Quando o medo de perder vence a vontade de ganhar

Ao longo das épocas desportivas, os momentos das decisões são os mais complicados para todos os treinadores. No momento da verdade, a pressão que é colocada nos ombros daqueles que praticam desporto vem ao de cima e é a forma como se lida com ela que ajuda a ditar quem são os vencedores e quem são os derrotados.

Por vezes, os treinadores têm de tomar decisões complicadas e sob intensa pressão. No futebol, por exemplo, uma substituição errada, uma má indicação ou até uma má atitude, pode comprometer o sucesso e o trabalho de uma temporada inteira.

Existe um momento de um jogo em particular onde a pressão está ao mais alto nível e onde qualquer erro pode ser fatal. A questão da defesa das vantagens. Qual a melhor forma de defender-se uma vantagem?

Em 2013, Jorge Jesus, na altura treinador do Benfica, estava empatado a 1 golo no clássico da penúltima jornada frente ao Futebol Clube do Porto em pleno estádio do Dragão. O resultado, tal como se verificava, mantinha o Benfica na liderança e projetava as águias para o título. No momento de defender a vantagem, Jesus esgotou as alterações colocando o defesa Roderick Miranda em campo. Jesus escolheu defender o empate e ao minuto 92 Kelvin arrancou o segundo golo a ferros e destronou o Benfica da liderança do campeonato. Um golo que viria a ser decisivo para o então tri campeonato da esquadra azul e branca.

No fim de semana passado, foi a vez de Rui Vitória tentar defender uma vantagem importante. O empate a 0 entre as mesmas equipas, no estádio da luz desta vez, mantinha os encarnados na liderança do campeonato e em posição privilegiada para alcançarem o penta campeonato, feito histórico para o clube. Coincidência ou não, Rui Vitória coloca o médio defensivo Samaris para tentar segurar o empate. Uma estratégia que viria a custar caro aos benfiquistas já que, uma vez mais ao cair do pano, Herrera desfez o nulo e o Futebol Clube do Porto saltou para a o primeiro lugar da tabela classificativa

Curiosamente nesta quarta feira, em jogo a contar para a segunda mão da meia final da taça de Portugal em Alvalade entre Sporting e Futebol Clube do Porto,  os papéis inverteram-se. Foi a vez de Sérgio Conceição, treinador da formação, que viajou da cidade invicta para ser confrontado com a realidade de ter de defender uma vantagem que lhe poderia valer o passaporte para a final da taça no Jamor.

Depois dos azuis e brancos terem vencido os leões por uma bola a zero na primeira mão em solo portista, o nulo que se verificava no mercador servia os interesses dos dragões. Ironicamente, depois de ter assistido ao fracasso da estratégia do seu colega de profissão Rui Vitória, Sérgio Conceição resolve igualmente colocar o defesa Reyes para tentar aguentar a igualdade no marcador. Minutos mais tarde, já perto do final dos 90 minutos, Sebastien Coates fez o 1-0 para a equipa de Alvalade e atira o jogo para prolongamento. O Sporting Clube de Portugal haveria de passar à final derrotando o Futebol Clube do Porto no desempate através da marcação de grandes penalidades.

Será o medo de perder superior à vontade de ganhar?