25 de Abril: ADFA é quem nos resta erguer

Estranho lembrar, ou imaginar, como tanta coisa mudou em 44 anos. Estranho pensar que a guerra era a melhor forma de honrar um império e fazê-lo crescer. Mudaram-se os tempos, caiu o Estado Novo, mas há vontades que permanecem intactas.

Vontades estas de quem sentiu de perto a força de uma mina. Mina que arrancou olhos, amputou braços ou uniu homens a uma cadeira de rodas. Trata-se da “Geração da Rotura” que em 1974, foi um dos motivos fulcrais que despoletou a grande Revolução. No rescaldo destas comemorações, continua a fazer sentido lembrar os homens que serviram os interesses do país na Guerra Colonial.

A associação que hoje une estes homens – Associação dos Deficientes das Forças Armadas – escolheu a véspera de feriado para lançar um livro, na Câmara do Porto, que compila vivências, lutas e ambições de quem não esquece os tempos que viveu no Continente Africano.

«Recuperar, Reabilitar e Reintegrar» são os lemas da associação.

“Hoje, a luta não acabou. Continua!” afirma Abel Fortuna, Presidente da ADFA. Continua porque as minorias sentem a necessidade de manterem vivos os seus direitos: “Atendendo à atual situação, os deficientes militares, a nível de legislação, são tratados como uns parentes pobres”, realça Albino Maia, ex combatente das Forças Armadas. Apoios legislativos a pessoas com esquizofrenia, a nível psiquiátrico ou no sistema de saúde continuam a ser exigências constantes para que seja possível reabilitar este grupo de homens.

Ao longo dos 44 anos de existência da associação, a mesma substituiu o estado no apoio, em diferentes domínios, aos deficientes. Agora, “assistimos à degradação das magras pensões dos deficientes em serviço, sendo a nossa Associação uma agente passivo, que já nem sequer tem vontade de defender este grupo de sócios marginalizados, quer pela sociedade, quer pela Nação.”, Albino Maia aponta a situação como um momento crítico.

Todos os anos, erguemos no punho o cravo vermelho, simbolismo da liberdade. Em falta, continuam a estar os apoios financiados pelo estado, a pessoas que tão novas se viram obrigadas a cessar as suas carreiras profissionais.

Com o cravo, resta erguer também a consciência de que é necessário elevar a voz daqueles que outrora falaram e agiram por nós.

Autoria de Ana Miranda

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