O que há na Casa do Infante?

A Casa do Infante guarda muitas das relíquias que pertencem à história da cidade do Porto. Associada ao nascimento do navegador português Infante D.Henrique. a 4 de março de 1394.

Agora museu, arquivo histórico, biblioteca e sala de exposições, porém fora um armazém régio, mandado construído por D. Afonso IV em 1325.

 

O que pode encontrar na Sala de Arquivo histórico?

Documentos sobre a vida citadina do Porto no século XIV em papel “pouco ácido” –  o papel medieval. Eram os Homens do governo da cidade, também chamados de “Homens bons” –  os Homens que administravam a cidade que naqueles papéis pela escrita, registavam os assuntos em discussão daquela época na cidade.

No período medieval era da responsabilidade da câmara o governo e estruturação da cidade, a segurança dos seus habitantes e a prevenção das doenças, que eram levadas e trazidas pelos portos da ribeira.

Os manuscritos têm sido digitalizados para que os interessados por estes temas tenham maior facilidade em aceder à informação.

 

Paula Cunha e Maria João, responsáveis pela visita ao edifício / Daniel Dias

 

Segundo Paula Cunha, arqueóloga daquele espaço, o livro mais pedido nos últimos tempos tem sido o que corresponde às licenças de obras particulares, porque tem existido uma forte vontade de trazer a arquitetura barroca ao Porto.

A cultura do século passado preenche os muitos espaços desta sala onde se arquivam as memórias que se tornam tão presentes com o passar do tempo.

 

Cartaz de publicitário (de 29/11/1898 / Vanessa Ribeiro Rodrigues

 

Em todo o edifício existem 5 km de prateleiras com documentos e 10 salas de depósito com revistas como “o Tripeiro” e almanaques que reúnem informações efémeras da cidade.

Faz também parte o arquivo do fotógrafo que marcou a sociedade portuense – Emílio Biel.

 

As salvaguardas das memórias

Para que existam acervos, também é necessário haver quem os trate e os salve. Para isso existe uma equipa composta apenas por mulheres. Nas palavras delas “por serem mais minuciosas”.

Madalena é perita em restauro e para isso usa papel japonês. O tratamento é complexo e em alguns casos demora meses até ficar completo “depende do estado do acervo”, afirma.

O ideal é manter o papel a 18 graus de temperatura e a 55 graus de humanidade para que seja possível manter os escrituras e as recordações vivas.

Tem alguns exemplos de memórias que sobreviveram ao tratamento, outras em que desapareceram as letras no próprio papel original “por a tinta corromper o papel”. Os livros de cofre são os que mais demoram a restaurar, mas as prioridades dependem sempre das necessidades dos pedidos, feitos pela câmara ou por outras entidades.

 

 

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