Enzima mutante pode alterar o mundo

Uma enzima* desenvolvida, acidentalmente, por um grupo de cientistas consegue digerir garrafas de plástico.
Trata-se duma bactéria descoberta em 2016 que come plástico e, em seis semanas, é decomposto – tempo que a natureza demoraria cerca de 100 anos a eliminar.

Foi na universidade britânica de Portsmouth e a partir do Laboratório do Departamento Norte-Americano de Energias Renováveis (NREL) que um grupo de investigadores conseguiu melhorar, sem querer, uma enzima.

“Esperávamos determinar a sua estrutura para auxiliar na criação de proteínas, mas acabamos por dar um passo adiante e, acidentalmente, desenvolvemos uma enzima com um melhor desempenho na digestão destes plásticos” – diretor da investigação no NREL, Gregg Beckham.

*O que são enzimas?
Enzimas são moléculas orgânicas de natureza proteica.  Elas atuam nas reações químicas das células como catalisadoras, ou seja, aumentam a velocidade dos processos sem alterá-los.

A bactéria (Ideonella sakaiensis)  foi, originalmente, encontrada numa lixeira em Saka, no Japão, e é a única conhecida até hoje que produz esta enzima capaz de digerir o plástico das garrafas, sendo que esta é a sua principal fonte de energia.

“O que nós esperámos é que possamos  utilizar esta enzima para reciclar o plástico e retorná-lo às suas características originais para o reutilizar. Isto signfica que não precisaríamos de explorar mais petróleo e que é possível reduzir, essencialmente, a quantidade de plástico que existe no ambiente.“  – Professor John McGeehan ao The Guardian.

É ainda referido no website da NREL que “a urgência deste desenvolvimento é importante devido à poluição que existe nos oceanos todos os anos:  8 milhões de toneladas de resíduos plásticos, incluindo garrafas PET  (ou, polímero termoplástico, desenvolvido nos anos 40 do século XX e usado atualmente em milhões de garrafas e outros recipientes), que criam ilhas artificiais de lixo.


Alguns especialistas prevêem ainda que em 2050 existirá nos oceanos – por massa – tanto lixo plástico como peixes.

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