Sobre Tudo Sobre Nada.

Sobre Tudo Sobre Nada: a vida partilhada e o peso da memória

Dídio Pestana quis fazer “um filme pessoal” e a partir daí nasceu a inspiração para criar Sobre Tudo Sobre Nada. O quase-documentário foi exibido na quinta edição do festival de cinema Porto/Post/Doc e compila filmagens pessoais que o realizador acumulou no seu arquivo durante oito anos. O artista viajou sempre com a fiel Super 8 na mochila e um leque variado de diferentes personagens ao seu lado. Namoradas, familiares, amigos e amigas ajudaram a dar forma ao que viu e sentiu, e surgem com ele nas gravações.

“Eu quis falar das relações de amor entre as pessoas”, contou o realizador ao #infomedia. “A ideia inicial era a de me focar em relações amorosas entre casais, mas depois acabei por incluir tudo o resto. As amizades, o trabalho, todos os afectos. O filme passou a ser sobre isso, e sobre a forma como a distância física ou temporal te faz ver as coisas de maneira diferente e pensar as coisas de outra forma”, esclareceu.

A narração de Dídio Pestana confere uma melancolia às imagens íntimas e doces que mostra. O peso da memória – e a forma como pode reconfigurar narrativas – está muito presente em Sobre Tudo Sobre Nada. Mas ainda é cedo para olhar com distanciamento. E o realizador certamente não tentou fazer do seu projecto um objecto de estudo. “Acho que não aprendi mais sobre mim do que teria aprendido sem fazer o filme. O filme não é uma terapia. Mas quando, em algum momento da tua vida, reflectes sobre momentos passados, ou sobre o que aconteceu com esta pessoa, ou sobre o que aconteceu nesta relação familiar, vais sempre descobrir coisas sobre ti.”

Embora o projecto seja muito pessoal, o artista não se sente vulnerável. “Partilhar isto foi uma escolha. Claro que há fragilidades, mas no filme aparecem as fragilidades que eu queria mostrar. Não é muito diferente daquilo que fazemos nas redes sociais. Quando publicamos uma fotografia ou partilhamos um momento entre amigos, há uma escolha. Se calhar escolhes fotografias onde estás melhor, ou onde o que queres comunicar se encontra mais claro. Eu comecei a olhar para mim mesmo como uma personagem dentro do meu filme e por isso nunca me senti demasiado exposto”, frisou.

O #infomedia no Porto/Post/Doc:

01. Carlos Kaiser, o 171 profissional.
02. Ernesto Bacalhau foi com os PAUS à Madeira e gravou um documentário regado a poncha.
03. Trojan Records: da Jamaica para o mundo.
04. O hálito azul de uma Ribeira Quente que nunca mais vai ser a mesma.
05. Sobre Tudo Sobre Nada: a vida partilhada e o peso da memória.

Deixa um comentário