Feira Seiscentista: “Não quero perder o espírito das feiras da camaradagem”

As feiras são uma porta para divulgar os produtos que cada feirante tem.
O ponto de encontro destes vendedores foi a Feira Seiscentista de Lousada, está era a estrada que ligava a cidade do Porto à região de Bastos a Trás-os-Montes. Era o trajeto principal de mercadores, tropas, almocreves, correio e tropa, mas a questão não é a feira em si mas os feirantes. Pois são estes que fazem as feiras.

Alguns percorrem quilómetros e quilómetros para chegar e vender os seus produtos, preocupam-se se o seu conteúdo é o apropriado para este contexto, se faz ou não sentido, e a concorrência que tem.

Marta Soares vem de Braga, no verão participa em várias feiras, predominantemente na Zona Norte. Esclarece que, “é uma forma de encontrar as pessoas de uma forma descontraída, a feira é um espaço aonde as pessoas estão mais abertas a novidades tem mais curiosidade”. Começou há cinco anos, a vender produtos naturais, ao mesmo tempo que iniciou as feiras.

Ramiro Magalhães de Santa Maria da Feira já um veterano neste mundo trabalha já há 16 anos em Feiras Medievais. A esposa é florista profissional e faz tiaras para casamentos e batizados, tentou a sorte n a sua terra, só com tiaras sendo um sucesso. “Como gosto da parte dos instrumentos foi pesquisar instrumentos artesanais que encaixassem na temática da feira” explica o vendedor como começou o negócio. Percorre o país de lés a lés e ainda atravessa a fronteira em direção a Espanha. Este ano foi o segundo em Lousada, não tem boas recordações do ano passado a barraca era maior e por ter estado na entrada da feira não rendeu o que esperava, este ano, a barraca diminui. A frase “já se vendeu mais” é conhecida e cada vez mais proliferada, e para Magalhães não é diferente, aponta a concorrência como argumento “posso falar pelo meu produto que há muita coisa principalmente a nível de tiaras que antes quem venda era quem confecionava, hoje em dia não 90% que existem no mercado são compradas nos chineses e é vantajoso comprar mais barato e vender ao dobro, mesmo assim vendo muita tiara apesar de ser mais caras, porque não se vê iguais”

Questionado sobre as feiras em Espanha esclarece que já foi um mercado melhor, que esta atravessou uma crise complicada, “nota-se no povo espanhol, porque o povo é muito de família de sair aos fins-de-semana e de conviver os pais, avós, filhos, o que chama mais a atenção é o envolvimento da família” acrescenta ainda “é uma tradição dos avós ir a feiras medievais e os avós comprar para os netos, nota-se aqui em Portugal mas aqui é outro mundo”. Em Portugal, trabalham de março a outubro, no entanto em Espanha, realizam-se feiras durante todo ano.

Continuamos caminho mais à frente encontramos um feirante da casa, lousadense Dinis Portugal, a barraca chama a atenção pelas garrafas com um design diferente salienta que “feiras medievais só participo nesta porque é da terra”. O projeto começou com intuito de mudar de profissão e ao mesmo tempo de aproveitar os frutos que tinham numa quinta. Sabores de Portugal “temos o que é considerado senão o melhor dos melhores licores de Portugal, Licor de Amor, que é à base de cerveja preta conventual e canela, depois temos compotas, geleias e bolachas artesanais”. Fazem as cinco principais feiras em Portugal e cheguem caminho atravessando as fronteiras, Berlim, Polónia, Londres, Alemanha, Holanda, Munique, este ano vão sobrevoar o Atlântico em direção ao Brasil.
Ao longo da feira é possível ver muitas famílias, pessoas que param conversar, outras junto as barracas de comida e de cerveja artesanal é um autêntico convívio.

Seguimos caminho, algo chama a atenção uma barraca preta, com artigos invulgares para alguns para outros uma paixão. Fátima Barbosa, confecionava bijutaria, acessórios, couro e roupa em casa e as vezes pediam lhe para ela fazer para outras pessoas. Então para ver se o negócio funcionava iniciou-se neste mundo, “depois tornou-se sério, vendia bem, continuei agora todos os fins-de-semana faço as feiras, por Portugal inteiro”. Apaixonada por malas e acessórios adiciona “não há nada como trabalhar naquilo que se gosta”. Para Fátima Barbosa, há dias melhores outros piores “estamos sujeitos ao tempo, estamos sujeitos ao público porque o nosso artigo pode não se integrar no meio onde estamos, mas não quero perder o espírito das feiras da camaradagem”. Realça que “o meu artigo integrasse mais nas grandes cidades, os couros, uma bijutaria mais alternativa, é um nicho de pessoas que gosta deste estilo”. No entanto, em termos de concorrência tem mais sorte porque poucos são os vendedores que tem este artigo.

 

Última paragem é no Bolo de Chaminé, começaram há cinco anos, nas feiras medievais, o bolo é feito no carvão “então tem tudo a haver com estes eventos, todos os fins de semana estamos numa terra diferente”. Giberlto, vem de Guimarães e explica o processo do bolo “é um bolo feito artesanalmente, desde o processo do fabrico, a massa é feita por nós, depois enrolamos nestes tubinhos uma tira de massa e é levado ao carvão a cozer lentamente  e no final começa a ganhar cor, colocamos as coberturas canela, coco, amêndoa”. Destaca que as pessoas de ano para ano tem voltado e gostam muito do bolo.

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