Será Conan Osíris o António Variações desta geração?

Conan Osíris é o nome artístico de Tiago Miranda. Um músico de 29 anos que tem surpreendido os portugueses e se revela como uma perfeita personificação de um artista criativo, irreverente e autêntico. Com a canção “Telemóveis”, Conan Osíris venceu o Festival da Canção 2019.

Miguel, Raquel e João são três jovens atentos ao que se tem vindo a produzir musicalmente em Portugal. Revelam ter uma opinião sobre a prestação de Conan Osíris no Festival da Canção e da excentricidade deste artista que tanto conquistou e gerou polémica entre os portugueses.

Miguel, um jovem de 21 anos, aluno de engenharia informática e apaixonado assumido por música, começou por confessar que “Conan Osíris é o António Variações da nossa geração” e surgiu como “uma lufada de ar fresco no panorama da música nacional, quebrando estereótipos e padrões que se vinham a demonstrar já há algumas décadas”.

Na sua perspetiva, os portugueses estão cansados do que se produz desde sempre em Portugal, das bandas pop/rock que são ouvidas no país há mais de 30 anos: “Os portugueses, sem o saberem, estavam saturados de ouvir o Tony Carreira e o Marco Paulo a cantar os seus sucessos dos anos 90.” E por isso, Conan Osíris, através da sua irreverência como artista e como personagem, conseguiu dar a conhecer-se no Festival da Canção como um músico completamente diferente de tudo o que os portugueses estavam habituados, “com um estilo único, claramente influenciado por folclores típicos, música cigana e ritmos latinos”.

Embora tenha sido o vencedor do concurso, Conan Osíris foi alvo de diversas críticas: “as críticas começaram a surgir, mas todo este “buzz”, na minha opinião, só o ajudou a crescer”.

Do ponto de vista do jovem, seria fácil de prever que Conan Osíris seria o vencedor do concurso nacional. Desde o início demonstrou características tão distintas que era um “hot or miss” na competição internacional: “Ou adoravam, ou odiavam, mas era também a nossa única chance de singrar”.

Para o jovem Miguel, o intérprete português representa perfeitamente a citação de Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

“Achei a melhor prestação portuguesa que já concorreu na Eurovisão”, Raquel, 20 anos, confidencia o gosto e admiração pelo artista que venceu o Festival da Canção 2019. Conan Osíris e João Reis Moreira são, na perspetiva da jovem estudante de comunicação, “os rostos da mudança”, mas não foram mais longe no concurso internacional por motivos de “força maior”: “apesar de todos se considerarem muito liberais na Europa, os interesses económicos são os que prevalecem. E isso vai ser sempre assim”.

Relativamente à música que Conan Osíris tem vindo a produzir e do que o diferencia dos restantes artistas portugueses e da música mais reconhecida em Portugal, Raquel acredita que o estilo do artista representa uma mistura de tudo o que já foi feito no país: “fala de assuntos que à primeira vista as pessoas podem considerar como banais, por isso é que tanta gente não o compreende”.

O facto do seu género musical não ser específico e de tentar combinar diversas categorias numa só canção, é o que distingue o seu conteúdo do restante que tem vindo a ser produzido no país: “ele é diferente porque existe uma nuvem no ar que temos de ser todos protótipos uns dos outros e as pessoas estranham-no por ele ser apenas ele”.

João, embora considere a prestação de Conan Osíris no Festival da Canção, de certa forma, estranha e bizarra, confessa que o artista opta por transmitir o que lhe vai na alma e reflete nas atuações a letra das suas músicas, soando como uma espécie de interpretação de poesia. “Afinal quem é que lembraria de escrever uma música sobre um telemóvel? A forma de levar esta canção ao grande público faz parte de ser diferente e de ser ele próprio. Não se desviou do seu percurso criativo e carismático e revolucionou a era musical”.

Do ponto de vista do jovem, a mentalidade da maioria terá sido o motivo do fracasso no concurso internacional: “entre o ruído de mil e uma novidades, numa época pós-moderna em que tudo parece permitido, equivalente e aceitável, a música deste jovem artista suscitou reações tão extremadas”.

“Existe um leque que coloca Conan Osíris no patamar de Maria Leal e Zé Cabra, mas outro leque que colocam este cantor a par de grandes nomes da música portuguesa, tal como António Variações”, acrescenta o jovem. Ainda assim, é devido à sua excentricidade e, ao mesmo tempo, à sua personalidade tão simples e autêntica que se torna difícil caracterizar este artista. “E a estranheza da sua atuação, poderá até lembrar a de Salvador Sobral em Amar pelos dois”.

Dois artistas polémicos e que vieram “revolucionar” a música nacional, intérpretes que marcam pela “discórdia, paixão e ódio”.

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