A desunificação no futebol português

O futebol português, como é do conhecimento geral, é uma constante guerra comunicacional, muito devido à postura que os presidentes, ou representantes dos clubes adotam.

Com mais enfoque nos denominados “3 grandes”, mas com pequenas participações dos restantes clubes. Após refletir um pouco conseguimos aperceber-nos que estas guerrilhas em nada ajudam a melhorar o nosso futebol e muito menos ajudam os clubes a crescer ou a estarem um passo mais perto do sucesso.

Os meios de comunicação não ajudam a esta “desmilitarização” das técnicas de comunicação entre clubes, pois muita das vezes publicitam e enaltecem estas técnicas comunicativas que são mais de destruição do que de construção.

Quando pensei neste tema decidi fazer uma espécie de uma “experiência social” com conhecidos de modo a tentar perceber, em comparação ao futebol português, quantos presidentes, por exemplo de clubes da primeira divisão inglesa, são conhecidos ou se registam comunicados a criticar árbitros, treinadores ou presidentes rivais. Cheguei à conclusão que muito poucas pessoas sabem sequer o nome dos presidentes da maior liga de futebol profissional e muito menos têm acesso a este tipo de registos comunicacionais.

Antes que se possa pensar que é mero acaso, isto tem uma explicação. É que ao invés de fomentar e permitir que este tipo de coisas aconteçam, como é costume no nosso futebol, a Liga Inglesa pune e não fomenta este tipo de discurso, protegendo árbitros, treinadores, e clubes e mantendo um certo nível de respeito entre todos os que são afetos à Liga.

Este tipo de políticas, quer nos apercebamos quer não, a médio/longo prazo dá frutos, pois permite que cada parte envolvida na Liga consiga cumprir o seu papel com a devida tranquilidade e respeito que toda a gente merece ter no seu trabalho. Não se pense que é por acaso que é a Liga que gera mais dinheiro, que tem mais assistência televisiva, que todos os jogadores querem ir e que, em 90% dos casos tem estádios cheios, mesmo quando são jogos que não envolvem os denominados “Big 6”.

É uma grande chamada de atenção para os dirigentes do nosso futebol, pois sendo uma das ligas que, mesmo não sendo de topo, já tem alguma relevância no panorama europeu, não deveria gerar tanta polémica e especialmente, não deveria gerar polémica sobre tudo e sobre nada como vemos diariamente.

Termos constantemente este tipo de picardias entre clubes rivais, ou dos grandes clubes a acusarem os pequenos de não darem tudo o que têm contra o clube X ou Y e até mesmo de devassarem a vida pessoal de certos dirigentes só passa uma imagem de desunião para quem nos segue fora de Portugal e é uma mancha que a menos que se mude drasticamente não conseguiremos apagar dos olhos de quem nos segue fora do país, sendo, certamente, um dos maiores entraves à evolução de um desporto que em Portugal é “rei” e que poderia ajudar o país não só economicamente, como também em termos de imagem.

E se os portugueses já são conhecidos por todo o mundo pela qualidade com a bola nos pés, porque não sermos reconhecidos por ter uma liga correta, respeitosa, justa e que tanto promove os que já são “grandes”, como também ajuda a crescer os que mais precisam?

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