Referendo da legalização do aborto na Irlanda

Num país onde cerca de 80% dos cidadãos se assumem como católicos é a 25 de Maio que uma votação histórica será realizada na Irlanda, onde interromper uma gravidez é mais difícil do que em qualquer outro local no mundo – excepto se existir risco de vida para a mulher.

É esta Sexta-Feira que cerca de 3 milhões de irlandeses serão chamados às urnas para decidir se a Oitava Emenda deve ser revogada de modo a que o aborto seja legalizado. A interrupção voluntária da gravidez na Irlanda é considerada crime desde 1861 e, mais tarde, em 1983 foi introduzida na lei da Constituição, sendo que o feto têm o mesmo direito à vida que a mãe.

Oitava Emenda da Constituição da Irlanda: “o Estado reconhece o direito à vida daquele que vai nascer e, tendo em conta o igual direito à vida da mãe, garante nas suas leis respeitar e, na medida do possível, através das suas leis defender e fazer valer esse direito”.

Só em 2013 é que foi permitido o aborto na eventualidade da gravidez representar um risco de vida para a mulher. É importante realçar que esta decisão foi tomada após o caso polémico em que uma mulher de 31 anos faleceu porque o aborto lhe foi negado. Caso contrário o aborto (ilegal) é punido até 14 anos de prisão; em comparação, um violador é condenado – em média – a dez anos de prisão.

Segundo o Diário de Notícias, as sondagens têm apontado a vitória do”Sim”, apesar de existir uma percentagem de 20% que se mantêm  indecisos. Do lado do “Não” está a Igreja Católica, mas só nos últimos dias é que os bispos têm defendido essa posição. Num país tão profundamente religioso, a legalização do aborto pode correr o risco de não ser aceite. Caso o “Sim” ganhe, o plano do governo irlandês é autorizar o aborto até às 12 semanas da gravidez, sendo extensível até às 24 semanas no caso de malformação do feto, ou representar risco de vida para a mulher.

As urnas abriram portas às 7h da manhã e fecham às 22h, o resultado deverá ser anunciado amanhã.

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