Avareza condescendente

Já viram o que é guiar a nossa vida para fazer a vontade a um ”ser superior” com o intuito de entrar num lugar melhor? Uma vida aborrecida só para entrarmos naquela guest list.

Há por aí um ditado, emboscado em mito urbano, que diz que a liberdade de cada um acaba quando se invade a liberdade do outro. Quanto a isto não sei, mas se o metro quadrado da minha liberdade estiver tão caro como o metro quadrado em Lisboa então sou um ser muito infeliz.
Se isto é uma verdade universal, então temos um enorme poder em mãos. Custa-me pensar na liberdade como algo que deve limitar o que é certo, ou errado. Gosto de pensar que a liberdade me permite fazer e dizer aquilo que bem entendo; sendo eu mesmo portador das consequências que isso importar. Claro que, nos poros da sociedade, liberdade é isto: ser-se livre. Pelo menos, até alguém se ofender com algo. E aí nasce a liberdade de quem se ofende.
São todos livres de achar que algo que lhes ofende deva ser interdito do espectro liberdade, mas não estarão, a partir desse momento, a massacrar o conceito?

Só há uma pessoa capaz de exigir que o mundo seja feito à sua imagem e de apontar defeitos que, depois de vida, os transportarão para um outro local, consoante um conjunto de requisitos. Essa pessoa é Deus, e ele é muito chato. Já viram o que é guiar a nossa vida para fazer a vontade a um ”ser superior” com o intuito de entrar num lugar melhor? Uma vida aborrecida só para entrarmos naquela guest list.

Não consigo decifrar se vivemos num mundo onde a liberdade impera, mas sei que há muitos wannabes de Deus. A ironia é uma ferramenta muito boa para suprimir uma hipotética falta de liberdade, embora há quem não a entenda. Resta, quanto a mim, uma solução para resolver este problema: educar Deus.
E como, por enquanto, ainda tenho liberdade para escrever algo neste espaço, acabo aqui a crónica. Até para a semana criaturas de Deus.

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