Crónica de um gajo meio morto

Quando um familiar nosso estiver às portas da morte, com uma doença incurável e fatal, e decidir pôr fim ao sofrimento, que faremos nós?
Até pode ser um familiar a quem nunca ligamos nenhuma, a morte dele irá servir para um belo post no Facebook com um modelo semelhante a: “Partiste assim de repente, ainda nem acredito, mais uma estrela no céu”.  A eutanásia retira esta magia à morte.

No momento em que escrevo (29 de Maio, 22:40) perfazem 48 horas em que já não fumo em espaços públicos. É a minha forma de brincar com o mundo, já que com a minha idade (20) muitos não fumam em casa, por respeito ou desconhecimento dos pais.
É complicado, sobretudo porque é algo em que sou muito bom, especialmente talentoso.

A pior coisa em tentar deixar de fumar são as pessoas que gostam de se meter na vida de outras. Não basta ter uma vontade acérrima em infestar-me de fumo, como ainda me abordam, muito interessados, acerca da minha experiência tabagística.
Gostava de saber se, caso andasse por aí a matar gente, as pessoas viriam ter comigo e dissessem algo do género: ”Então, ouvi dizer que paraste de matar pessoas, custa não matar nenhuma no espaço de dia e meio?” ou ”Aposto que amanhã já vais matar uma velhinha, maroto.”

Por falar em mortes, o dia de hoje fica, também, marcado pelo ”Não” do Parlamento à Eutanásia. Acho muito bem.
Lá por uma pessoa estar a morrer não lhe dá o direito de ser egoísta. Não estamos preparados para a Eutanásia.
Quando um familiar nosso estiver às portas da morte, com uma doença incurável e fatal, e decidir pôr fim ao sofrimento, que faremos nós?
Até pode ser um familiar a quem nunca ligamos nenhuma, a morte dele irá servir para um belo post no Facebook com um modelo semelhante a: ”Partiste assim de repente, ainda nem acredito, mais uma estrela no céu”.  A eutanásia retira esta magia à morte.

Estou mesmo a imaginar a minha mãe a gritar: ”Despacha-te que o teu bisavô morre daqui a 12 minutos.”
Acham mesmo que eu ia assistir a esse filme chato?
Claro que sim. Pensem nos likes que uma selfie daquele momento ia render.

Metam-se na vossa vida. Abraço.

 

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