O nacionalismo está a redescobrir-se

A ideia de nacionalismo, defendida primeiramente pelo filósofo alemão e um dos principais representantes do seu idealismo, Friedrich Von Schelling (1775-1854) compunha o nacionalismo como: “uma entidade metafísica que decidia o destino dos povos, e o que os leva a agir de determinada maneira”. Esta recorrente tem-se propagandeado pelo velho continente, pelos seguintes exemplos: 

O nacionalismo tradicional, apoiado por ideais anti-imigração e o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê que qualquer Estado-membro da UE tem a liberdade para sair do bloco económico de modo voluntário e unilateral, ajudarão à retirada do Reino Unido da União Europeia – Brexit.

Na Suécia um sentimento de insegurança, alimentado por relatos de violações, carros incendiados e violência de gangues em bairros têm vindo a reforçar o crescimento da extrema-direita e levando à perda de influência dos partidos com mais preponderância no país – social-democratas e conservadores – que têm assumido o governo desde da crise de 2008.

Os simpatizantes da “saudação nazi” tornam-se cada vez mais reivindicativos na Alemanha, apesar dos enormes traumas que o mundo testemunhou ao longo do último século. Os apoiantes do partido de extrema-direita – Alternativa para a Alemanha (AFD), perseguem estrangeiros no país, seguindo os ideais da candidata Sabine Gollombeck que garante a obrigação de expulsão aos migrantes na Alemanha.

Nacionalismo europeu/ Montagem feita por Raquel Batista com imagens extraídas dos sites: Pinterest/Shuter Stock

Na Hungria a perseguição a etnias não-magiares do país também continua a acontecer, para além disso, a coligação Fidesz MDF colocou como uma das suas maiores bandeiras, a defesa das minorias magiares, planeiam modificar a Constituição para impedir que a EU imponha números obrigatórios de aceitação de imigrantes e que os outros países possam enviar requerentes de asilo para a Hungria, apesar do muro de arame farpado que os divide da Sérvia  e dificulta a entrada no país. É importante relembrar as declarações prestadas pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, na Roménia em 2017: “Se queremos uma Hungria húngara e uma Europa europeia (…) então temos de querer uma Hungria cristã e uma Europa cristã, em vez do que nos ameaça agora com uma população mista e sem sentido de identidade”.

Em Itália os gritos contra a imigração já começam a ecoar, vindos principalmente do líder do partido da coligação “centro“- direita – Matteo Salvini. Itália é um dos países com o PIB mais alto do mundo, segundo a Tranding Economics, e com uma das melhores localizações geográficas, o que facilita economicamente nos apoios aos imigrantes e a entrada por via marítima. Porém, as afirmações do dirigente Salvini como: “A festa acabou”, anunciada em contexto da recusa de desembarque do primeiro navio lotado de refugiados resgatados no mar Mediterrâneo, modelam ideais nacionalistas.

 Estes países europeus têm-se assimilado à teoria do diplomata francês Gobineau, de que a decadência das nações se devia aos cruzamentos das etnias, em simultâneo com o liberalismo democrático. Arthur de Gobineau foi um importante teórico do racialismo do século XIX.

 

Raquel Batista

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