Imaginarius ’19 – (n)a Memória

O Festival Internacional de Teatro de Rua voltou a Santa Maria da Feira. Nos dias 23, 24 e 25 de maio, as ruas e praças do centro histórico feirense transformaram-se em palcos que convergiram artistas e público. O tema da 19º edição foi a Memória e é na memória de quem participa que o Imaginarius tende a ficar.

Plural. Universal. Aberto. Inclusivo. Acolhedor. Não convencional. Espaço de oportunidades. Estes são algumas das características atribuídas ao Imaginarius. Atribuídas por quem o organiza e por quem nele participa.

Dylan Batista, pouco mais velho que o Imaginarius, é voluntário do festival há 4 anos e promete continuar a sê-lo nas próximas edições. Realça a sua importância invocando a promoção da arte democratizada, uma vez que é gratuita a entrada, e a afirmação de novos artistas. Mónica Maia, que tem a mesma idade do festival e que participa como voluntária há 2 anos, é da mesma opinião de Dylan quando afirma que o concelho ao apostar no Imaginarius está a apostar na “cultura na sua forma mais pura”.

Dezanove anos depois do nascimento do projeto, a Câmara Municipal assumiu pela primeira vez a sua gestão completa. O que Elsa Sousa, Gestora do Projeto, afirma ter sido um grande desafio, Gil Ferreira, Vereador da Cultura, afirma ter sido uma opção estratégica que se revelou lucrativa. “Capitalizamos o conhecimento de todos os técnicos que trabalham no Pelouro da Cultura e na Câmara e fundimos a área da produção que já executávamos com a área da programação”, esclareceu o Vereador.

Gil Ferreira e Elsa Sousa. Fotografia: Susana Oliveira.

Imaginarius ’19 apresentou um programa de 43 espetáculos, com 247 artistas, vindos de 12 países, com 13 estreias absolutas, 28 estreias nacionais e 229 horas de conteúdo.

Vários foram os critérios de seleção da programação, tais como a diversidade artística e a diferenciação das disciplinas. As principais vertentes artísticas do programa foram nomeadamente o Teatro, o Circo, a Dança, a Música e a Realidade Virtual. Gil Ferreira destaca a Realidade Virtual como disciplina diferenciadora, uma vez que “trouxe-se pela primeira vez a Portugal nesta edição a realidade virtual no circo contemporâneo e o circo contemporâneo na realidade virtual”, como foi o caso do Hold On, da companhia francesa Fheel Concepts.

Mas não foi só na programação que a 19º edição inovou. Obteve duas grandes parcerias com a “Lendarius” e a “Mytaxi”. O festival iniciou, também, o processo de certificação de evento sustentável pela norma ISSO 20121 e apostou-se mais nas acessibilidades e  no turismo inclusivo, ao implementar-se três plataformas de visibilidade preferencial em espaços considerados fundamentais”, expôs Paula Magalhães, responsável pela área das acessibilidades do Imaginarius.

Imaginarius enquanto evento sustentável. Fotografia: Susana Oliveira.

Já o aumento do apoio à criação local foi um dos elementos destacados nesta edição por Elsa Sousa. Foram apresentadas 13 criações Imaginarius, entre elas “Cães de Rua”, de Sérgio Conceição, “Reencontro II”, Jeanneth Vieira e “Simulacro (Podia Ser Realidade)”, de Pedro Henrique. O aumento do público foi também um dado destacado pela gestora e o estudo de públicos realizado durante o festival comprovou de facto um “balanço positivo”, com a afluência de cerca de 90.000 espetadores.

Parece que o festival que se realizou com o orçamento municipal de 275 mil euros está novamente no bom caminho.  Mónica Maia admitiu que este ano revelára-se surpreendente. Já Dylan expressou ter ficado um pouco desiludido com os espetáculos de grande dimensão. Opiniões que divergem, mas os dados recolhidos dos inquiridos, segundo o Correio da Feira, revelam que 58% da população classificou o evento como muito bom e 37% como bom.

Hold On – Fheel Concepts (FR). Fotografia Institucional.

“Hoje o que posiciona no mapa Santa Maria da Feira é a cultura.” Quem o diz é Gil Ferreira. O Imaginarius, de facto, tem contribuído para este posicionamento e o Vereador da Cultura admite que o que diferencia o festival dos mais diversos é ele “acontecer numa cidade pequena, num centro histórico pequeno, que se torna simultaneamente intimista e acolhedor, com um enquadramento paisagístico singular, com um Castelo e um espaço medieval que de repente é transformado por visões futuristas de coisas que ainda não existem”.

As categorias em que ele se divide permitem, igualmente, que seja não só um festival aberto às várias classes socias, como também abrangente às várias faixas etárias e aos vários públicos.

O festival divide-se em “pré-festival”, com espetáculos que decorrem desde o inicio de maio por vários locais do concelho; em programão principal; nas Criações Imaginarius; no Imaginarius Infantil, dedicado a crianças e a famílias, com o intuito de reforçar o contacto dos mais pequenos com as artes, de forma a despertar o interesse criativo; por último, o Mais Imaginarius, que é no fundo a parte competitiva do festival, onde artistas emergentes de todo o mundo são desafiados a apresentarem as suas criações no Imaginarius.

Imaginarius Infantil. Fotografia: Susana Oliveira.

 

Heliko – El Sidral (ES). Fotografia: Susana Oliveira.

 

Hands Some Feet – Hands Some Feet (BE) na categoria de Mais Imaginarius. Fotografia: Susana Oliveira.

 

O Voluntário. Fotografia: Susana Oliveira.

Um dos principais lemas do festival é a novidade e já se constata o tema da próxima edição – O Mito.

No próximo ano o Imaginarius completará 20 edições e por esse motivo será uma edição de celebração. Ainda não são muitos os pormenores fornecidos, mas a reflexão estará bastante presente. “Vamos promover uma reflexão e um debate e vamos tentar perceber o impacto do Imaginarius a vários níveis, como por exemplo na formação e no desenvolvimento de públicos e na capacitação das comunidades artísticas”, afirmou o Vereador, acrescentando que pretendem convidar a estar presentes nessa edição artistas e companhias que tenham já passado pelo festival.

“Momentos únicos. Memórias inesquecíveis” – foi o motto da 19º edição do Festival Internacional de Teatro de Rua. Irá a próxima edição superar estes momentos e estás memórias? Irá O Mito ultrapassar A Memória?

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