GRD Leça: do areal às conquistas

Pedro Miguel Dias de Carvalho Sardo Pereira, tem 28 anos e é de Leça da Palmeira, distrito do Porto. A formação académica passa pelo Marketing e a Gestão Estratégica, sendo já mestre, na área. Outras das suas paixões é o desporto, em especial, a modalidade de andebol. Iniciou o seu “percurso no andebol com 12 anos, convidado por uns amigos para ir treinar ao Clube Andebol de Leça”. Daqui em diante, segue-se um vasto currículo desportivo. Um dos projetos que mais o orgulha: o clube GRD Leça, de andebol de praia, que é hoje uma referência no deporto nacional.

O #Infomedia foi conhecer o presidente, o treinador e o mestre das areias.

 

Como surgiu o clube?

A equipa inicial surgiu na sua maioria com os atletas da geração de 1988/1989 da Seleção Regional do Porto. Os atletas jogavam na sua maioria no CALE, Futebol Clube do Porto e FC Gaia.

Ainda hoje, 14 anos depois, temos atletas da fundação, que jogam na nossa atual equipa sénior.

 

Como é a história da criação do clube, quais foram desafios iniciais? Haviam já objetivos, no início?

Um grupo de amigos com qualidade a jogar andebol indoor, quis iniciar a prática do andebol de praia de forma lúdica. Os resultados foram aparecendo, começando a estar presentes nas fases finais desde cedo e ano após ano tentamos melhorar a nossa performance.

Em 2011 vencemos o campeonato nacional, com uma equipa com uma média de idades de 22 anos e, participamos, pela primeira numa competição europeia, no ano seguinte. Nessa altura, quando começamos a jogar contra os melhores da Europa, sentimos que estávamos a anos-luz da performance desportiva dessas mesmas equipas.

Esse facto, foi decisivo para termos uma motivação extra para trabalhar, para conseguirmos jogar contra todas as equipas a um bom nível. A evolução foi fantástica do desporto em Portugal e hoje em dia já são várias as equipas com bons resultados desportivos a nível internacional.

Recentemente, tanto o clube como tu, em particular, foram homenageados na gala do desporto de Matosinhos. Está, hoje, onde imaginava estar aquando do começo do clube?

Tenho alguns lemas de vida e um deles é “o caminho faz-se caminhando”.

Acho que o nosso percurso tem sido gradual e consistente, com resultados condizentes com o trabalho de todos no clube. É para isso que trabalhamos com afinco, todos os dias, para conseguirmos ter resultados. O facto de a cidade reconhecer o nosso trabalho, é prestigiante e de louvar, pois demonstra que estão atentos ao que é feito na nossa modalidade e no nosso clube. No entanto, vemos como uma responsabilidade acrescida, pois pretendemos continuar a estar sob os olhos das altas entidades do nosso país.

O andebol é uma modalidade com pouco seguimento mediático e pouca cobertura noticiosa. Porque acha que esta é uma realidade vigente? Quais serão as soluções para uma transformação de paradigma?

O futebol em Portugal é desporto rei. A maioria das outras modalidades tem pouco reconhecimento. Na comunicação social, vão dando algum ênfase ao andebol, basquetebol, râguebi e futsal. No entanto, não se valoriza o que de melhor se faz no nosso país.

O facto de não termos uma cultura desportiva multi-desportiva, faz com que na sua maioria, os recintos desportivos não estão cheios de adeptos. As modalidades de praia, têm um impacto muito interessante, com bancadas cheias e com o facto de juntar a espetacularidade do jogo com o bom tempo, faz com que se possa prever, um futuro risonho para essas modalidades e que a comunicação social dará ênfase num futuro próximo.

Quais são os títulos e/ou memórias de que mais te orgulhas?

Os títulos são inesquecíveis e felizmente tenho imensas memórias de momentos extraordinários que tive oportunidade de viver. A passagem à final dos jogos olímpicos da juventude, o apuramento para as meias-finais da liga dos campeões masculina, o apuramento para a final da liga dos campeões feminina, são bons exemplos de memórias que farei questão de contar aos meus descendentes.

 

 

 

O desporto, no geral, em Portugal, sofre com a falta de apoios económicos – tanto privados como públicos – para a prática desportiva. Como é no caso do GRD Leça?

No âmbito do protocolo de cooperação entre o clube e as entidades locais, somos apoiados na formação, bem como pelas nossas responsabilidades em atividades sociais. No entanto, os nossos principais investidores, são empresas que acreditam no nosso trabalho e que pretendem maior projeção da imagem das suas marcas.

Temos bastantes dificuldades económicas devido ao número de deslocações que temos tido para os campeonatos internacionais. No entanto, considero que mantendo a estrutura e os nossos parceiros, poderei dizer que temos garantida a sustentabilidade do projeto.

 

Portugal tem dado, efetivamente, cartas no andebol de praia. Neste presente ano, os rapazes com uma excelente participação nos jogos olímpicos – no qual fez parte como técnico – e o GRD Leça, nas competições europeias, em que se encontrava, como presidente. Porque será, então, que a barreira da visibilidade ainda não foi ultrapassada?

Sejamos francos, em Portugal só o futebol tem interesse para a comunicação social. No entanto, o facto dos resultados das outras modalidades serem cada vez mais empolgantes, acho que é possível que a visibilidade vá aumentar.

 

A equipa portuguesa GRD Leça chegou à final feminina da Taça dos Campeões de andebol de praia, no passado ano, frente às húngaras do Multichem Szentendrei NKE. Competição realizada em Catânia, Itália. Neste seguimento de vitórias para a modalidade, Portugal havia, um tempo antes, conquistado a quarta medalha nos Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires’2018, graças à performance da seleção nacional masculina de andebol de praia, que alcançou o segundo lugar no torneio da modalidade, apenas cedendo perante a Espanha, que ficou com o ouro.

 

Em que medida é que ter equipa feminina, associado ao emblema do clube, enriquece a modalidade?

O nosso clube tem uma cultura bastante peculiar na forma como pretendemos desenvolver o nosso trabalho.

Com resultados interessantes no masculino e numa altura em que o setor feminino estava em decréscimo, vimos como nossa “responsabilidade”, ajudar a estruturar e a fortalecer o feminino. As atletas que iniciaram a equipa tinham bastante qualidade e com o trabalho que foi desenvolvido, os resultados apareceram rapidamente. Direi com orgulho, que foi uma aposta ganha.

 

 

 

Rita Alves, jogadora da equipa lusa, foi considerada a melhor jogadora na Taça dos Campeões Europeus de Andebol de Praia. Sendo também,  algo de muito relevante, para a modalidade.

 

 

 

 

Quais serão os desafios de futuro?

Eu considero que há sempre mais coisas para melhorar. Pretendemos estar entre as melhores equipas da Europa e jogar nos melhores torneios.

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