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BREU: o glamour do circo e o que se esconde nos bastidores

Joana Moraes, co-fundadora do coletivo Musgo e diretora artística de BREU, procurou captar “o lado humano” dos artistas de circo, “das pessoas que vivem no e do circo”. A peça, que estreia no Teatro Carlos Alberto a 14 de fevereiro, explora “a precariedade destes artistas” e “a estigmatização com que são vistos”, colocando o esplendor do palco em rota de colisão com as dificuldades que marcam e compõem um quotidiano profundamente delicado.

“Fizemos muita investigação”, conta o grupo, na pequena sala de ensaios onde troca ideias e prepara a sua apresentação. “Vimos muitos documentários e filmes sobre o circo. Temos ido a muitos circos para conversar com as pessoas.” Essas conversas serviram para que os próprios membros do coletivo eliminassem das suas mentes ideias preconcebidas que tinham sobre o circo e sobre aqueles que fazem deste o seu sustento e a sua vida.

Interagir com diversas companhias circenses “nos bastidores” permitiu ao Musgo entender de que formas a falta de ajuda financeira as afeta. “O circo tradicional não tem qualquer apoio. Nós somos precários, não temos tido grandes apoios. Mas podemos almejar um dia vir a ter apoio. Quem sabe? Eles não têm sequer essa possibilidade. Eles não podem almejar sequer isso. Não há subsídios, não há nada. Têm de viver pelo suor deles. Têm de construir tudo e têm que pagar tudo. Têm que fazer tudo por eles”, assinala Joana Moraes.

A própria equipa envolvida na criação de BREU não recebe desde maio de 2018. “Nós também sentimos a precariedade. O que nos move é a mesma coisa que move as pessoas do circo: o amor por criar e por fazer as coisas. Estamos em registos diferentes, mas há aqui uma coisa que nos une.” A peça é uma co-produção do Musgo com o Teatro Nacional São João, e o único apoio financeiro que o coletivo tem é aquele que foi concedido pelo Teatro.

crowdfunding que o Musgo criou surge, então, para “dignificar mais o trabalho”. É a melhor solução que o grupo consegue encontrar neste momento. A outra solução seria interromper a atividade e deixar o projeto de lado. E isso sempre esteve fora de questão.

Com o crowdfunding, o público interessado pode, de certa forma, ser parte ativa no processo de criação de BREU, e quem contribuir com 10 euros ou mais recebe em troca um saco de pano alusivo à peça.

BREU
Interpretação e co-criação

Ana Vargas
Gilberto Oliveira
Joana Moraes
João Pamplona
Pedro Roquette
Sara Costa

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