A REALIDADE VIRTUAL PODE AJUDAR A TOXICODEPENDÊNCIA

O fabrico de drogas sintéticas aumenta a cada dia e as apreensões de cocaína bateram recordes no ano passado. O Observatório Europeu chama a atenção para os problemas de saúde relacionados com o consumo. E para a utilização da tecnologia como prevenção.

O Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (EMCDDA) propõe a recriação de ambientes virtuais de consumo de droga para alertar os consumidores a combater a vontade e usar o sistema de geolocalização para ajudar quem consome a encontrar postos de troca de seringas. Estas são as duas propostas que podem ajudar os serviços de saúde a lidar com os problemas relacionados com a droga.

O EMCDDA realça também o facto de o consumo de heroína estar a levar a uma subida do número de pessoas a precisar de tratamento.

Existe um número cada vez maior de novas substâncias psicoativas (NSP). O Observatório detetou, no ano passado, mais cinquenta e cinco substâncias.

Foram, também, divulgadas estatísticas que apontam para a detenção de mais de um milhão de drogas ilícitas anualmente e cerca de 1,2 milhões de pessoas aceitam tratamento por problemas de consumo de estupefacientes. (EMCDDA)

O Comissário Europeu responsável pela Migração, Assuntos Interno e Cidadania, Dimitris Avramopoulos, afirma que o documento “mostra a natureza complexa do fenómeno da droga na Europa. As drogas continuam a ser uma ameaça multifacetada e em constante evolução”.

Como justificação deste crescimento de venda de estupefacientes, estão as vendas e compras através das redes sociais, na darknet e as novas tendências de mercado com a implementação de call centers que têm estafetas para entregar, de forma rápida, a droga que é encomendada por telefone.

No ano passado, permaneceu a liderança da canábis como a droga mais consumida na Europa, produto que também está a obrigar os países a uma adaptação ao mercado do tráfico.

Dar uso às aplicações móveis

O relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência defende o recurso às novas tecnologias para ajudar os consumidores. O documento diz que as aplicações móveis podem ser usadas com o objetivo de difundir informação e de ajuda à recuperação (com aplicações de autoajuda). Um outro exemplo apresentado é a utilização da geolocalização para ajudar os consumidores de drogas injetáveis a encontrar pontos de troca de seringas.

É, também, explicado que está a ser estudado “o uso de tecnologias de realidade virtual (óculos de realidade virtual) para recriar ambientes relacionados com o consumo de drogas, com vista a induzir o desejo de consumir e ensinar os doentes a combater esse desejo”. (EMCDDA)

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