Macedónia tem novo nome

Os ministros da Grécia e Macedónia dos Negócios Estrangeiros assinaram no passado domingo um acordo para alterar o nome da ex-república jugoslava da Macedónia para República da Macedónia do Norte, permitindo assim que o país se possa juntar à UE e à Organização das Nações Unidas.

Nikos Kotzias, ministro grego, e  o macedónio, Nikola Dimitrov, juntaram-se numa cerimónia, realizada nas margens do lago da fronteira de Prespes, na companhia dos primeiros-ministros Alexis Zipras e Zoran Zaev e o negociador da ONU Matthew Nimetz assim como diplomata da União Europeia (UE) Federica Mohgherini.

“Cumprimos hoje o nosso dever patriótico (…), um passo histórico para fechar as feridas do passado, para abrir o caminho para a cooperação dos nossos países, dos Balcãs e de toda a Europa”, disse Tsipras.

Ao proclamar sua independência da República Socialista Federal da Jugoslávia, em 1991, a República da Macedónia foi alvo de uma forte oposição por parte da Grécia, que considera o nome “Macedónia” como parte do passado cultural grego. Além disso, a Grécia já possuia uma região com o mesmo nome. Desta forma,  o país grego só concordou com a admissão da República da Macedónia (nome constitucional) na Organização das Nações Unidas (ONU) sob o nome provisório de “antiga República jugoslava da Macedónia”.

A maioria das organizações internacionais adoptou a mesma convenção de nome, inclusive a Organização do Tratado do Atlântico Norte, o Fundo Monetário Internacional e o Comité Olímpico Internacional. Porém, um número crescente de países tem abandonado a referência provisória da Organização das Nações Unidas, nomeadamente os Estados Unidos, Rússia e República Popular da China. Contudo,  existem já noventa países que reconhecem o país como “República da Macedónia” ou simplesmente “Macedónia”, realçando que:

“Este passo não deve ser suspenso (…), porque damos um exemplo para construir o futuro contra o ódio”, acrescentou Tsipras

Este acordo, que deve entrar em vigor dentro de seis meses, colocando assim um fim a uma querela político-semântica de 27 anos. Se por um lado a Grécia era contra a utilização do nome Macedónia por outro país, porque poderia levar a que este país vizinho reivindicasse o território de uma região do norte da Grécia com o mesmo nome. Pelo seu lado, a ex-república jugoslava tem aspirações de entrar na União Europeia e na NATO, o que estava a ser dificultado pelo veto da Grécia, membro das duas organizações.
Com este acordo, a Grécia deve levantar o seu veto grego à entrada da Macedónia na União Europeia e na NATO. Do lado macedónio, o acordo deve ainda ser ratificado pelo parlamento, aprovado por referendo e publicado numa emenda constitucional.

Se o acordo falhar do lado macedónio, a integração euro-atlântica de Skopje será interrompida, havendo assim um recuo no desenvolvimento do país.

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