A filosofia de posse de Marcel Keizer

 

Marcel Keizer, treinador holandês de 49 anos, chegou a Portugal há sensivelmente um mês, praticamente como um desconhecido para todos aqueles que não acompanham o futebol internacional, nomeadamente o futebol holandês. Este foi apresentado como uma forte aposta do então presidente do Sporting Clube de Portugal, Dr. Frederico Varandas, de tal forma que acionou a cláusula de desvinculação contratual que prendia Keizer ao seu anterior clube, Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos.

Frederico Varandas queria assim um Sporting com um estilo de jogo diferente daquele que vinha sendo praticado pelo antigo treinador, José Peseiro. Pretendia um Sporting mais dominador e protagonista, que assumisse as despesas do jogo e jogasse um futebol apoiado e atrativo.

Foi neste contexto que surgiu a hipótese Marcel Keizer, que conta com passagens pelo Cambuur, Emmen, equipas modestas holandesas, onde fez grandes trabalhos nunca abdicando da sua ideia de jogo, o que de resto o levou a assinar pelo todo poderoso Ajax de Amsterdão. Primeiramente para orientar a equipa B e só depois a formação principal.

A experiência no Ajax, não foi assim tão bem sucedida, tendo prevalecido no cargo apenas 5 meses. O que não deixa de ser surpreendente, já que a filosofia de jogo do Ajax, eternamente associada à implementada por Johan Cruyff, um dos maiores jogadores e pensadores de futebol de sempre, era muito idêntica à que Keizer queria e chegou a implementar no Ajax, mas não com a consistência necessária.

O seu começo na turma de Alvalade, não podia estar a correr melhor. Três vitórias expressivas nos três primeiros jogos realizados e mais importante do que isso, do ponto de vista do treinador, com a equipa a assimilar perfeitamente a mudança de paradigma no seu futebol.

Assim sendo já é possível denotar algumas características no jogo da formação leonina dentro do 4-3-3 delineado por Marcel Keizer. Primeiramente, a pressão que é exercida à equipa adversária quando a equipa leonina não tem bola ou quando a perde: o Sporting sobe o bloco e tenta condicionar o mais possível a primeira fase de construção da equipa opositora.

Outro pormenor é que o processo de construção e elaboração de jogo do Sporting é feito a partir de trás. O guarda-redes Renan Ribeiro sai a jogar no central ou no médio defensivo seguindo-se um futebol combinativo, apoiado a um ou dois toques. O chamado tiki-taka muito associado a Johan Cruyff e Pep Guardiola, com rápidas variações do centro de jogo e com os médios ala a procurarem o jogo interior e os laterais, por conseguinte, a ficarem com o corredor livre para fazerem as suas investidas.

Do ponto de vista individual, o destaque vai para o médio brasileiro Wendel, que não tinha sido opção para nenhum dos ex-treinadores do Sporting e que agora ganha grande relevância no miolo.

Este é peça crucial precisamente pela sua capacidade de progressão com bola e pela disponibilidade física que possui, que lhe permite fazer uma pressão alta à equipa adversária que como já foi visto, é uma das matrizes do jogo de Marcel Keizer.

Um aspecto que ainda precisa de ser melhorado, de resto como o próprio Keizer já admitiu, passa pela coesão defensiva quando equipa adversária consegue sair com a bola controlada da primeira fase de pressão da equipa leonina.

Posto isto, percebe-se o entusiasmo que reina em Alvalade. As boas exibições, aliadas a um estilo de jogo atrativo e fluente, permitem aos adeptos do Sporting Clube de Portugal sonhar com conquistas que podem efetivamente ser concretizadas.

Revisto por : Eduardo Costa

Marcel Keizer é grande adepto do futebol de posse.

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