“O objetivo utópico seria erradicar o assédio” – Margarida Coelho sobre Línguas Venenosas

Criado para a cadeira de projeto de Design de Comunicação na FBAUP , Línguas Venenosas nasceu em janeiro de 2019, por Margarida Coelho, de 21 anos, natural de Viana do Castelo. O #Infomedia foi, então, entrevistar a jovem que se auto-define de confiante, pragmática e preocupada para perceber no que realmente consiste este projeto.

 

#ENTREVISTA

Margarida Coelho, autora de Línguas Venenosas. Fotografia fornecida por Margarida.

Infomedia: Descreve o teu projeto em 3 palavras.

Margarida Coelho: Pertinente, pedagógico, ativista

 

Infomedia: Em que é que ele se baseia?

MC:  Em cartazes que são línguas em ponto grande, uma vez que o símbolo deste projeto são as línguas de cobra, visto serem venenosas, viscosas e intrusivas, cujas papilas gustativas, neste caso, são compostas pelos piropos e gestos que são proferidos nas ruas. Serve para chamar a atenção ao problema. E a informação foi maioritariamente adaptada de websites ou ensaios (estrangeiros, pois há pouquíssima informação em português) sobre o assunto.

 

Infomedia: O que motivou o nascimento do Projeto? Algo mais pessoal ou um sentimento de “justiça social”?

Mc:  A motivação para este projeto foi a minha própria frustração em relação ao assédio nas ruas assim como todas as conversas que fui tendo sobre este assunto com amigas (que repudiam e abominam estes atos) e amigos (que ou não faziam ideia do que é que as mulheres passam na rua ou achavam que as pessoas gostam de ouvir esse tipo de comentários). Pensei que fosse meu dever aliar o design a este tema para educar e chamar a atenção para o mesmo.

 

Infomedia: O que pretendes alcançar com o projeto?

MC: O objetivo utópico seria erradicar o assédio, mas para já , nem que seja tornar este assunto um não-tabu, algo que se fale e que se leve a sério e se puna, e não como algo que já está enraizado na nossa cultura, impossível de mudar.

 

Infomedia: Qual a amplitude que queres que ele atinja?

MC: Gostava que atingisse todo o país. Não por minha causa nem pelo meu mérito, mas porque já é tempo de se falar sobre o assédio como algo repulsivo.

 

Infomedia: Queres que ele ultrapasse a escala de sensibilização, isto é, queres leva-lo a manifestações? Se não, como o vês a crescer e a ser eficaz?

MC: Nas manifestações poderia aparecer nos cartazes, mas nunca pensei muito nesse aspeto. Uma manifestação contra o assédio nas ruas poderia realmente ser relevante. O meu projeto passa mais pela parte pedagógica –  educar é a melhor maneira para acabar com ele. Através das redes sociais, colocando conteúdo informativo, penso que, se as pessoas partilharem, pode chegar muito longe.

 

Exemplares de Cartazes fornecidos por Margarida Coelho:

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