Tinder: um affair à distância de um click

A utilização de aplicações de encontros não é exclusiva da Geração Z, mas vem mudar o paradigma das relações interpessoais e dos encontros amorosos (que de amor podem até ter pouco).  Francisco, Maria, Sara, Mariana, Tatiana e Thomas são nomes fictícios para pessoas reais que utilizam, ou já utilizaram, a app mais casamenteira de todas – o Tinder.

Tenha sido instalado para fugir a relações do passado ou para sair da zona de conforto, há um aspecto em comum entre os jovens que usam o Tinder: todos procuram conhecer pessoas novas. Francisco fê-lo de livre vontade, numa altura da sua vida em que estava com dúvidas relativamente à sua orientação sexual. “Ajudou-me muito a descomplexar a minha mentalidade e a descobrir-me”, confessa. Já Maria acredita que é uma maneira de conhecer pessoas diferentes mais facilmente e sem tabus.

Match? Match!

Já lá vão os tempos em que namorar era dar uma volta ao domingo ou conversar pela janela. No Tinder as conversas são bastante diretas, as pessoas aparecem no radar através da localização e o método de seleção é feito através de uma análise ao perfil de cada um. Lá são adicionadas uma fotografia principal e mais seis adicionais, uma descrição pessoal, a profissão, a música favorita, as últimas tocadas no Spotify e os últimos 100 likes dados no Facebook, que podem ou não coincidir com alguns dados por quem está a ver o perfil. Na hora de dar um like, a aparência é fator decisivo, ainda que as restantes informações possam ajudar – “O principal motivo é a aparência física da pessoa. Alguns também têm uma breve descrição que pode ajudar no Sim ou Não, mas o principal é sem dúvida a fotografia.”, conta Mariana.
O resultado de likes de ambas as partes, que é como quem diz de interesse mútuo, é um match. A partir daí as duas pessoas são notificadas e podem começar a entrar em contacto. 

Do virtual para o real

Sara e Maria não olham para o Tinder com grande seriedade, mas já fizeram amigos por lá. Das conversas na aplicação de encontros passaram para o Instagram, e do Instagram para a vida real.
O medo do desconhecido pode ser um entrave, mas acaba por criar uma certa curiosidade entre os utilizadores, que não sabem bem o que poderá sair dali. Mariana chegou a conhecer uma pessoa que se tornou obsessiva e que a ameaçou, a si e aos amigos, e que acabou por a perseguir na rua. Thomas queixa-se de outro mal: “As pessoas nem sempre são o que aparentam nas fotografias”. Relativamente a esse assunto, Maria mostra-se confiante “Nunca tive uma má experiência, dá para entender quando um perfil é falso ou não e quando isso não acontece na conversa percebe-se bem!”.
Apesar de ter tido algumas más experiências, Thomas agradece ao Tinder por lhe ter tido uma boa que compensou as restantes: conhecer o namorado.

Procura por diversão ou por amor?

Tal como Thomas, outros jovens já se apaixonaram por alguém que conheceram no Tinder. Chegar a pessoas com interesses em comum, a quem não se chegaria de outra forma, é o que motiva grande parte. Quando questionados sobre a possibilidade de encontrar o amor todos responderam afirmativamente, apesar de, nas palavras de Tatiana, esta ser “uma aplicação para quem se quer divertir e estar com pessoas novas” e, na perspetiva de Sara, o Tinder pertencer a “pessoas solteiras que se querem divertir e não propriamente encontrar o amor da sua vida”.

Um affair à distância de um click, onde quer que estejas

Seja à procura de diversão ou de amor, grande parte dos jovens instala a aplicação nem que seja “para experimentar”. Segundo o Buzz Feed, acontecem 26 milhões de matches por dia e o uso da app aumenta na Primavera e no Verão.
Apesar de ser cada vez menos um assunto tabu, nem sempre é fácil falar abertamente sobre a existência de uma conta no Tinder, a não ser entre amigos. Mariana conta que já lhe aconteceram situações caricatas – “Várias pessoas que me criticaram por ter uma conta, encontrei-as lá.”.
O Tinder, a par do Grindr (uma espécie de Tinder LGBT), tem vindo a mudar a forma como as pessoas se relacionam e a questionar a credibilidade das relações iniciadas através da internet. Sejam muito ou pouco superficiais, tenham a finalidade que tiverem, procurem ou não o romance, as aplicações de encontros têm cada vez mais adeptos – sejam eles de que faixa etária forem – e parecem ter vindo para ficar. Conhecer alguém já não está à distância de uma viagem, de uma varanda ou de um lugar com computador; está à distância de um click, a qualquer altura e em qualquer lugar.

 

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