Como se diz a um filho “tenho cancro”?

É a doença mais frequente entre as mulheres, segundo o Diário de Notícias. Tem sido a principal causa de morte, entre os 35 e os 55 anos, no sexo feminino. Com seis letras e um diagnóstico assustador. Todos os anos se registam entre cinco e seis mil novos casos de cancro da mama, em Portugal. Gracinda Nogueira, 45 anos, é uma das mulheres que ganhou a luta contra o cancro.

O grande desafio para quem procura vencer a doença é assumir “tenho cancro”. É um desabar de tudo o que envolve a vida do doente. Atualmente, as vitórias do cancro são cada vez mais comuns, mas quem vence, torna-se uma pessoa diferente com marcas de uma guerra, difícil de ganhar. Mãe de dois filhos, mulher e uma lutadora há sete anos.

Gracinda Nogueira, 45 anos. Fotografia: Rosária Gonçalves

Partilhar com a família é uma das maiores dificuldades de quem passa pelo cancro, mas descobrir que o próprio corpo mudou é “ficar sem chão” para quem vive a doença, conta. Gracinda Nogueira que aos 37 anos, durante o banho, fez a apalpação ao peito e notou as diferenças.

Rapidamente fez todos os exames e ecografias pedidas pelo médico de família e o diagnóstico foi o que estava à espera: uma má notícia. Foi encaminhada para o Centro Hospitalar de São João, no Porto, tendo feito a cirurgia ao gânglio passados 15 dias e ao peito, um mês depois.

“Um gânglio é um órgão de defesa do nosso corpo. Todos os seres humanos nascem com gânglios. Vulgarmente, são conhecidos por ÍNGUAS. Existem em vários locais do nosso corpo, nomeadamente no pescoço, nas axilas (debaixo dos braços), nas virilhas e por trás do esterno (osso do peito). Por vezes, também aparecem dentro da mama. Os gânglios defendem-nos contra infeções e contra células malignas.” (Centro Hospitalar de São João).

Procedimentos médicos a realizar para a cura do cancro. Fotografia: Rosária Gonçalves

“A minha família reparou logo em mim que eu não estava bem”, desabafa Gracinda, que nunca conseguiu proferir a palavra cancro: “eu só disse que tinha uma doença e que tínhamos todos que ajudar”. A dor da doença era pesada e, por isso, a palavra “cancro” estava “proibida”. Os filhos, Joana e Pedro Neto, na altura com 13 e 18 anos, respetivamente, nunca precisaram de ajuda psicológica para superar o problema da mãe: “em casa fizemos as coisas da melhor maneira e nunca precisaram”, declara Gracinda.

 “Eu só disse que tinha uma doença e que tínhamos todos que ajudar”, explica Gracinda.

De acordo com o jornal Expresso, Portugal tem uma taxa de 70% de divórcios após diagnosticado o cancro num dos membros do casal, sendo que a maioria dos casos acontece quando é a mulher a ter a doença. No entanto, no casamento de Gracinda nunca foi um problema. “O meu marido foi exemplar e apoiou-me em tudo, até demais”, afirma, orgulhosa.

Um estudo publicado na revista “New England Journal of Medicine” concluiu que a maioria das mulheres no estado mais comum da doença podiam avançar a quimioterapia sem afetar a possibilidade de vencer o cancro. Os testes genéticos mostraram que a maioria não necessita de tratamento, além da cirurgia e dos bloqueadores hormonais.

“Tinha mais a fazer (cirurgias), mas não faço mais” diz determinada.

Gracinda fez quimioterapia, sentiu o cabelo a cair, mais fraco, mais peladas, mas não sentiu a dor de ver o cabelo cair de vez. Tendo já parado com todos os tratamentos, o processo de reconstrução foi o mais doloroso. Fez muitas cirurgias, mas a primeira foi a mais dolorosa: esteve 12 horas no bloco de operações. “Tinha mais a fazer, mas não faço mais” diz determinada.

Relatório médico da alta de Gracinda. Fotografia: Rosária Gonçalves

Atualmente, com um sorriso tranquilo e bem-disposto, ganhou a luta contra o cancro, mas não deixa de ter medo, “um frio na barriga” explica Gracinda.

Sabe-se que 5% a 10% dos casos de cancro têm origem genética, mas desconhecem-se as causas exatas dos restantes 90%. Ao longo dos anos, elementos como as hormonas, a alimentação, o sedentarismo ou a obesidade têm vindo a ser associados ao cancro da mama, mas não é possível dizer que algum deles seja causa direta da doença. Além disso, nem todas as associações estão comprovadas pela ciência.

O cancro não é a história de vida de Gracinda. O cancro foi apenas um obstáculo pelo qual teve que passar. Renascida da doença, deixa a todas as mulheres a força de vontade de lutar e superar todas as dificuldades e dores do cancro.

 

Editado por Patrícia Sofia Pereira

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Tem sido a principal causa de morte, entre os 35 e os 55 anos, no sexo feminino. Com seis letras e um diagnóstico assustador. Todos os anos se registam entre cinco e seis mil novos casos de cancro da mama, em Portugal. Gracinda Nogueira, 45 anos, é uma das mulheres que ganhou a luta contra o cancro.

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