Surma + Quain.

Os melhores discos de 2018? Surma e Mr. Herbert Quain escolhem

Os últimos dias do ano são sempre dias de grande festa para a maioria das pessoas, mas são também alturas de reflexão. Nesses dias, podemos – com a calma que, perante a turbulência do quotidiano, muitas vezes nos escapa – olhar para trás e pensar sobre o que correu bem, o que não correu assim tão bem, e o que pode ser melhorado no ano que recebemos de braços abertos com fogo-de-artifício e champanhe.

Os melómanos gostam de aproveitar os últimos dias de dezembro para fazer as suas listas pessoais dos discos que mais gostaram de descobrir e ouvir durante o ano. Essas listas são interessantes por causa da expansão de horizontes que conseguem proporcionar: nelas, podemos sempre encontrar aquela artista de que andamos a ouvir falar há algum tempo, mas que ainda nunca tínhamos tido o tempo ou a motivação para ouvir, ou aquele projeto que desconhecíamos por completo, mas que renova completamente os nossos olhares sobre a música quando o exploramos.

Surma e Mr. Herbert Quain aceitaram o desafio do #infomedia e fizeram uma breve seleção dos três álbuns que mais gostaram de ouvir neste ano, que se aproxima a passos largos da sua reta final. Em cinco frases ou menos, explicam a relação que têm com esses álbuns, e por que motivos os fascinam. Os resultados podem ser descobertos abaixo.

Surma

Surma.

Fotografia: Creeping Mac Kroki (Musiczine).

Débora Umbelino junta, ao pop delicado que cria, texturas eletrónicas e experimentais com uma musicalidade impressionante. A artista, associada ao coletivo Omnichord Records, lançou o seu disco de estreia em 2017, e Antwerpen foi, de muitas maneiras, a rampa de lançamento para o ano de sucessos e crescimento que a leiriense acaba de ter. Estas são as suas escolhas de 2018.

Fugly – Millennial Shit

Sonoridade de outro mundo – e então ao vivo aquilo é qualquer coisa de genial. Estes rapazes têm uma energia que só quem os vê em palco consegue absorver por completo. Para mim este é um dos melhores álbuns de todo o sempre. Incrível mesmo!

Minus & MrDolly – Man with a Plan

Álbum com uma produção exímia! Está tudo lá, não falha nada! Toda a escolha de sons e texturas é de um gosto excepcional.

Conan Osiris – Adoro Bolos


Génio português! Já conhecia o trabalho do Conan muito antes deste disco e sempre foi um produtor inigualável. O Adoro Bolos só veio comprovar isso mesmo! O futuro é Conan! Não há nada igual a ele: uma personagem e uma sonoridade únicas!

Mr. Herbert Quain

Herbert Quain.

Fotografia: Nash Does Work.

Manuel Bogalheiro é um consumidor ávido de música eletrónica e de todos os seus subgéneros. Escolheu o nome Mr. Herbert Quain – uma personagem literária inventada pelo escritor argentino Jorge Luis Borges, e sobre a qual este escreve um obituário – porque, conforme explica em conversa com o site BranMorrighan, “fazendo eu música muito a partir de samples e de excertos do passado, acaba por resultar numa manta de retalhos ou num puzzle que podia ser de qualquer um. E aí, enquanto autor, sinto que poderia desaparecer e aquilo ficar como uma espécie de património de acasos do tempo, das combinações do antigo e o novo.” Estas são as suas escolhas de 2018.

Dj Healer – Nothing 2 Loose

Dj Healer é um dos alter-egos de um produtor alemão de música eletrónica que, através de várias personagens (Traumprinz, Dj Metatron, Prince of Denmark ou Prime Minister of Doom), nos oferece vários possíveis acessos aos seus universos. O imaginário deste Nothing 2 Loose é marcado pela ideia de espiritualidade, em torno da qual gravitam os temas do medo, do arrependimento ou da redenção. A música dá corpo a estas coordenadas, tanto em temas mais direcionados para a pista de dança, como em outros contemplativos e ambientais.

Tirzah – Devotion

É daqueles discos onde somos convidados a entrar, sem filtros ou artificialidades, na esfera íntima de quem o criou. A voz exposta e imperfeita de Tirzah, dos sussurros às ligeiras desafinações, e a produção depurada e minimalista de Mica Levi resultam numa experiência em que se refazem os cânones do R&B, e que reflete um dos testemunhos musicais mais pessoais que ouvi nos últimos tempos.

Leon Vynehall – Nothing is Still

Nothing is Steel foi produzido a partir da história dos avós de Leon Vynehall, ingleses que emigraram para os Estados Unidos à procura de uma vida melhor. O álbum traduz vários momentos marcantes dessa narrativa, desde a partida até à adaptação a um mundo novo. As imagens sonoras desta pequena epopeia fazem-se de apontamentos de downtempo, jazz, ambient e também house. Não é apenas a música que encanta neste disco, é também a forma como ela foi posta ao serviço da memória e de uma homenagem tão única.

Fotografias de capa: páginas de Facebook de Surma e Mr. Herbert Quain.

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