19º edição do Imaginarius mais acessível

Do dia 23 a 25 de maio decorreu em Santa Maria da Feira o Festival Internacional de Teatro de Rua – Imaginarius. A 19º edição trouxe mais acessibilidade e tornou o Festival mais inclusivo.

Abranger o Imaginarius a todo o tipo de públicos é e sempre foi um dos objetivos do festival. Por esse motivo, não é o primeiro ano em que o evento adota medidas de acessibilidade, mas este ano essa componente foi bastante forte. Quem o diz é Paula Magalhães, responsável pela área das acessibilidades do Imaginarius.

Plataforma Acessível na Casa do Moinho. Fotografia: Susana Oliveira.

Infomedia:  Quais foram as medidas tomadas no âmbito de turismo acessível?

PM: De forma geral, traduziu-se o site do Imaginarius em LGP.  Existiram espetáculos com LGP e pela primeira vez espetáculos com áudio descrição. Traduziu-se o programa em braille.  Foram colocadas três plataformas de acessibilidade preferencial, o que é novo.  Fez-se formação pela primeira vez na área das acessibilidades aos voluntários. Houve fraldário e casas de banho acessíveis. Disponibilizou-se duas cadeiras de rodas na Loja do Turismo para emprestar a quem precisasse e chegaram a ser utlizadas. Colocou-se uma rampa movível em frente do Mercado e realizou-se duas visitas guiadas de acesso ao recinto.

Programa em Braille. Fotografia: Susana Oliveira.

Entrando em pormenores, trabalhamos com erebas que é uma entidade direcionada para surdos que esta sediada em Santa Maria da Feira e trabalha na EB1 do Cavaco . Desenvolvemos, também  uma atividade com as crianças surdas dessa escola –  uma atividade em que eles pudessem assistir ao espetáculo Viagens de Memórias.

Espetáculos como Reencontro II, de Jeanneth Vieira (PT), William Shake(This)Pear, da Dra/Mat (PT) e Viagem de Memórias, de Daniel Padrão (PT) foram traduzidos para LGP. Cães de Rua, de Sérgio Conceição (PT) teve auto-discrição. E durante este último espetáculo distribuímos o programa em braille.

Casas de Banho Acessíveis na Praça Gaspar Moreira. Fotografia: Susana Oliveira.

As três plataformas de acessibilidade preferencial foram colocadas na praça Gaspar Moreira, na Casa do Moinho e nas Piscinas Municipais. Tínhamos voluntários a gerir estas plataformas e nelas podiam ir pessoas idosas. Pessoas com cadeiras de rodas, com mobilidade reduzida ou pessoas com crianças ao colo ou mulheres gravidas.

As duas visitas guiadas de acesso ao recinto que começaram no Cineteatro com o epetáculo Hold On, da Fheel Concepts (FR). Foram programadas para 10 a 15 pessoas, mas tiveram a adesão que estavamos à espera de tivessem.   A que fizemos no dia 24  tivemos cerca de dez participantes e na do dia 25 tivemos cerca de oito. Onde tivemos mais pessoas foi no espetáculo Cães de Rua à noite com um grupo de 13 a 15 pessoas cegas e também tivemos cerca de 25 crianças surdas do erebas.

Cães de Rua,  de Sérgio Conceição (PT). Fotografia Institucional.

Infomedia:  Qual foi o feedback destes participantes?

PM: Marcou-me a reação das crianças no espetáculo Cães de Rua. No final do espetáculo houve uma criança que se abraçou a um dos interpretes e não queria ir embora. Os cegos também ficaram muito felizes. Agradeceram imenso o município trabalhar esta área e de puderem assistirem a um espetáculo que se não o fizéssemos ficariam em casa. Pediram para não nos esquecermos deles e continuarmos a fazer este trabalho noutras iniciativas e nós dissemos que sim e nós não o fazemos por protagonismo, fazemos porque de facto o município entende que a cultura deve ser acessível a todos. O feedback foi positivo e gratificante.

Viagem de Memórias, de Daniel Padrão (PT). Fotografia Institucional.

Infomedia: O que se pretende fazer para o próximo ano? O que se pretende melhorar?

PM: Eu acho que esta edição correu muito bem a todos os níveis. Na questão da acessibilidade temos de trabalhar melhor a parte da comunicação das visitas. A comunicação tem de ser mais forte, mais incisiva e feita com mais tempo junto das associações e comunidades e públicos que queremos atingir.

Queremos que o site seja disponível aos cegos. Tentamos ter disponível este ano, mas não foi possível. Vamos trabalhar para que isso haja no próximo ano. Também gostaríamos que houvessem mais espetáculos sensoriais, como La Gran Tempesta, Efimer (ES), como o Hold On e o Simulacro (Podia Ser Realidade), do Pedro Henrique (PT). Este tipo de espetáculos proporcionam as sensações que nos queremos transmitir nas acessibilidades e portanto temos de trabalhar mais nesse sentido para que haja mais espetáculos sensoriais para se vivenciar durante o festival.

Infomedia: Enquanto responsável pela área das acessibilidades qual foi a sua maior dificuldade?

PM: Um dos desafios foi fazer a grelha para o folheto em braille. Pela primeira vez tive de ser eu e a minha equipa a fazê-lo e não fazíamos ideia de como é que a informação tinha de ser trabalhada. A informação que trabalhamos para o programa geral não teve nada haver com a que tivemos de fazer para o de braille. Mas ficamos a saber como se faz e do trabalho que dá. Mas correu tudo bem.

 

Paula Magalhães. Fotografia: Susana Oliveira.

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