Homossexualidade: para sempre um tabu?

A homossexualidade é passível de pena de morte em alguns países e foi recentemente legalizada noutros. Não é um conceito recente e muito menos poderá dizer-se que pertence à Geração Z. Por que ainda é vista com preconceito?

É impossível ignorar o conflito interior vivido pela grande maioria de homossexuais quando descobrem que não correspondem ao que a sociedade heteronormativa dita como “natural”. O que se manifesta para quem se confronta com esta realidade é uma variedade de diferentes sentimentos, que podem variar entre culpa, confusão, alguma dúvida e, na maior parte das vezes, negação. Superar este conflito e estes sentimentos negativos depende muito da compreensão familiar, do apoio de amigos, ou do enquadramento social de cada indivíduo.

Mas algo urge quando se observa o preconceito com que a homossexualidade é vista. Porque é que nunca questionamos a heterossexualidade e fazemos perguntas como “ser heterossexual é uma escolha?” como parecemos fazer tão facilmente nos casos inversos? Sondagens publicadas recentemente confirmam que uma elevada percentagem responde de um modo afirmativo à questão “ser homossexual é uma opção?”. Muitos referem ainda que deve ser possível encontrar uma cura – seja através de terapias, da força de vontade ou, para aqueles que se revelam crentes, orações.

No início deste mês – e de vez em quando custa a crer que estamos em pleno século XXI – surge no Público uma notícia referente a declarações proferidas por Maria José Vilaça. A psicóloga afirmava que a homossexualidade consiste numa perturbação psicológica ou num “surto psicótico”. A Ordem dos Psicólogos Portugueses esclareceu prontamente – através de consenso entre investigadores e profissionais nas principais organizações de saúde e psicologia internacionais – que “a homossexualidade não é uma perturbação mental nem implica qualquer tipo de incapacidade”. É uma variante da sexualidade humana e não pode ser “associada a qualquer forma de psicopatologia”.

Quando temos psicólogas a praticar sessões de “orientação espiritual” para homossexuais em igrejas que se recusam a pronunciar, surge quase sistematicamente a pergunta: “Mas e então, por que é que há cada vez mais homossexuais?”. A resposta parece ser simples: sempre existiram homossexuais. Talvez, atualmente, seja mais fácil para eles lidarem com este fator.

Na obra Is It A Choice?, Eric Marcus responde ao que parece ser um argumento a favor dos que definem a homossexualidade como doença ou perturbação. “Os pais podem, sem querer, educar um filho para ser homossexual?”, pergunta. O autor esclarece que “ninguém tem essa capacidade”. Rejeita a ideia de que “um homossexual pode ser o resultado de uma mãe poderosa e um pai passivo ou ausente” e sublinha que “está provado que esses mesmos pais podem ter vários filhos e apenas um dele ser homossexual”.

Mais do que tentar responder a quaisquer perguntas, é importante começar a pensar no que ainda se vive em pleno século XXI, que, de alguma forma, coloca em risco e potencia o sofrimento dos homossexuais e da comunidade LGBTI.

 

Editado por Daniel Dias

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