Despedimentos de Ano Novo

Esta época aconteceu algo de atípico no futebol português. Pela primeira vez em quase 20 anos, dois dos três grandes – Sporting e Benfica – mudaram de treinador a meio da época, embora em contextos diferentes e por diferentes motivos. Motivos estes que vou passar a explicar.

Para o Sporting o ano foi de mudança. Em setembro houve eleições em virtude do período negro (embora produtivo) que teve com Bruno de Carvalho. Só por aí já se previa um ano atribulado ao Sporting pois uma mudança na direção do clube é algo que tem sempre impacto, quer seja nos jogadores, na equipa técnica ou mesmo nos adeptos.

Para percebermos o impacto desta mudança temos de recuar a agosto. Na altura das campanhas eleitorais em que os 7 candidatos a presidente do Sporting apresentavam ideias e modelos de gestão muito diferentes, alguns concordavam com a gestão provisória que então estava a ser realizada por Sousa Cintra, outros nem tanto. Uma das promessas do candidato vencedor Frederico Varandas era que se fosse eleito traria para o Sporting um treinador da sua escolha com competências diferentes e crédito internacional. Aqui já era José Peseiro o treinador eleito e mesmo estando em 2º no campeonato na altura da eleição e com o consecutivo despedimento, o futebol praticado pela sua equipa não apresentava a tão famosa expressão de Jorge Jesus, a chamada “nota artística”.

Para os adeptos era importante pois já não viam o Sporting jogar assim tão bem há anos. E José Peseiro, apesar do bom trabalho realizado, já tinha traçado o seu destino e daí veio Marcel Keizer. O holandês que introduziu uma filosofia de posse de bola e verticalização do futebol encantou os adeptos do Sporting e começou a apresentar resultados logo no início da troca de treinador com uma mudança clara no estilo de jogo e no futebol praticado. Atualmente pode dizer-se que foi uma mais-valia para o Sporting.

Já o caso do Benfica é diferente. O treinador, Rui Vitória, já estava no clube há 3 anos e meio e já contava no seu currículo com dois títulos de campeão Nacional.

Contudo, Rui Vitória sempre foi mal-amado pelos adeptos pois embora as suas conquistas sejam inegáveis e tenha claro mérito, nos momentos que o Benfica vacilou, a culpa era quase sempre atribuída ao treinador. Ora porque não pôs no 11 os melhores disponíveis, ora porque não se soube mexer durante o jogo, e até porque as suas substituições se tornaram previsíveis. Vitória já tinha a sua sentença vaticinada há coisa de um mês quando Luís Filipe Vieira viu a famosa “luz” e decidiu dar-lhe mais uma oportunidade. Rui Vitória mantém-se então, mas sobre fino gelo. A gota de água foi a derrota em casa do Portimonense por 2-0 o que ditou a distância de 7 pontos para o 1º lugar, complicando assim a conquista do título.

Neste momento ainda não há treinador no Benfica, mas já se fala dos seus possíveis sucessores. Um dos nomes é José Mourinho, mas o Português tem currículo a mais para voltar a Portugal, para não falar do grande ordenado que aufere. Jorge Jesus também foi sondado, pois até em entrevistas já referiu o desejo de voltar a Portugal, mas mais uma vez o ordenado é um problema. O nome que mais força tem ganho é o de Luís Castro, treinador do Guimarães, que tem apresentado bons resultados.

Estas foram as mudanças mais significativas no panorama atual do futebol Português. Veremos o impacto que terão nas classificações no final da época!

 

Bernardo Monteiro

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