#Procura-se… Faroleiro

A vida de um faroleiro já não é solitária. Em Portugal, existem 53 faróis onde vivem 144 faroleiros com as suas famílias. Desde 2014 que Rui Reis é um dos quatro faroleiros de Leça da Palmeira.

 

“Na altura não era algo que me fascinasse. Com o tempo é que vamos alimentando outras ideias e os nossos objetivos vão sendo outros.” Rui Reis, 33 anos, recorda os momentos da sua infância e o seu pouco entusiasmo em tornar-se faroleiro até 2013, ano em que se tornou um dos 144 faroleiros espalhados pelo país. “Decidi tornar-me faroleiro quando estava na marinha, candidatei-me ao quadros e assim entrei.” O que o mais interessou na vida de um faroleiro foi a história dos faróis e a função que tinham.

Rui sublinha que a vida do faroleiro não é monótona e muito menos solitária. De dia, as obrigações da profissão e à noite, a vida familiar. “O faroleiro faz de tudo dentro dos muros que isolam o farol, fazemos de tudo um pouco: a manutenção diárias das infraestruturas, manutenção dos próprios equipamentos que servem de assinalamento marítimo.” Cada faroleiro pode alojar a sua família no farol, para além disso, as visitas daqueles que passam perto do farol de Leça da Palmeira também são bem-vindas. “Cada faroleiro tem uma habitação onde nos permite alojar a família e é onde nós temos a nossa residência. É engraçado porque as pessoas que passam por aqui pensam que temos uma vida muito solitária e na realidade não acontece isso.” Rui considera que já passaram muitos anos desde que a vida do faroleiro era solitária, porque os faróis eram isolados das populações, agora não só se podem deslocar para outros locais, assim como há quem os visite, principalmente às quartas-feiras. “Hoje em dia, não existem faróis isolados.”

Não é solitária nem estagnada. No farol de Leça da Palmeira, mais conhecido por Farol da Boa Nova, existem quatro faroleiros. Duas vezes por semana, cada um fica encarregue de vigiar o aparelho ótico de cristal, visto que tem que ficar em permanente atividade para orientar os navegadores. “O farol tem um equipamento que mede a quantidade de luz na atmosfera abaixo de um determinado valor, o farol é accionado, entra em funcionamento e depois fica em permanente funcionamento durante a noite.” A luz emitida detém um alcance de 28 milhas (cerca de 52 quilómetros). Caso a lâmpada do aparelho ótico falhe, é possível utilizar gás para o manter aceso.

O farol continua a desempenhar um papel relevante, nomeadamente para quem navega. “Os faróis ao permanecerem na costa, os navegadores conseguem identificar que ali é terra, além disso cada farol tem características particulares o que permite identificar o local onde estão. É um código.” Com 46 metros de altura e pintado com riscas verdes, o Farol da Boa Nova entrou em funcionamento em 1926.  Para subir ao seu topo, é necessário subir 213 degraus. Conta-se que o naufrágio do paquete inglês “Veronese”, em 1913, veio impulsionar a sua construção. É designado por ‘Boa Nova’, pois veio a substituir o farolim da Boa Nova, um farol com menor dimensões.

Aparelho ótico

As novas tecnologias têm sido uma vantagem para o farol e para quem lá trabalha. O aparelho ótico é, agora, automático, no entanto, obriga a que alguém permaneça 24 horas a vigiá-lo. “O farol já não é apenas uma torre com apenas um luz, é um sistema de sistemas. O que geria o farol conseguiu adaptar-se ao tempo atuais, o faroleiro já não precisa de ligar e desligar.” Mas para Rui Reis, o farol nunca irá acabar. “O farol nunca irá acabar porque é necessário. O farol é um back-up das novas tecnologias, principalmente de geolocalização. Será sempre uma base para os navegadores que se encontram no mar.”

Um faroleiro é transferido de farol de quatro em quatro anos. As emoções de rumar a outro farol são muitas, mas a saudade é a mais sentida. “A saudade daquilo que nós cá passamos, da equipa com quem trabalhamos e depois vamos partir à descoberta de outro farol, de outra povoação, de outra localidade e de outra equipa.” Por enquanto, a casa de Rui é o Farol de Leça da Palmeira, mas dentro de meses partirá para outro lugar.

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