“Uma princesa não fuma” (?)

A campanha “Uma princesa não fuma”, desenvolvida por duas estudantes, têm como objetivo inverter a tendência dos jovens fumadores. Depois das imagens chocantes nos maços, o consumo não parece que vá abrandar em Portugal, portanto esta campanha decidiu focar o combate ao tabagismo através do segmento social que têm despertado mais preocupação: as jovens mulheres.

No ano passado, a cada 50 minutos morreu uma pessoa em Portugal devido ao tabaco.
A curta-metragem “Deixe de Fumar. Opte por Amar Mais” possui o objetivo de sensibilizar, provocar e chocar o espectador. O filme que apresenta uma mãe com cancro do pulmão – em estado terminal – e que demonstra uma preocupação na eventualidade da filha adquirir o mesmo vício do tabaco.
“Promete-me que vais ser sempre a minha princesa. E lembra-te, uma princesa não fuma” – é uma das frases mais marcantes no diálogo entre a mãe e filha.

A ideia surgiu por duas alunas de 18 anos da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto, a realização foi por André Badalo e conta com a participação da atriz Paula Neves. O filme já se estreou na passada quarta-feira (30/5) no Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa; o mesmo passará nas salas de cinema, nas redes sociais, no Youtube e – em Novembro – nos canais de televisão. No entanto, a campanha têm dado que falar pelos estereótipos atribuídos ao papel da figura feminina no filme.

A  associação feminista “Capazes” apresentou uma queixa na Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) contra a campanha anti-tabaco, uma iniciativa por parte do Governo e da Direção Geral da Saúde.

“Não há problema em fazer uma campanha dirigida às mulheres. O problema é a redução da campanha a uma série de estereótipos que têm prejudicado a mulher, reduzindo-a ao papel de mãe e ao papel de princesa”. – Inês Ferreira Leite, jurista e dirigente da Associação ao jornal Expresso.

O próprio Bloco de Esquerda também decidiu questionar o ministério da Saúde solicitando uma revisão na campanha pelo papel atribuído à mulher.
A CIG considera que foram utilizados “estereótipos discriminatórios, os quais são igualmente prejudicais à vida das mulheres e dos homens na nossa sociedade” para a realização do filme.

De modo a responder às críticas sobre a polémica campanha antitabágica, a diretora-geral da Saúde afirma que é dirigida a um público alvo: as mulheres jovens. Graça Freitas explica que “é nesta parte da população que o consumo de tabaco está a aumentar, em vez de diminuir” e que “a campanha tem um enquadramento epidemiológico que são as mulheres adolescentes, porque são as que estão a fumar mais”.

 “O relatório das doenças oncológicas de 2017 destacou o aumento de 15% da mortalidade no sexo feminino. Entre 2014 e 2015, por tumores malignos de traqueia, brônquios e pulmão.” – Ministério da Saúde.

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