Slow J e Papillon na frente do novo hip hop nacional

Slow J e Papillon são dois jovens que lançaram álbuns que têm dado que falar no mundo da música urbana. Os dois rappers inspiram-se no hip-hop nacional e dão a conhecer uma nova vertente deste género musical.

João Batista Coelho, mais conhecido como Slow J, lança em abril de 2015 aquele que constitui o primeiro trabalho do artista: The Free Food Tape. Assim que o EP é divulgado, recebe diversas críticas nas plataformas digitais que o elogiam pela sua visão tão própria. The Art Of Slowing Down, este que é um álbum que retrata com um cariz marcadamente pessoal a vida do jovem, surge a 17 de março de 2017, e proporciona ao rapper o seu sucesso.

Rui Pereira, também conhecido como Papillon, faz parte do coletivo de hip-hop GROGNation, mas também já colaborou com outros artistas tais como ProfJam, Slow J e Charlie Beats. Deepak Looper surge a 21 de março deste ano. Este é o primeiro – e até agora único – disco do artista.

Embora sejam dois artistas ligados ao mundo do rap, o género de música que produzem não é específico. Este é o objetivo do conteúdo que têm vindo a desenvolver e que, de certa forma, tem “revolucionado” o hip-hop nacional. Numa fase inicial, a comunidade estranhou esta coletividade no mundo do rap em Portugal, mas, posteriormente, a música destes artistas alastrou-se e conquistou os mais diversos ouvintes e públicos.

Rui, Mariana e João são três jovens dados à música que se assumem como fãs de vários estilos musicais e curiosos pelo que se produz em Portugal. Questionados sobre o #infomedia relativamente às diferenças entre o trabalho que Slow J e Papillon têm vindo a desenvolver e o restante conteúdo já reconhecido, as respostas foram interessantes: “o que os diferencia de todos os outros é o verdadeiro amor e gosto por aquilo que fazem.” Rui, um fã assumido de hip-hop, acredita que o facto de estes artistas tentarem transmitir vivências e sentimentos deles próprios faz com que as letras das músicas sejam autênticos poemas.

João, ouvinte de hip-hop nacional, de preferência o da “velha guarda”, assume que, tanto a nível nacional como internacional, as palavras de ordem são, atualmente, dinheiro, mulheres, grandes carros, jóias e armas. Na perspetiva deste jovem, o rap que se tem vindo a produzir remete para algo que nos conduz para o mundo da ostentação, da ganância e da violência, “e estes dois rappers vieram acentuar o conceito de autenticidade, arte pura e transmissão de realidades de vida diferenciadas.” Isto é, afinal, o que o hip-hop pretende transmitir desde o seu nascimento.

Mariana prefere o rap americano, mas apoia a ideia de que a diferença entre estes dois artistas face aos restantes compreende precisamente esta faceta de que possuem uma identidade muito própria – que é essencial no hip-hop e que a maioria dos rappers não possui. “A sonoridade é tão diferente e o modo como pretendem transmitir a música que fazem é tão distinta que ambos têm uma margem de progressão e de crescimento muito grande.”

João mencionou alguns artistas deste “mundo” que, de alguma forma, se mantêm fiéis ao propósito do hip-hop e atingem o objetivo pretendido com o conteúdo que transmitem. “Nomes como Sam The Kid e Allen Halloween são, na minha opinião, os verdadeiros pais da cultura, os inspiradores de todos os que vieram a seguir. Nunca se deixaram corromper pela ganância e pela falta de humildade.” Estes rappers abordam a realidade e falam do que vivem, levantam questões de um modo que os órgãos de comunicação preferem não fazer. João acredita que estes são exemplos de músicos que honram o hip-hop em Portugal.

Pela questão da identidade tão própria e diferente, Rui distinguiu Valas como um artista que se poderá assemelhar a este género musical independente. Ao contrário de Mariana que, de uma forma geral, não consegue identificar um artista atual que cumpra esta cultura de uma forma tão singular como estes dois rappers.

Do ponto de vista destes jovens, e como resposta à pergunta do #infomedia relativamente ao sucesso destes artistas, os três salientam que o progresso de Slow J e Papillon se deve ao facto de se expressarem de um modo livre e genuíno. Direcionam a música que fazem ao público certo, aos ouvintes que apreciam o Hip Hop inteligente e com valor – funcionando como duas provas perfeitas de que o Hip Hop nacional está vivo e bem entregue.

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