como tal, sujeita ao livre arbítrio de cada indivíduo. Para Patrícia Tavares, profissional de saúde na área farmacêutica, ”A vacinação em Portugal é um ato livre e reflexivo, resultado do sentido de responsabilidade do indivíduo sobre a sua saúde e da sociedade. Compreende, por isso, uma ação concomitantemente egoísta e altruísta”. No entanto, não deixa de afirmar que a igualdade no acesso ao PNV ”é um aspeto que enfoca a sua importância para a Saúde Pública”.

Então o que leva os pais a não vacinarem os filhos?

O uso do timerosal nas vacinas, um conservante à base de mercúrio, está no topo dos argumentos mais expostos pelos pais. Contudo, segundo a OMS, este não representa qualquer risco para a saúde humana. Mas as queixas também recaem sobre o PNV. Há quem defenda o princípio das vacinas, mas afirme que o PNV contempla demasiadas vacinas. Interesses políticos e económicos são também muitas vezes postos em cima da mesa como razões pelas quais não confiam neste Plano. Mas é o receio da toxicidade dos elementos da composição das vacinas o principal fator apontado.

Em entrevista ao Expresso, o médico de saúde pública Mário Jorge Santos, desconstrói esta ideia e diz que este pensamento não passa de uma ”crendice”. Se determinados ”componentes são escolhidos é porque são os mais seguros”.

Vacinar: Sim ou Não? Fica ao critério de cada um.

Se há quem opte por não vacinar os filhos segundo o PNV, há quem opte por ir mais além e escolha incluir no seu plano vacinas facultativas, algumas destas recomendadas  pela Comissão de Vacinas da Sociedade de Infeciologia Pediátrica (SIP) e pela Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Apesar da controvérsia, os dados do relatório da Direção Geral de Saúde de 2016 – Boletim de Vacinação – concluem que ”continuam a registar-se bons resultados na aplicação do PNV” ainda que se tenha registado ‘’um atraso na vacinação aos 12 meses de idade”.

Há cerca de um ano o Serviço Nacional de Saúde disponibilizou uma aplicação móvel chamada MySNS, inserida no Programa Simplex do Ministério da Saúde. O sistema permite aceder a um conjunto de funcionalidades e dados de saúde, entre os quais o Boletim de Vacinação.

O PNV foi atualizado no início de 2017, mas nenhuma alteração foi feita em relação à condição de não-obrigatoriedade.

 

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