Entrevista a Tarantini, o Mestre do futebol Português.

Como Ricardo Monteiro dificilmente seria reconhecido, mas Tarantini é um nome bem conhecido do futebol português. O jogador do Rio Ave Futebol Clube desenvolveu, em 2016, uma plataforma digital – tarantini.pt – para ajudar os jogadores de futebol a realizarem uma melhor gestão da carreira, sobretudo o seu final, e como planear o futuro depois de pendurarem as chuteiras.

 

Licenciado em Ciências do Desporto e em Educação Física e Desporto Escolar, concluiu em 2014 o Mestrado em Futebol na Universidade da Beira Interior. Atualmente está a estudar para tirar o Doutoramento focado nas transições de carreiras. O percurso académico de Tarantini torna-o uma exceção no Futebol Português, onde apenas 4% dos futebolistas têm um nível de formação académica superior.

 

Há dois anos, decidiu lançar o seu projeto digital que intitulou de “A minha causa”. É através dessa plataforma que Tarantini sensibiliza para a importância de salvaguardar o futuro após o final da carreira como futebolista. Alerta principalmente para o investimento na formação académica e na criação de projetos paralelos à carreira futebolística. Em 2017 lançou um livro que conta a sua história na 1ª pessoa e espelha o percurso pessoal e profissional de Tarantini, com o objetivo de consciencializar os atletas.

 

Dentro das quatro linhas, Tarantini é uma referência de longevidade e de liderança. Com 35 anos, o médio natural de Baião continua a ser uma das referências do Rio Ave, clube que representa pela 11ª época seguida. O jogador conta com mais de 270 jogos na Liga Portuguesa, apontando mais de 20 golos ao serviço dos Vilacondenses. A alcunha surgiu pela mão do treinador do Sporting da Covilhã na altura em que Tarantini jogava na formação da Beira Interior, que considerava o médio português parecido com o centrocampista argentino Alberto Tarantini.

 

O capitão do Rio Ave marcou presença na Universidade Lusófona do Porto e o #infomedia conversou com o atleta sobre o seu projeto pessoal e o que reserva o futuro depois de pendurar as botas.

 

#infomedia: Lançou o “tarantini.pt” há cerca de dois anos. Fale-nos um pouco deste seu projeto.

 

Tarantini: É um projeto que tem como objetivo despertar uma geração de pessoas. Inicialmente com o objetivo de despertar para a transição para o final de carreira, mas hoje em dia já vai mais além e tem também como objetivo alertar as pessoas para alcançarem o que quiserem, o sonho e os seus objetivos. Portanto é um aproveitamento também do facto deste despertar para este problema. Nós temos que ambicionar ainda mais e despertar-nos para algo maior, que leva a que eu consiga através das palestras, através da investigação, mostrar às pessoas que é possível nós conseguirmos concretizar aquilo que queremos independentemente das situações em que estejamos. Portanto nós criamos a nossa situação, nós somos o potenciador da situação, não vamos estar à espera de ninguém nem de nada que nos venha a aparecer para depois concretizar. Têm a ver muito mais com um projeto de desenvolvimento pessoal, de mostrar às pessoas que através do meu percurso de vida, que é possível alcançar, seja em que área for, os seus objetivos.

 

#infomedia: Pegando um pouco nesse seu percurso de vida e no percurso académico, como é que se explica a disparidade no nível de ensino que existe entre os jogadores de futebol e os atletas das modalidades?

Tarantini: Os dados dizem isso mesmo. Os desportistas que foram ao Rio de Janeiro, 65% deles têm ou estão a concluir o Ensino Superior. No futebol, dados recentes do Sindicato de Jogadores de Futebol Profissional do ano passado, apenas 4% tem uma Licenciatura. Esses dados são bastante impactantes porque de facto têm a ver com outra forma de dar a volta à questão: tem a ver com o dinheiro e com a ilusão que vai ser possível ganhar muito dinheiro nesta profissão.

 

#infomedia: O final de carreira está para um futuro próximo ou ainda vamos contar com o Tarantini para mais algumas temporadas?

Tarantini: Atualmente tenho mais um ano e meio de contrato, portanto talvez vá cumpri-lo e provavelmente seja aí o limite, mas nunca sabemos. É difícil nós acabarmos uma época com trinta e tal jogos e chegar ao final e dizer “vou acabar a carreira”, mas também não queria que chegasse ao final da carreira e fizesse cinco jogos e dissesse “já devia ter acabado o ano passado”. Vai ser uma decisão que vai ser difícil de tomar, mas quero ser eu a tomá-la.

 

#infomedia: No futuro, vamos contar com o Tarantini como Treinador de Futebol ou vai dar seguimento ao seu projeto digital?

Tarantini: Já o disse que ser treinador é um objetivo meu, não sei como vai acontecer. Sei que atualmente não estou preparado para o fazer porque não me deixam concluir os níveis que são necessários [para ser treinador] mas também têm muito a ver com as políticas que nós temos por cá. É sem dúvida o passo a seguir. A parte do projeto em si, é para dar continuidade, crescer nas áreas dos documentários, conseguir criar uma série de documentários com casos positivos e casos negativos dentro do que é a minha causa, portanto ainda há muito a crescer, vamos ver para onde isto nos vai levar.

 

#infomedia: Para terminar, Ricardo Monteiro ou Tarantini?

Tarantini: Hoje em dia, Ricardo só os meus pais, portanto Tarantini vai perdurar, já a minha esposa trata portanto, vai ser Tarantini.

 

 

Editado por: Eduardo Costa

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