Marega: O trapalhão que virou Herói

 

No mercado de Inverno relativo à temporada 2015/2016, o Futebol Clube do Porto contratou ao Marítimo um jogador que estava a dar nas vistas na formação insular pela sua força e velocidade. O seu nome é Moussa Marega.

Numa primeira fase, o mesmo é dizer na segunda parte da mesma época desportiva, este jogador vindo do Mali não estava a conseguir impor o seu jogo na equipa azul e branca. Muitos diziam que este era um jogador talhado para equipas mais pequenas cujas armas passavam pelo contra ataque e pelo ataque rápido. Consequentemente, muitos afirmavam que este atacante teria muitas dificuldades em jogar numa equipa grande, já que na maioria dos jogos está obrigada a jogar em ataque posicional e onde o espaço para a velocidade é bastante limitado. Esse espaço diminuto colocaria, segundo as opiniões, muitas dificuldades a Marega.

Os resultados do Futebol Clube do Porto nessa época ajudavam a dar razão a essas opiniões. Marega pouco jogou e quando o fez sentiu de facto o peso da camisola. Todavia, no final da época, o destino do jogador haveria de mudar.

Marega foi emprestado ao Vitória de Guimarães. Um clube de média alta dimensão do nosso campeonato e um emblema com as características ideais, segundo o que pensavam os críticos para este evoluir. E assim foi.

O atacante Maliano começou a evidenciar de novo, à semelhança do que aconteceu no Marítimo, os seus pontos fortes: a meio da temporada 2016/2017, era o melhor marcador da liga portuguesa.

Contudo, quando tudo parecia correr de feição, um revés apareceu no destino de Marega. O jogador foi expulso por uma agressão a um jogador do Nacional da Madeira. Essa expulsão valeu-lhe não só o castigo do Conselho de Disciplina como também um conflito com o treinador Pedro Martins e os adeptos Vitorianos que não costumam perdoar tais comportamentos.

Porém, um pedido de desculpas a toda a nação vimaranense, colocou de novo Marega na rota do jogo jogado. Marega faz uma ponta final de época ao nível da inicial e ficou novamente bem colocado aos olhos do seu clube de origem: o Futebol Clube do Porto.

Com a chegada do novo técnico, Sérgio Conceição, Marega foi convidado a entrar de novo nas contas do plantel dos dragões. Ao principio, os adeptos portistas continuavam desconfiados face ao seu valor, mas cedo se percebeu que o atacante iria começar a mudar opiniões no tribunal do Dragão.

Logo na primeira jornada frente ao Estoril, e depois da lesão de Tiquinho Soares, Marega entrou e ainda foi a tempo de bisar na partida. Desde então nunca mais saiu da equipa.

A sua época desportiva, prestes a chegar ao fim e com o Futebol Clube do Porto apenas a um ponto de um título- que já foge há 5 anos-, fica marcada não só pelos seus golos, mas fundamentalmente pela empatia criada com os adeptos. Comunhão essa que anteriormente não se verificava.

Cânticos como aquele que se ouviu em Moreira de Cónegos contra a equipa do Moreirense, jogo onde Marega não haveria de sair do banco suplentes,” Oh Conceição mete o Marega” ou ” Oh Marega vai chutar e vai marcar” grito que se ouviu durante a época toda, demonstra bem a admiração que este jogador maliano reuniu no coração dos portistas.

Quis o destino que o golo decisivo para a conquista do título de Campeão nacional fosse marcado no Estádio dos Barreiros frente ao Marítimo, a sua ex equipa. Um golo que coroa uma época desportiva e faz de Moussa Marega, talvez, a grande figura da temporada 2017/2018.