#DESPORTOEMSUTIÃ COM INÊS FARIA

Inês Faria é atleta de voleibol desde os 10 anos, tendo começado o seu percurso no Clube Desportivo da Póvoa. Atualmente representa as cores do Leixões e estuda Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

O #infomedia teve a oportunidade de ficar a conhecer mais sobre esta jovem que se divide entre o desporto e a universidade, e descreve o voleibol como “uma maneira de me libertar do stress académico e uma forma de aprender a gerir o meu tempo”, não se imaginando a não praticar.

P: Como surgiu o teu interesse pelo desporto? E, especificamente, pelo voleibol?

R: Tudo começou através das captações de atletas que o clube desportivo da Póvoa estava a fazer. Na altura (quando entrei para o 5.º ano) não praticava desporto e decidi experimentar o voleibol, e acabei por gostar imenso e desde aí que nunca mais parei de jogar.

P: Começaste o teu percurso no Clube Desportivo da Póvoa, onde, segundo o que pode apurar, jogavas em escalões acima. Agora, no Leixões, como é lidar com a pressão?

R: Quando vim para o Leixões senti que o nível de jogo e os objetivos do clube eram muito diferentes dos que havia no clube desportivo da Póvoa. Ali joga-se para se ser campeã, tudo o que não envolver ganhar o campeonato não interessa. E era mesmo desse espírito que eu estava à procura. Precisava de mais competição, mais treino e mais exigência e no Leixões eu consegui realmente encontrar isso.

P: Como é conciliar a tua vida enquanto atleta com a tua vida enquanto estudante?

R: Não vou dizer que é fácil… principalmente em épocas de exames, torna se mesmo muito difícil de gerir o cansaço dos treinos com o estudo intensivo. Chego às vezes a dormir 4 horas porque chego tarde dos treinos e as vezes ainda tenho que estudar à noite e no dia seguinte tenho que acordar cedo para estudar novamente. Mas eu sinto que o facto de ter começado a jogar muito cedo ajudou-me a gerir bem o meu tempo e agora que cheguei a faculdade torna-se tudo menos difícil.

P: Alguma vez sentiste algum tipo de preconceito por parte da sociedade? Da tua família ou amigos?

R: Não, nunca senti qualquer tipo de preconceito. A minha família sempre me incentivou a praticar desporto e a maior parte dos amigos que tenho conheci os através do desporto por isso vivem na mesma realidade que eu.

P: Como vês o panorama do desporto feminino atualmente?

R: Sinto que cada vez mais se dá maior relevância ao desporto feminino. A nível mundial, países como o Brasil, Rússia e Itália sempre deram grande importância ao voleibol em geral e por esse motivo dão igual relevância à competição feminina e masculina.

Falando em Portugal especificamente, sem dúvida que há um grande contraste entre a competição masculina e feminina principalmente quando se fala de seleções nacionais. Felizmente este contraste tem vindo a diminuir graças ao esforço que a federação portuguesa de voleibol tem tido para trazer atletas femininas e dessa forma promover o desporto feminino no país.

P: Que conselhos podes deixar a jovens mulheres que queiram entrar no mundo do desporto, mais concretamente no voleibol?

R: O conselho que dou é que persistam e não desistam de lutar pelos vossos objetivos pessoais. O clube desportivo da Póvoa foi o clube que me ensinou grande parte do que sei hoje, porém chegou uma altura da minha vida em que eu sentia que precisava de mais exigência e competição para alcançar os meus objetivos, daí ter mudado para o Leixões.

O voleibol português não é um dos melhores do mundo, mas podemos mudar isso! A insistência é perseverança fazem os verdadeiros atletas e precisamos de mudar um pouco a imagem que o voleibol português tem no mundo. Por isso, digo a todas as atletas que não tenham medo de arriscar e de se assumirem no desporto.