Instagram e a Geração dos influenciadores digitais

Há cada vez mais influenciadores digitais: usam as redes sociais para marcar tendências e comportamentos, influenciam decisões de consumo e, por isso, são uma espécie de Santo Graal de algumas marcas.

O posicionamento, deve-se à crescente utilização das redes sociais ao longo dos anos. Há vantagens e desvantagens. Tanto para a Geração Z, que já não sabe viver sem elas, como para as restantes gerações, que procuram conectar-se cada vez mais, e tentar, assim, desenvolver relações. O Instagram é a rede que mais tem conseguido crescer em Portugal, e pode mesmo dizer-se que, atualmente, é a plataforma mais procurada e utilizada pelos jovens.

O relativo crescimento leva a que o conteúdo que é partilhado online tenha uma importância e uma dimensão completamente diferentes em relação ao passado. Os utilizadores optam por manter o perfil atualizado com conteúdo original e criativo, para chamar a atenção de um público específico e, assim, conseguir um maior número de seguidores.

Parece ser uma rede social mais interativa do que as demais – há uma percentagem notável de mulheres a utilizar a mesma e ela é ainda de fácil acesso e rápida assimilação – e, como tal, o Instagram tem vindo a desenvolver-se como uma arma poderosa para o marketing digital. A plataforma é usada pelos mais diversos negócios como um instrumento na atração de clientes. Já as marcas procuram num determinado perfil a imagem que pretendem comunicar, oferecem esse produto para que possam receber um feedback e, posteriormente, esperam que essa figura que contactaram (que à partida já é mediática) tenha a capacidade e predisposição para influenciar os seus seguidores a consumir esse mesmo produto. Torna-se um influenciador digital quando persuade e envolve a comunidade que o segue.

O corpo, a imagem e a necessidade de expor conteúdo de qualidade constituem, muitas vezes, o instrumento de trabalho de quem pretende influenciar. Neste sentido, cria-se um conceito de “beleza de Instagram“. Ou seja, os seguidores acabam por perceber que – pelo menos naquele grupo restrito de influencers – o conteúdo partilhado nunca é muito diferente, principalmente porque o objetivo é comum. A ideia de “corpo ideal, mente sã e objetivos cumpridos” parece estar sempre presente nas vidas destas personalidades. Isto leva a que se criem expectativas irreais relativamente a corpos e imagens: há um uso exacerbado (e quase obrigatório) de filtros e aplicações que permitam retocar e editar, de modo a tornar a fotografia “digna” de partilha numa rede social e capaz de chamar a atenção de uma marca ou negócio.

Ainda assim, para além dos influencers ligados ao mundo do consumo, surgem aqueles que têm a capacidade de usar esta rede social para inspirar dentro da comunidade virtual o debate sobre questões sociais muito presentes na Geração Z. Estes abordam temáticas como a importância de hábitos de alimentação e estilos de vida saudáveis ou a necessidade de lutar por igualdade de género, e consciencializam a sociedade para várias questões ligadas à comunidade LGBTQ+. Há ainda um grupo restrito de influencers que procura, através desta rede social, publicar fotografias de corpos “reais” (ou seja, sem filtros) para que os padrões de “corpos perfeitos” possam ser questionados.

A revista Time escreveu sobre o Instagram e revelou que esta é a pior rede para a saúde mental e bem-estar dos adolescentes e jovens adultos – dando especial ênfase a perigos relacionados com ansiedade, depressão, solidão e bullying. Segundo a revista americana, estamos perante uma rede social que cria “expectativas irreais relativamente à imagem” e sentimentos de inadequação porque o seu modus operandi é a propagação de corpos e rostos altamente “falsificados”. Mas, embora esse tipo de conteúdo nocivo não vá desaparecer com muita facilidade da internet, está ao alcance de todos nós escolher que tipo de perfis queremos ver no nosso feed e que conteúdos pretendemos consumir diariamente.