O ciclo infinito da moda

 

Página de instagram “Estrela Thrift Findings”

Os anos passam e é cada vez mais duvidoso falar em moda e tendências – as peças que mais se usam durante a estação, por gosto, ou porque “estão na moda”. A peça, a cor, ou o padrão que rapidamente toma grandes proporções, e é adquirida em massa. Mas o que se tem verificado é que as tendências se vêm a repetir. Quase que de forma cíclica, as referências do momento atingem picos – em que são muito utilizadas – mas depois desvanecem-se. Constata-se que mais tarde este processo se volta a repetir. Por isso, é possível dizer que a moda é cíclica.

Entre os demais motivos que justificam este fenômeno, os mais atuais relacionam-se com as alternativas às empresas de fast fashion. Propostas eco-friendly, mais sustentáveis, ou até mesmo lojas vintage e de “roupa em 2º mão”. Os projetos são cada vez mais reconhecidos, e têm recebido o feedback do público.

A Estrela’s Thrift Shop é um dos negócios que surgiu com a emergência das plataformas digitais. Nasceu em 2015, com o objetivo de dar finalidade a roupa que já não era utilizada. Estrela Pacheco, gestora da página, confessa “quando criei foi uma forma de conseguir dar uma nova casa a peças que eu e a minha família íamos acumulando e nunca sabíamos bem onde deixar”.

Nestas lojas, as roupas por serem usadas são mais baratas, e ainda é possível encontrar peças únicas e exclusivas. É isso mesmo que os consumidores procuram, peças diferentes e irreverentes, próprias de lojas de segunda mão.

Catarina Lopes é estudante de psicologia na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, e adepta deste estilo. Inicialmente optou por adquirir roupa vintage por uma questão de styling. Atualmente, os motivos vão para além da estética,

 “Até me aperceber da crueldade que existe nas produções em massa e nas questões ecológicas associadas à produção de determinados materiais, por isso, agora acabo por juntar o útil ao agradável”.

Catarina já fez compras na plataforma Estrela’s Thrift Shop, inclusive. Confessa que o vintage proporciona um visual único, com várias histórias associadas e é isso que a mantém uma cliente fiel. A jovem tem consciência do atual processo de manufaturação têxtil, o que a leva a ter ainda mais em consideração este tipo de negócio “A indústria está repleta de novas maneiras de escravatura, principalmente a indústria de produção têxtil em massa”.

A página já conta com mais de 13 mil seguidores no instagram. A proprietária faz um balanço dos últimos 4 anos “O feedback é cada vez mais positivo. Muitos dos meus clientes dão imenso valor a peças usadas e vintage, muito mais até do que peças novas”. Acredita que os consumidores estão a tornar-se mais conscientes e nalguns casos acabam por abandonar completamente as lojas de fast fashion “A nossa geração cada vez se preocupa mais em fazer compras sustentáveis e éticas”.

A experiência da proprietária leva-a a concluir que as pessoas se cansam da moda e querem variar. Daí falar-se num ciclo permanente. Aquilo que hoje é tendência, amanhã pode não ser. Mas com o passar do tempo, volta a estar na ribalta porque é algo praticamente novo outra vez. Ainda assim, conclui “há cada vez mais pessoas que tentam transformar o seu guarda roupa em exclusivamente vintage e abandonar de todo o que se chama de tendências”.

 

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