#Procura-se… Amolador

“Já tive várias profissões: fui “trolha”, trabalhei numa agência de contabilidade, estafeta e padeiro, agora sou amolador.” Entre guarda-chuvas, facas e tesouras, André Fernandes, vinte e nove anos, preserva uma das profissões em extinção na cidade do Porto.

André Fernandes, Amolador do Bolhão

Começou a aprender esta arte aos treze anos com o pai, “primeiro foi por necessidade, agora é por gosto.” Um negócio que conta já com três gerações, no entanto, o mercado do Bolhão foi sempre o local de trabalho para a família Fernandes. À exceção do irmão, Luís Fernandes, que também é amolador, mas decidiu procurar clientes para outra zona do Porto: o mercado municipal de Matosinhos.

Existem algumas diferenças da profissão “tradicionalmente conhecida”. Andar de carrinho ou bicicleta pelas ruas da cidade nunca pertenceu aos seus planos nem mesmo do pai ou do avô. O apito metálico já não existe, “Enferrujou. Agora, é um de plástico e é raro utilizá-lo.” Também não existe o pregão, uma característica típica deste mercado. Porém o som das facas e das tesouras no esmeril da afiadora são o melhor alarme para captar a atenção dos que passam. A máquina sofreu algumas alterações, devido ao barulho que fazia, o que perturbava as conversas com os clientes.  “Há dias em que tenho mais e noutros menos…” Os clientes são fixos. Desde peixeiras a empregados de cozinha, todos admiram a profissão de André e consideram ser um trabalho minucioso ainda mais por ser praticada por um jovem.

Apesar de ser a segunda casa e ter muitas memórias de infância deste sítio, André reconhece que o espírito de comunidade no Mercado do Bolhão tem-se esbatido e está cada vez mais direcionado para o turismo. Muitos são os que param para fotografar ou filmar o seu trabalho. “Às vezes ficam um pouco reticentes se podem ou não tirar fotografias, mas eu dou autorização e eles ficam contentes.”

Visto ser uma profissão pouco vulgar, principalmente entre os jovens, André orgulha-se da sua ocupação e de manter o serviço do seu pai.

André acredita que as novas gerações não estão muito interessadas em aprender as tarefas do amolador, mas encontra-se disponível para as ensinar. “Há que ter esperança. A quem estiver interessado, eu ensino.”