A polémica exposição de Mapplethorpe: Sexualidade ou natureza?

As fotografias de Robert Mapplethorpe estão disponíveis em Serralves desde 20 de setembro e perduram até 6 de janeiro do próximo ano. Vista como o motivo da crise da direção do museu, e consequente demissão de João Ribas, alcançou uma mediatização imediata logo na sua estreia. A exposição é composta por 179 obras que fizeram parte da carreira do autor e são apresentadas em diferentes formatos: colagens, polaróides e fotografia.

As fotografias do autor norte-americano foram alvo de polémica e discussão devido à restrição de entrada a menores de 18 anos numa das salas, por conter caráter sexualmente explícito. Quando se nomeia Mapplethorpe, a imagem mental criada converge diretamente com o choque das fotografias reais que expõem corpos nus, órgãos e atos sexuais. Contudo, a exposição incorpora ainda retratos, esquemas e elementos naturais. O visitante dispõe de uma vasta diversidade que percorre os 20 anos de trabalho do autor.

A entrada na primeira sala denuncia de imediato a abordagem da sexualidade. O público é antecipado com o aviso projetado na parede: “Esta exposição tem imagens que podem ferir algumas pessoas”. As fotografias conversam subtilmente com aquilo que Mapplethorpe quer transmitir. É possível encontrar uma sequência de uma chávena de café, a fotografia de um pénis ao lado, e duas múmias abraçadas, num ato ternurento. A variedade está presente e faz-nos refletir. O objetivo do autor com a exposição é deixado em aberto, mas uma coisa é certa: cria um fórum de debate.

Em vida, Robert Mapplethorpe, ao perceber as reações à sua obra, clarificou os seus métodos artísticos para que o público melhor entendesse a sua mensagem. “A minha abordagem ao fotografar uma flor não é muito diferente da que tenho ao fotografar uma pila. Basicamente é a mesma coisa. É uma questão de iluminação e composição. Não há grande diferença. É a mesma visão”. Este ainda se mostrou incompreendido noutras declarações: “É extraordinário como, quando apresentas uma exposição em que apenas um terço das obras tem a ver com a sexualidade, as pessoas ignoram tudo o resto e apenas falam dessas.” O autor instiga à banalização do corpo nu, das relações sexuais, da sexualidade. Mapplethorpe pretende equiparar estas convenções à forma mais básica de natureza, como as flores.

É censurável julgar um tipo de natureza por ser de cariz sexual? A resposta fica ao critério do visitante. Dirija-se ao museu de arte contemporânea de Serralves e forme a sua opinião.

 

Editado por Daniel Dias.

Deixa um comentário