Party Sleep Repeat: a (sexta) perfeita repetição

O Party Sleep Repeat ocupou uma vez mais a Oliva Creative Factory, em São João da Madeira, para celebrar a amizade com música pela tarde fora e a noite adentro. O dia 21 de abril de 2018 ficou marcado pela 6ª edição da festa que une gerações em memória de Luís Lima.

Em 2012 Luís morreu, com apenas 23 anos, consequência de um tumor no cérebro. Gostava de música e o entusiasmo com que a ouvia não ficava indiferente aos mais próximos de si; foi por isso que os seus amigos decidiram juntar-se e organizar uma festa como forma de lhe prestar homenagem. A primeira edição foi mais restrita e recebeu Capicua, Black Chackra e Sensible Soccers – um sucesso que serviu de motor de arranque para a perfeita repetição nos anos que se seguiram.
Foi a partir da terceira edição que os amigos e os pais de Luís decidiram criar uma associação que o homenageasse durante o ano inteiro e que, além disso, reavivasse a memória do lado consciente do filho e amigo. A Associação Cultural Luís Lima organiza, além desta festa, conferências e está à frente de um grupo de auto-ajuda para familiares de doentes oncológicos, no Porto.

Fotografia: Daniel Dias

Eram já quase quatro da tarde quando o shuttle partiu do Porto com destino a São João da Madeira. As honras da casa foram feitas uma hora mais tarde, por Go’El – o projeto experimental de Diogo Leite, e Dani Valente – seguidos por Solar Corona. O trio El Señor deu as boas-vindas ao pôr-do-sol com o seu rock inquieto e aqueceram o palco para aquele que seria o último concerto no Palco Alameda, no exterior: Zulu Zulu.  No palco, três homens escondidos atrás de máscaras e melodias desconcertantes; no público, corpos que não conseguiam não dançar, ou pelo menos bater o pé.

Fotografia: Daniel Dias

A noite caiu e o palco da Sala dos Fornos abriu as portas. Fugly, a banda do Porto recentemente confirmada na próxima edição do Vodafone Paredes de Coura, tocaram a sua música para Millenials numa sala ainda meia-cheia. Stone Dead continuaram a tarefa do dia: deixar a casa a arder.
Foi Manel Cruz quem acalmou a Oliva Creative Factory com o seu mais recente projeto a solo. Manel, também ele proveniente de São João da Madeira, não escondeu estar feliz por tocar em casa e ainda voltou para mais duas músicas – “Capitão Romance”, dos Ornatos Violeta, e “Borboleta”, de Foge Foge Bandido. O uníssono da sintonia entre Manel, os músicos da sua banda e o público (entre ele alguns membros da organização) criaram um ambiente intimista, quase familiar; como se todos os que ali estivessem tivessem um laço que os unia.

Fotografia: Daniel Dias

As emoções foram sendo recuperadas no intervalo, mas toda a energia que restava foi deixada em Throes + The Shine. Vindos de Luanda e do Porto, levaram a simbiose que criaram entre o rock e os ritmos africanos e desafiaram os dotes de dança dos mais acanhados. A noite de concertos acabou aos saltos, com a respiração desconcertada e um after pela frente assinado por Le Cirque du Freak e Cosmonauta17&Adão.

Fotografia: Daniel Dias

Ano após ano manter a memória do Luís  presente é a tarefa mais importante da festa que, para alguns, também é chamada de festival. No Party Sleep Repeat não há público-alvo, nem se fecham portas: dos 8 aos 80, o pé sai do chão lentamente às cinco da tarde e quase não pára até ao amanhecer.
No fim, cura-se a ressaca da embriaguez de bons momentos e começa-se a contagem decrescente para a próxima edição.

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