#Procura-se… Caricaturista

Nem as misses escapam ao olhar de Artur Ferreira. Desde 1977, pratica esta arte de risco. Durante a semana da Queima das Fitas, no Porto, Artur, agora reformado dos trabalhos para os jornais, é procurado por alguns estudantes universitários para serem desenhadas algumas memórias e características com humor, mas sem excessos.

Foi na segunda-feira, da semana da Queima das Fitas, que o emblemático Café Piolho, encheu algumas mesas para ver Artur Ferreira caricaturar, “ao vivo”, estudantes finalistas que por lá passavam. “Já são uns aninhos e depois de muitas horas boas de trabalho a gente ressente-se, mas eu gosto disto e a nivel académico… Pronto!”. Com 67 anos, a vontade para caricaturar persiste, apesar do desgaste da idade. “Posso ter oitenta anos que ainda vou andar nesta vida.”

Caricatura de um estudante (Fonte: Artur Ferreira)

Começou por trabalhar para os jornais como o Primeiro de Janeiro e o Jornal de Notícias, mas foram amigos de Artur, nos anos 70, que partilharam os seus desenhos pela academia. “Ao longo da minha vida, é provável eu já ter feito milhares, senão milhões…” De caras mais redondas a olhos mais rasgados, Artur não tem truques. “A caricatura antes de mais está nos olhos de quem a vê. As caras feias é só copiar, as caras bonitas tem-se que interpretar um bocadinho.” Em apenas quatro minutos, todos os traços são feitos a marcador. Quem quiser poderá acrescentar frases ou objetos que tragam memórias ou caracterizem o caricaturado.

Para Artur, “como é conhecido no mundo artístico”, a caricatura é fácil de se fazer, primeiro notam-se os pormenores que mais se destacam nas pessoas, “posso ter uma fila de pessoas aqui à minha frente, eu vou vendo previamente que características elas têm…”, depois o esboço e a partir daí, desenham-se as características mais relevantes, mas sem exageros porque o caricaturado deve rever-se no desenho. “Por vezes a gente é “Ah! Mete o nariz muito grande!” e todos se riem, mas não tem nada a ver com a realidade e se o caricaturado não se revê na própria caricatura, mesmo por exagerada que seja, não adianta nada.”

Caricatura B.B. King (Fonte: Artur Ferreira)

Por falar em humor, Artur confessa que gostam do seu trabalho e poucos foram aqueles que criticaram ou mostraram desagrado. “Maior parte das pessoas gostam. Não sou muito de espicaçar. Claro que para aqueles concursos… Mas nestes trabalhos académicos nunca passo o limite, porque a caricatura não é para desenhar algo que não existe.” Tanto gostam que até o hábito de ser caricaturado no final do curso se tornou uma tradição em algumas famílias. “Tenho aqui caricaturas que já foram feitas há 30 anos atrás em que são os pais dos finalistas que eu estou a caricaturar agora! Eles às vezes perguntam aos filhos: “Ah, vais fazer uma caricatura?- Sim, ao Artur!” e eles respondem “Ele ainda anda nessa vida? Olha, manda-lhe cumprimentos!”

(Fonte: Artur Ferreira)

Apesar de ser “arriscada” aos olhos dos outros, Artur prefere esta arte, visto que é um estilo mais livre e prático para ser feita.  “Por vezes, sento-me num sítio, pego numa folha de guardanapo e desenho…”. A carreira já conta com muitos desenhos em papel desde professores a noivos, mas Artur guarda-os no portfólio digital, instalado no telemóvel e desenha na “app que dá para ser projetada numa tela e as pessoas podem ver”.

Uma arte carregada a carvão ou a marcador, mas Artur desenha memórias e, sobretudo, procura eternizá-las.

 

 

Deixa um comentário