Não somos um “Toy”

Acordar de manhã cedo com os olhos sobre Israel e sobre uma música que todos nomeiam como a “música da galinha”.

A imprensa comenta que a música é uma emancipação e uma “aceitação das diferenças.” Mas que diferenças são essas? Salvador Sobral trouxe o sentimento para a Eurovisão, em 2017, e, neste ano, Netta Barzilai levou a sua atuação de volta ao campo político afirmando, segundo o Diário de Notícias, que: “É uma música que celebra as diferenças, de empoderamento para todas as pessoas que se têm debatido consigo próprias, com os seus patrões, com o governo, com alguém que as pisa.”

Toda a gente partilhou as fotos das crianças da Síria com pó na cara dos bombardeamentos. Toda a gente concorda com a espetacularização da guerra, com o sensacionalismo da violência para a semi-indignação ocidental. Contudo, poucos são aqueles que se indignam quando as mesmas crianças palestinianas são mortas pelo estado de Israel, muitas à queima roupa por um exército assassino.

E porquê?

Porque Israel é o vilão que nós, europeus, escolhemos amar pelos dois. Israel não é a Síria, nem a Líbia.
Não nos interessa que mate crianças à queima roupa, não nos interessa que prenda uma adolescente de 16 anos por esta ter empurrado um soldado que estava a espancar a mãe. Não nos interessa que ocupe, consecutivamente, um território que não é seu e que tenha como objetivo o lento genocídio de um povo que considera estes seres humanos de segunda categoria.
Israel tem democracia e urnas. É super trendy, tem praia. O que interessa se armou rebeldes iraquianos e sírios que fundaram o Estado Islâmico?
O que interessa se, rigorosamente, nada fez para combater problemas reais, apenas para os piorar e escalando o conflito?

Nada interessa, o que interessa é que mesmo tendo um dos exércitos mais sanguinários do mundo – que viola mulheres e espanca crianças, diariamente – Israel foi #BODYPOSITIVE.


Quanto aos palestinianos, desculpem lá se morrem todos os dias, desculpem lá se Israel matou os vossos pais, violou as vossas mulheres, deixou morrer de fome os vossos bebés.
Desculpem lá se queimaram as vossas casas e ocuparam o vosso país.
Eles são progressistas e #bodypositive; merecem um beijo deste Portugal cego pela ignorância da porta da Igreja à porta da discoteca.

Já agora, Portugal, não se esqueçam que já temos o nosso Toy.

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