Au-lloween em Paredes: “Mais do que uma angariação de fundos, uma forma de potencializar os animais para adoção”

Fotografia: Patrícia Dias – Django, um “patudo” da APP

A noite de 31 de outubro, Dia das Bruxas, é – como dita a tradição norte-americana – uma das mais assustadoras do ano, e diversos são os costumes que marcam a data. A “doçura ou travessura” é uma dessas práticas, e, este ano, a Associação Patudos de Paredes (APP) reinventou-o para fazer deste Halloween um momento de solidariedade.

O evento que a APP organizou iniciou-se às 21h00: os “patudos”, vestidos a rigor – ou seja, convenientemente mascarados – percorreram as principais ruas do concelho numa caminhada com vista a angariação de fundos. O desfile, programado para uma hora mais tarde no parque José Guilherme, teve de ser relocado para o Pavilhão Gimnodesportivo de Paredes devido às condições climatéricas adversas, mas este abriu as portas a toda a comunidade e a festa não foi perturbada. A participação no evento contou com uma entrada de dois euros, e as receitas reverteram na totalidade para a ajuda de despesas da APP.

A Associação é uma organização sem fins lucrativos fundada há três anos, cuja missão principal é o acolhimento dos animais no canil do município. 42 voluntários asseguram o bem-estar dos animais abandonados e promovem ativamente a adoção responsável.

Nuno Sérgio, presidente da APP, revelou que a equipa surgiu como forma de poder responder aos diversos casos de abandono e abate de animais em Paredes. “Com a Associação, os animais começaram a ter mais visibilidade, e iniciámos os processos de adoção. Nestes três anos, já conseguimos salvar cerca de 900 animais, e neste momento temos 26; todos os outros já foram adotados.”

“Tem sido um trabalho complicado porque não temos grandes ajudas e não temos um espaço físico… Não temos o nosso abrigo”, explicou Nuno Sérgio, quando questionado sobre as principais dificuldades que a APP enfrenta diariamente. “Isto só tem sido possível graças aos nossos voluntários e às famílias de acolhimento temporárias (FAT). Elas é que ficam com os animais até serem adotados. Têm sido os nossos pilares. Na sua falta, temos de recorrer a hotéis, e aí os custos tornam-se muito elevados”, sublinhou, deixando evidente a necessidade de serem construídas instalações próprias que proporcionem um lar para os animais da instituição.

Ao apresentar o projeto à comunidade, o presidente da organização referiu ainda que “esta iniciativa é uma forma de apresentarmos os animais que ainda temos para adoção e potencializar a mesma… Por isso é que eles entram no desfile: para que as pessoas os vejam e conheçam. Há uma angariação de fundos, mas esse não é o principal objetivo da atividade.” A APP tem uma página de Facebook, onde a informação sobre os “patudos” é frequentemente atualizada.

Para terminar, Nuno Sérgio fez um balanço do evento Au-lloween. “Podia ter sido mais positivo se não tivéssemos tido de alterar o local por causa do tempo… Mas sim, foi positivo, conseguimos cumprir o nosso objetivo, que era mostrar os nossos animais e promover a adoção.”

O evento acabou com a entrega de prémios aos três “patudos” com as melhores máscaras de Halloween.

 

Editado por: Daniel Dias.