Jornalismo Canivete-Suíço na ULP

A ULP recebeu na terça-feira, dia 24 de abril, a jornalista Catarina Santos, da Rádio Renascença. O jornalismo canivete-suíço foi a premissa para a sessão, na qual desafios e estratégias do ciberjornalismo foram tema de debate.

Prémio Gazeta Multimédia por dois anos consecutivos, em 2015 e 2016, Catarina Santos começou por recordar a internet como um repositório daquilo que era feito na imprensa, sem ser pensado num formato digital e sem qualquer linguagem própria. Salientou, no entanto, que hoje ‘’o grande desafio é tentar fazer diferente’’.

Através da análise a algumas reportagens multimédia que vê como referência, e posteriormente a alguns dos seus trabalhos ciberjornalísticos, Catarina defendeu que no ciberjornalismo ”a forma de agarrar as pessoas não depende do espetáculo técnico, mas passa por ter uma ideia muito simples”. No entanto, a constante negociação do tempo e as equipas pequenas de trabalho dificultam a tarefa do jornalista, que chega a comparar a um ”malabarista”.

Esclareceu desde logo que não se sente uma malabarista na Renascença, mas ainda assim assume praticar jornalismo ao estilo canivete-suíço. Para a contadora de histórias através do recurso a texto, fotografia, vídeo, som e outros elementos gráficos, ”qualquer jornalista tem de ser muito curioso” e deve procurar dominar as várias dimensões possíveis numa reportagem multimédia.

”Alturas difíceis exigem agilidade”, afirmou Catarina, que sem qualquer receio se lança ao terreno munida de câmaras e microfones para recolher material que, na maioria das vezes, exige uma equipa técnica por detrás. Sai da redação, e muitas vezes do país, com a ideia e o tema estudado, pois como afirmou – ”partir sem rede é meio caminho andado para correr mal”. Contudo, reconheceu que ”o nosso olhar fica muito mais desarmado quando chegamos ao terreno”, mas o seu espírito audaz não a deixa perder o foco perante condições adversas e a fragilidade dos entrevistados, afirmando que:

”A melhor coisa que pode acontecer no terreno é todos os planos saírem furados. Isso é sinal que o terreno me vai surpreender. Isso é que é reportagem.”

A repórter-multimédia, que enfrenta diariamente os desafios da prática do jornalismo online, parte, assim, sozinha, de mochila às costas, desdobrando-se em mil, para contar as histórias daqueles que passam ao lado dos holofotes mediáticos.

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