XI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda: 3 notas a reter

Realizou-se este fim de semana, no Pavilhão Municipal do Casal Vistoso em Lisboa, a XI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. No encontro bloquista foram a votos 3 moções de orientação política e contou com discursos das principais figuras do partido, do presente e do passado, onde ficou evidenciada a visão para o futuro: a de um Governo com o Bloco de Esquerda (BE).

Precedida por uma sessão internacional que ocorreu na sexta-feira e que viu a deputada Marisa Matias alertar para o crescimento do fascismo na Europa, a sessão de abertura ocorreu no final da manhã de sábado e o discurso esteve a cargo da coordenadora do partido, Catarina Martins. Entre os muitos discursos efetuados nestes dois dias, destaque para os de Mariana Mortágua, Francisco Louçã e o de Luís Fazenda, que visaram o Governo Socialista de António Costa e as políticas europeias, onde também houve direito a uma citação do filme “Toy Story”. Reforçada desta Convenção sai a principal figura do Bloco, Catarina Martins, que viu o seu poder ser fortalecido de forma esmagadora, com a sua Moção a ser a mais votada com uma larga maioria. A sensivelmente um ano das próximas eleições legislativas, os deputados do Bloco de Esquerda têm o seu discurso político definido, e se nos últimos 3 anos o país foi liderado por uma “Gerigonça”, para a Esquerda o futuro não passa nem por um PS de maioria absoluta nem por PS/CDS mas sim por um Governo com o Bloco.

 

O #infomedia destaca 3 notas a reter da XI Convenção Nacional do BE:

 

  1. Marisa Matias como cabeça de lista para as Europeias

Sem surpresas, Catarina Martins anunciou Marisa Matias como a candidata do partido para as próximas eleições europeias, que se realizam em Maio de 2019. A eurodeputada é novamente a candidata proposta pelo BE, e o seu trabalho em Bruxelas foi reforçado e elogiado, com a coordenadora do partido a referir que Matias não era só a melhor candidata que o Bloco poderia ter, mas também: “a melhor candidata que o país pode ter”.

Marisa Matias esteve presente na sessão internacional que antecedeu a Convenção, “Bella Ciao: por uma Europa de solidariedade e liberdade” que contou com a presença de dois políticos italianos, Erasmo Palazzotto e Eleonora Forenza. Na hora de falar, a eurodeputada centrou o seu discurso no combate ao neofascismo e o seu crescimento na Europa. “Só podemos combater os neofascismos se não recursarmos nenhum combate”, salientou Matias, estabelecendo como prioritário o combate a estes movimentos, utilizando como exemplo Donald Trump, Jair Bolsonaro e Viktor Órban. A reentrada dos movimentos de extrema-direita no cenário político têm uma consequência que vai para além da política: “perdeu-se a vergonha de não se ser humanista ou simplesmente decente”, considerou a eurodeputada do Bloco.

Marisa Matias foi reeleita em 2014 para o representar o BE no parlamento europeu, repetindo o resultado obtido em 2009. Em 2016, foi a candidata apoiada pelo partido para concorrer às eleições presidenciais, tendo obtido o 3º lugar, conquistando 10,12% dos votos. Para as eleições europeias do próximo ano, Matias vai ser cabeça de lista do Bloco, candidatura que deverá ser assumida de forma oficial após a próxima reunião da Mesa Nacional do BE.

 

  1. As críticas ao Governo

Nestes dois dias de encontro bloquista, foram várias as vozes críticas ao trabalho desempenhado pelo Governo Socialista de António Costa. A mais crítica foi a da deputada Mariana Mortágua, que atacou veemente o Partido Socialista. “O que aconteceu foi que o Governo desprotegeu o país porque não teve determinação de fazer aquilo que tinha de ser feito. E a isto, camaradas, chama-se irresponsabilidade. Meço bem as palavras”, afirmou Mortágua, apontando ainda o dedo à gestão das contas públicas por parte do Governo. A deputada bloquista prosseguiu: “O PS, que hoje propagandeia o défice zero, amanhã será incapaz de explicar por que é que os instrumentos públicos de combate à pobreza são mais importantes do que as metas do défice. E sabem que mais camaradas? São mesmo mais importantes. Porque não há pior défice que a pobreza. Não há pior dívida para os nossos filhos do que uma escola fraca e um Serviço Nacional de Saúde esburacado.” As críticas continuaram e chegaram até António Mexia, Presidente executivo da EDP, referindo que Mexia “ganha num mês aquilo que um trabalhador no seu call center precisará de mais de 200 anos para ganhar”.

Outra voz muito crítica foi a do fundador Luís Fazenda. O histórico bloquista apontou o dedo às políticas europeias e afirmou que os bloquistas estão “insatisfeitos” com o Tratado Orçamental, frisando que o Eurogrupo e a Comissão Europeia têm “um programa político”. Fazenda relembrou o Primeiro-Ministro António Costa e disse que para o BE “não faz sentido casar com o Eurogrupo”, fazendo alusão à frase do Socialista de que com o Bloco só dá para serem amigos.

 

  1. O triunfo categórico de Catarina Martins

Com o fim desta Convenção Nacional, surge uma certeza: Catarina Martins sai com o seu poder reforçado e com uma vitória expressiva sobre a oposição interna. Das três moções de orientação política que foram a votos, a Moção A, encabeçada pela coordenadora do partido obteve 78% dos votos, o que em contexto de lugares na Mesa Nacional do BE, corresponde a 87% dos lugares.

No discurso de encerramento, otimista e centrado para o futuro, Catarina Martins reiterou que o Bloco fará parte do Governo “quando o povo quiser” e deixou críticas à gerigonça, salientado “uma convergência que nunca tinha existido antes”, relembrando que António Costa omitiu a dependência do Governo em relação aos acordos à esquerda no Congresso Socialista que aconteceu em Maio. No discurso final, a bloquista assinalou quais as áreas que o partido lutará por mais direitos: Ambiente; transparência pública; proteção da parentalidade; investimento no serviços para os cidadãos; Serviço Nacional de Saúde.

Para o BE, o “próximo ano é de escolhas” e foi definida a importância de o Partido Socialista não obter a maioria absoluta, deixando em aberto, indiretamente, um eventual Governo com participação do BE, começando assim a corrida para as próximas eleições legislativas.

 

 

 

Editado por Raquel Batista.

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