“Só queremos desplastificar Portugal”

E se pudessem recolher todo o plástico que é utilizado? Na Escola Profissional Profitecla, no pólo do Porto, os alunos fizeram uma recolha de lixo e colocaram uma montra à entrada da escola com o mote – “Nós é que fizemos isto”. O objetivo é consciencializar toda a comunidade escolar para os atuais perigos da utilização de plástico que não é reciclado e, por isso, acaba no mar. No primeiro dia de março os alunos realizaram algumas atividades alusivas ao desenvolvimento sustentável e ambiental.

Marcavam as 10 horas da manhã do dia um de março, ao sabor do vento e do sol que demorava a abrir, os alunos da Escola Profissional Profitecla aguardavam ansiosos e com entusiasmo na Quinta do Covelo, no Porto, pela diferente manhã que se aproximava. O ponto de partida era um peddy paper que consistia em dividir os alunos por grupos entregando a cada um o mapa do parque com algumas questões. Cada ponto correspondia a um país e cada grupo necessitava de responder às questões e desafios propostos para prosseguir ao próximo país.

Para além disso realizaram atividades alusivas a uma das atuais preocupações mundiais – a utilização do plástico, como o “Diplomata dos oceanos” que consistia em responder a algumas perguntas sobre esta temática. Desfrutaram também da oportunidade de observar fibras microscópicas de microplásticos e participar em duas palestras onde se mostraram recetivos e conquistaram algum conhecimento sobre as preocupações atuais e o que está em causa para salvar o planeta.

A atividade foi organizada por todos os coordenadores abrangendo as 19 turmas da escola e as professoras de área de integração – Sofia Coelho, Sofia Silva, Laura Sarmento e Vera Sousa – que são transversais a todas as turmas em prol dos, sensivelmente, 500 alunos de forma a sensibiliza-los para “a necessidade urgente de começar a desplastificar, os perigos que estão associados e os cuidados que temos que ter futuramente se queremos um futuro melhor” desenvolve Cristina Moutinho, 43 anos, que pertence à Comissão Executiva do Pólo do Porto e é, ainda, professora de português.

Teve também a colaboração da psicóloga Daniela Costa e todos os coordenadores de curso representados por Hélder Couto, responsável pelo curso de gestão e ainda: Bruno Nogueira, coordenador do curso de Comunicação; Joel Gonçalves, coordenador do curso de Restauração; Susana Pereira, coordenadora do curso de Turismo; Carla Caria, coordenadora do curso de Secretariado; Luís Lobo, coordenador do curso de Geriatria e Cláudia Ferreira, coordenadora do curso de Auxiliar de Saúde.

“Estas atividades são uma forma de juntar todos os alunos”, explica Miguel Teixeira, com 17 anos e a frequentar o segundo ano do curso profissional de Comunicação, que esta é uma maneira de colmatar a lacuna de os alunos terem aulas em diferentes pisos e, por isso, não terem a possibilidade de comunicar tanto quanto gostariam. Acabou, também, por tornar-se num cidadão mais consciente e alertar toda a família para as necessidades urgentes de melhorar a pegada ecológica de cada um “falei em casa sobre reciclagem e pedi aos meus pais para comprar ecopontos” esclarece o jovem.

O projeto começado em outubro “é levado a sério” e a escola já abraçou algumas estratégias para diminuir a pegada ecológica de cada aluno adotando uma garrafa de alumínio com o símbolo da instituição e a identidade gráfica do projeto.  Comprada por um preço simbólico e que podem utilizar diariamente enchendo nos dispositivos com água colocados em toda a escola “pensamos que é já um primeiro passo nessa mudança, que é de facto, ‘tens que começar a deixar de parte as garrafas de plástico’” explica Cristina.

#PlásticoZero é referente a um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, definidos em 2015 que pretendem criar um novo modelo global para acabar com a pobreza, promover o bem-estar de toda a população, proteger o meio ambiente e combater as abruptas alterações climáticas. Por enquanto, a direção escolar vai abordar ao longo do ano letivo a necessidade de mudar os números negativos relativos ao plástico.

Segundo dados divulgados pela ONU, 80% do lixo marinho é composto por plástico e a estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes. Atualmente, a presença de microplásticos nos mares já superam a quantidade de estrelas na galáxia.

“Tivemos que fazer uma escolha e optamos por este tema que nos pareceu prioritário e bastante urgente, isto como é obvio não diminuindo a importância de outros temas que também vamos trabalhar futuramente” garante a professora, que acredita na intenção do ensino profissional em desenvolver nos alunos competências que não só as técnicas, mas também competências para serem cidadãos responsáveis. “Isto são competências transversais independentemente do curso para que cada um queira ir e que os forma sobretudo também como pessoas” termina Cristina, segura de que estas iniciativas transformam os alunos em pessoas responsáveis com um papel fundamental na sociedade.

 

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