Jardim zoológico Santo Inácio

No passado dia 10 de Junho o zoo Santo Inácio concretizou 19 anos desde a sua existência. Para comemorar este dia, o infomedia deslocou-se até as suas instalações e falou com Teresa Guedes a directora do zoo. Inicialmente conta-nos a historia do mesmo passando também pelo objetivo do jardim.

 Qual a missão do zoo?

Teresa : Acho que devíamos começar pela história como é que o zoo começou que vai de encontro a tudo isso que me está a perguntar. O zoo começou no dia 10 de Junho do ano 2000 estamos quase a fazer 19 anos. E começou com um objetivo muito importante que é a conservação das espécies e mostrar aos visitantes quem são os animais. Porque nós só vamos conseguir conservar, só vamos conseguir proteger aquilo que nós conhecemos melhor. E assim, nasceu o zoo Santo Inácio no ano 2000 com o objetivo de preservar as espécies, especialmente as mais ameaçadas. E como é que mostramos ao público estas nossas espécies? Nós tentamos recriar os habitats de origem com as características que os animais precisam e que têm no seu local de origem mostrando assim os comportamentos genuínos desses animais às pessoas. Desta forma, conseguimos conhecer melhor estes animais. Conseguimos perceber como é que eles andam, correm, se protegem , quantas horas dormem por exemplo.

Como é que os animais chegam até ao zoo ?

Teresa : Nós não vamos buscar nenhum animal ao habitat de origem. Todos os animais que habitam no zoo Santo Inácio já nasceram noutro zoo da Europa. O zoo santo Inácio faz parte de uma associação de zoos e aquários que é a AEZA. A finalidade desta associação é precisamente a troca de animais que permite concretizar o objetivo do apuramento da espécie com a conservação da genética da espécie.

A troca de animais não tem qualquer custo exceto o do transporte. Estamos todos pelo mesmo : a conservação das espécies. Trocamos animais entre nós para conservar estas mesmas espécies.

     Como é que os animais reagem durante o transporte ?

Teresa : O que mais utilizamos é o terrestre se bem que o aéreo também utilizamos, depende das espécies. A  nível aéreo existe uma empresa mundial que tem todas as características necessárias para a espécie ser transportada. A caixa, o nome que se dá ao local onde o animal é transportado, tem que ter certas medidas, certos acondicionamentos, o bebedouro e o comedouro desses animais tem que ser de uma certa regra, isto para o nível aéreo. Regra geral é de transporte terrestre com empresas especializadas, empresas com formação. Normalmente são ex tratadores ou ex veterinários que envergaram por esta linha, portanto têm conhecimento. Todos os membros da AEZA têm obrigação de prestar auxilio, caso seja necessário durante o transporte, nós temos que dar esse auxilio, eles podem fazer aqui a paragem.

Consoante a espécie pode ter mais algum calmante ou não. Há espécies que não interessa dar calmante outras não, por exemplo um felino mesmo para ele entrar para a tal caixa, para a tal transportada é um animal que necessita de estar mais calmo, senão vai ficar agitado. Há animais que precisam de alguma ajuda extra, tentamos sempre o mais suave possível.

      Como é o contacto entre os animais e os tratadores ?

Teresa : Os tratadores conhecem os seus animais todos. E os seus animais conhecem os tratadores, vêem-se. O tratador não invade a casa do animal, há animais que nós não entramos na casa deles, há outros que não faz mal. Mas não estimulamos a festinha, o contacto, o dar a pata, isto tornando um bocadinho para um animal doméstico porque nós queremos preservar o seu comportamento selvagem. Porque o objetivo único do zoo Santo Inácio é devolver as espécies ao seu habitat de origem portanto uma espécie que é domesticada nunca irá sobreviver no seu habitat natural.

O tratador limpa a recolha do animal – casa do animal – quando o animal não está lá. Solta-se o animal para o seu habitat exterior e depois de fechar as portas todas e ativar todos os mecanismos de segurança é que vão limpar a recolha deles. Nós temos medidas de salvaguarda para o tratador e para o animal. Damos o alimento de forma natural, eles têm que conhecer o tratador porque a função vital do tratador é a observação dos seus animais.

         Como é possível preservar a vida selvagem da espécie tendo em conta que a comida já está a disposição dos mesmos ?

Teresa : Essa é a questão, no jardim zoológico, eles estão habituados a uma rotina. Na selva os animais têm que caçar para comer mas aqui não obviamente que lhes é colocado. Mas como é que nós não o fazemos perder este instinto selvagem ? Há um processo que se chama enriquecimento ambiental, significa fornecermos alimento ou brinquedos para os animais que vão apurar os seus sentidos.

Para se visitar este local e ver os animais na sua versão mais selvagem, agora no verão, há a possibilidade de ir num autocarro do próprio. O zooline tem um custo de três euros associados e vai da Sé do Porto até à localização deste jardim.

 

Por : Ana Francisca Rodrigues

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