As ‘famosas’ árvores de Madagáscar estão em extinção

As árvores baobás podem atingir metros de altura e há quem acredite que sejam milenares, no entanto não têm resistido às alterações climáticas. Desde 2011, sete das treze baobás mais antigas do mundo secaram.

Conhecida pelo filme animado “Madagáscar 2”, a baobá é uma das árvores que melhor caracteriza a savana africana. Designada por imbondeiro ou baobá (Adansonia digitata) pode viver milhares de anos, mas ninguém consegue determinar a sua idade, visto que o seu crescimento não permite a observação dos anéis anuais. Segundo Adrien Patrut, um investigador e especialista em árvores baobás, em 2011, a baobá mais velha do mundo secou, uma árvore com 2450 anos.

Bar no Baobá

São árvores caracterizadas por um tronco que pode chegar a ter um diâmetro de 7-11 metros e uma altura de 5-30 metros. Esse tronco consegue armazenar cerca de 100 mil litros de água, o que lhes proporciona a hidratação necessária para as épocas mais secas. Consegue mesmo atingir elevadas dimensões, tanto que, na África do Sul, na província de Limpopo, construíram um bar dentro do tronco de uma baobá.

Múcua

Habitam territórios áridos e muito quentes, com condições de sobrevivência muito extremas, onde existe pouca água disponível ao longo de quase todo o ano. São árvores de folha caduca que caem quando se aproxima a estação seca. Em determinadas savanas, as baobás são das únicas espécies que conseguem sobreviver às condições climatéricas, mas aparentam não resistir às alterações climáticas que se têm sentido.

A múcua é o fruto do baobá. É do tamanho de um côco e contém um miolo seco e rico em vitaminas e minerais. O sumo deste fruto é obtido quando o miolo é fervido em água quente e depois é refrigerado, de forma a beber-se frio. O miolo em pó também é utilizado como uma especiaria e com fins medicinais pelos povos aborígenes.

Para Patrut, a preocupação maior é o desaparecimento desta espécie não por doença genética, mas pelas alterações climáticas que se têm manifestado no continente africano. Apesar de serem árvores habituadas a climas secos e muito quentes, o aumento da temperatura tem sido insuportável para a resistência desta espécie. O mais alarmante para a sua equipa de investigadores é como uma árvore milenar não tem conseguido sobreviver ao longo de doze anos. Desde 2005, sete das treze árvores mais velhas e cinco das seis mais altas secaram. Segundo Toledo Aceves, uma investigadora do National Geographic em entrevista à Science salientou que “De 2005 a 2017, em apenas 12 anos, não é natural morrerem tantas árvores desta espécie É uma morte misteriosa que realmente não conseguimos desvendar.”

Flor Baobá

Eles suspeitam que a mudança climática – e a água subterrânea é mais difícil para as raízes chegarem – pode ter algo a ver com a morte das árvores, mas também apontam que ao longo da vida, ela passou por condições mais húmidas, mais secas e mais frias que prejudicam a árvore. De qualquer forma, estas mortes misteriosas terão um grande impacto na paisagem africana, pois, para além da sombra, a casca, as raízes, as sementes e as frutas da árvore são fonte de alimentos para muitos animais.

 

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