Ah, então escreves sobre sapatos?

Este é um artigo sobre o Jornalismo de Moda. A história do Jornalismo de Moda. Para todos os jornalistas de Moda. E para os outros do outro lado da questão.

O facto de as mulheres serem vistas como leitoras abriu as portas a que estas mulheres conseguissem ocupar lugares proativos, como escritoras ou mulheres de negócio e, segundo Kritin H. Gerhard, professora da Iowa State University, “no início de 1900, pela primeira vez, um grande número de revistas femininas era criado e publicado pelas próprias mulheres”. E também foi uma mulher a receber o crédito de ter transformado a Moda em notícia séria: Virginia Pope. Pope foi jornalista do The New York Times de 1925 a 1955, mas apresentou a Moda às notícias quando reportou sobre as coleções de Alta-Costura parisiense, em 1934.

Em 1943, a publicista Eleanor Lambert iniciou as press weeks convidando editores de Moda de jornais e revistas a conhecerem as coleções dos designers nova iorquinos. O que era exceção tornou-se regra, as semanas de Moda começaram a formar-se como as conhecemos e o jornalismo a acompanhá-las, depois veio o fotojornalismo de Moda, os desfiles tornaram-se espetáculos, a televisão começou a dar-lhes tempo de antena, chegou a Internet.

E não têm sido tempos fáceis. Da sua reputação de frívola, desengajada da realidade e exclusiva de uma classe de privilegiados, a Moda já viu a sua morte ser anunciada mais vezes do que uma simples calças jeans. E quanto ao jornalismo de Moda, o seu coração foi repartido pela televisão, blogs, live straming, celebridades, redes sociais e todas as fontes de informação ou inspiração de Moda que se foram multiplicando por esses #looksdodia fora, já para não falar da constante pressão comercial (ou nas palavras de Anna Wintour, “a Vogue não está aqui para rebentar a bolha; está aqui para vender, vender, vender”). Em 2017, Lucinda Chambers, diretora de Moda, aquando da sua saída Vogue inglesa chamou de “crappy” à capa de junho onde Alexa Chung vestia uma “estúpida t-shirt de Michael Kors”. “Mas ele é um grande anunciante, por isso sabia que tinha de o fazer”. A história do jornalismo de Moda é também de raízes comerciais. Estas tensões sempre existiram e são o pilar das críticas ao jornalismo de Moda. Dizem que os jornalistas têm dificuldade em morder a mão que lhes dá de comer. “Porque é que é tão difícil as pessoas da indústria de Moda serem críticas?” E, no entanto, uma das bases do jornalismo de Moda sempre foi a crítica de Moda. Esta circulação livre de informação de Moda tornou o papel do jornalista de Moda como mediador e stylist de sonhos mais importante do que nunca, di-lo Kate Nelson Best e todos os que trabalham na área. É verdade, pura e crua, sem falsa modéstia.

Crítica a quem crítica o Jornalismo de Moda como uma mera futilidade.

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