A luta dos lares contra a Covid-19

Voltar
Escreva o que procura e prima Enter
A luta dos lares contra a Covid-19

A atual pandemia da Covid-19 veio afetar o mundo inteiro em diversos setores. Os idosos são o grupo de risco mais afetado e aquele que suscita mais cuidados. Os lares de norte a sul de Portugal foram dizimados pelo novo coronavírus. Vila Nova de Gaia foi um dos concelhos mais afetados por esta pandemia seguindo-se da irresponsabilidade na marginal da Póvoa de Varzim. Conheça a luta que vários lares tiveram de travar contra a Covid-19.

Vila do Conde

O Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CARPD), situado em Touguinha, Vila do Conde, foi um dos mais afetados pelo novo coronavírus. Tudo começou no dia 2 de abril quando foi confirmado o primeiro infetado. A partir daí, os casos começaram a disparar. A cidade de Vila do Conde é, agora, o 29º concelho com maior número de infetados pela Covid-19 a nível nacional.

Vila do Conde, cidade portuguesa do Distrito do Porto, conta com mais de 79.579 habitantes segundo os últimos dados da PORDATA, no ano de 2018. É uma zona industrial. É um das principais e mais procuradas zonas balneares do país.

O primeiro caso de Covid-19, em Vila do Conde, foi detetado no dia 11 de março, no estabelecimento da Santa Casa da Misericórdia.

No período de confinamento, mais concretamente, entre o dia 31 de março e 2 de maio, o número de infetados aumentou de 34 para 251. Vila do Conde é o 29º concelho com maior número de infetados com Covid-19 a nível nacional. A região representará menos de 1% dos casos do país.

Gráfico da evolução do número de infetados em Vila do Conde @viviana-fangueiro

Ao observar o gráfico é verificado que o número de infetados foi aumentando gradualmente. Este, é referente à Evolução da Covid 19 em Vila do Conde, entre o dia 31 de março até o dia 2 de maio, data do desconfinamento. No dia 2 de abril, com 39 casos de infeção no concelho, é confirmado o primeiro caso no CARPD.

Apresenta entre o dia 12 e 13 de abril uma subida de 44 novos casos. Esta subida acontece no mesmo momento em que são noticiados a existência de 102 casos confirmados no Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CARPD), em Touguinha.

Entre o dia 14 e 15 de abril também há uma subida acentuada dos casos, um total de 37 casos aumentados. Nos restantes dias a subida é regular.

Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência

Os lares têm sido um dos grandes expoentes da Covid-19 a nível de propagação e consecutiva infeção.

Localizado em Touguinha, Vila do Conde, o Centro de Apoio e Reabilitação para Pessoas com Deficiência (CARPD) foi um dos centros mais afetados pela Covid-19. Iniciou a sua atividade em novembro de 1994 tendo como principais objetivos assegurar uma qualidade de vida a pessoas com deficiência física e /ou intelectual.

CARPD

O Lar Residencial conta com mais de 90 camas, e também, um centro de atividades ocupacionais que se dedica a cerca de 120 pessoas.

O período de quarentena no CARPD iniciou-se no dia 30 de março. Os funcionários foram organizados por equipas. Duas equipas que permaneceram em quarentena com os utentes. Quinze dias cada equipa, para que assim evitassem as entradas e saídas, diminuindo o risco do vírus e a sua entrada na instituição.

Segundo uma fonte, foram suspensas as visitas, o apoio domiciliário e o centro de dia. Foram, também, fornecidas máscaras cirúrgicas para os funcionários e, constantemente, insistiam na lavagem das mãos.

Em entrevista com uma funcionária que pediu anonimato, deu para estudar a evolução dos casos e do ambiente vivido no local até os dias de hoje.

No dia 31 de março, uma utente sofreu um AVC e o teste da Covid, feito no hospital no dia 2 de abril, deu positivo. “Quando apareceu um segundo caso positivo, também de uma utente internada, foram fornecidos à instituição 16 testes e equipamentos de proteção individual mais completos para a nossa equipa”, diz.

Os testes feitos à equipa realizou-se no dia 7 de abril. No dia 9, receberam os resultados. Entre os 16, 14 estavam infetados. Dentro dos infetados estava a nossa fonte, ajudante do lar.

Entre os dias 9 e 10, abandonaram o local de trabalho e foram substituídos pela segunda equipa. Após essa troca, foram fornecidos testes a todos os utentes e funcionários, e foram criadas áreas para os infetados e os que não estavam.

Segundo fonte anónima, a maior parte dos utentes estava infetada. Na sua opinião, não lhe parece que a instituição pudesse fazer mais do que o fez e que tentou fazer.

Num comunicado feito pela Santa Casa da Misericórdia local, no dia 11 de abril, “Dos 79 testes já realizados, 17 testaram negativos e 62 testaram positivos”. O Centro para pessoas com deficiência contava, no total, com 99 casos confirmados. 

No dia 13 de abril, chegaram os resultados dos testes que faltavam. Dos 32, três deram positivo e 29 negativo. Chegou a um total de 102 casos confirmados (83 utentes e 19 funcionários).

No passado dia 16 de maio, aquando a entrevista, a funcionário já se encontrava curada. “Estive em isolamento durante 14 dias. Recebia chamadas do Centro de Saúde todos os dias e a PSP veio duas vezes confirmar se eu estava a cumprir o isolamento em casa”, conta. Após esse período, e como já não tinha sintomas, fez o teste e deu negativo.

Regressou ao trabalho no dia 3 de maio e afirma que o ambiente agora sentido é muito mais seguro. “Há muita mais organização no que se refere à utilização dos equipamentos e à desinfestação dos mesmos e dos locais” , afirma.

De momento, as visitas ao Centro já são possíveis. Segundo a fonte, são feitas por marcação e não existe qualquer contacto físico entre o utente e o visitante. “Os encontros são feitos numa sala individual com uma mesa separada por um acrílico. As visitas devem levar máscara e, sem tocar no utente, só é possível a entrada única de uma pessoa. Só é possível falarem através do acrílico”, explica.

Face à questão se algum utente tinha deixado o lar por precaução, a fonte anónima conta que isso não aconteceu. “A família não os quis levar para casa antes, durante, nem depois. Nós, os funcionários, mostramos mais preocupação do que a própria família. Não os abandonamos”, afirma. Segundo a mesma, esta intervenção por parte da família não aconteceu apesar das inúmeras tentativas por parte da direção.

Hoje, praticamente todos os que estavam infetados deram negativo e estão curados. Agora, será um processo de crescimento de ambas as partes para que tudo volte à normalidade.

Período de desconfinamento

Gráfico do número de infetados em Vila do Conde, após o desconfinamento @viviana-fangueiro

Com o início do desconfinamento, a população vilacondense, aos poucos, foi voltando às rotinas. Entre o dia 3 de maio e o dia 2 de junho de maio, os casos passaram de 258 para 294. Um aumento de 36 casos.

Num primeiro período há uma maior subida de casos, embora não seja significativa. No dia 4 de maio, onde estão registados 260 casos, deu-se a abertura do pequeno comércio.

Nos dias seguintes, esperava-se um possível aumento do número de infetados, mas os números não oscilaram. Nas duas semanas seguintes houve só aumentos de 1 a 2 casos por dia.

No dia 18 de maio, dia de abertura dos restaurantes, o número de infetados era 286. No dia 2 de junho são registados 294 casos, sendo o sexto dia consecutivo que não há um aumento do número de infetados. 

Um mês após o início do desconfinamento, é possível afirmar, que de um modo geral, a população vilacondense na volta ao ativo, tem cumprido com as diretrizes tomadas pela Direção Geral de Saúde.

Por Viviana Fangueiro

____________________________________________________________________

 São João da Madeira

A Santa Casa da Misericórdia, situada na cidade de São João da Madeira, não contém nenhum caso da Covid-19 na instituição. A 17 de Março é registado o primeiro caso na área e até à presente data conta com o total de cerca de 80 infetados. A pandemia do novo coronavírus tem ameaçado todas as faixas etárias, mas em especial a terceira idade, como tal, cabe a estas instituições, adaptar-se de forma a prevenir o contágio.

São João da Madeira é uma cidade portuguesa do Distrito de Aveiro, da Área Metropolitana do Porto situada na região Norte e sub-região entre Douro e Vouga, com cerca de 21 713 habitantes (2011).

É sede do mais pequeno município português, possuindo apenas 8,11 km² de área, correspondendo à área da cidade. Tornou-se município autónomo a 11 de Outubro de 1926, tendo sido elevado ao estatuto de cidade em 28 de Junho de 1984.

O lema de São João da Madeira é “Labor – Cidade do Trabalho”.  A cidade é conhecida em Portugal, pela sua tradição na área industrial, particularmente em relação ao fabrico de chapéus e calçado. É reconhecida no país como a “Capital do Calçado”.

A pandemia de Covid-19, espalhou-se oficialmente em Portugal a 2 de Março de 2020. De acordo com a informação prestada pela Comissão Municipal de Proteção Civil, no dia 17 de Março, S. João da Madeira regista o primeiro caso confirmado de Covid-19 de um residente no concelho. A 23 de março foi confirmada na cidade, a primeira morte devida  ao coronavírus, tratava-se de um homem de 62 anos de idade que trabalhava na cidade vizinha, em Santa Maria da feira. Em João da Madeira, o período de confinamento iniciou a 31 de Março prolongando-se até 2 de Maio, nesse período, a cidade sofreu um aumento de 25 para 62 infetados na área.

Ao analisar o gráfico construído entre a data de 31 de Março até ao dia 2 de Maio, período de confinamento, é possível observar que o número de infetados na cidade sofreu um aumento gradual. Entre o dia 16 e 21 de Abril é visível uma estabilização no número de infetados, tendo se mantido nos 52 casos nesse espaço. Após essa estabilização, inicia novamente um aumento progressivo atingindo os 62 casos.

Gráfico Evolução da Covid-19 em São João da Madeira @barbara-oliveira

A pandemia do novo coronavírus tem ameaçado todas as faixas etárias, mas em especial a terceira idade. Agora mais do que nunca, é necessário fazer frente a uma crise sanitária com cuidados redobrados em lares de idosos e serviços de apoio domiciliário visto que é um serviço que não pode paralisar. As instituições devem adaptar-se de forma a prevenir e controlar o contágio.

Rotunda da Praça 25 de Abril, São João da Madeira. @barbara-oliveira

Santa Casa da Misericórdia de São João da Madeira

Inaugurado a 11 de outubro de 1982, o Lar de idosos de S. Manuel constitui a valência mais antiga das atuais em funcionamento na Santa Casa. Atualmente, o Lar de Idosos tem capacidade para 100 utentes e conta com uma equipa de 46 trabalhadores e um médico que realiza consultas duas vezes por semana definindo os cuidados médicos para todos os utentes. Uma equipa de quatro enfermeiras presentes 5 horas por dia nos dias úteis, que fazem o acompanhamento diário dos utentes integrando as indicações médicas e orientando o trabalho das 23 ajudantes de lar. Com o número de casos de infetados com o novo coronavírus confirmados a aumentar de dia para dia, Portugal “aperta o cerco” ao Covid-19.

Entrada da Santa Casa da Misericórdia em São João da Madeira @barbara-oliveira

Na Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira também foram implementadas diversas medidas de prevenção e de contingência. “Logo a partir do momento em que tivemos informação da direção geral de saúde para proibir as visitas, fechamos imediatamente o lar e as visitas não se realizaram porque o lar era uma estrutura aberta e neste momento está com outro tipo de regras em que não há livre circulação de pessoas.” declara Isaura Costa uma das diretoras do lar de idosos.

A Santa Casa da Misericórdia, continua a acompanhar a evolução das circunstâncias e atenta as orientações da Direção Geral de Saúde. “Seguimos todas as orientações DGS, implementamos planos de contingência, com salas de isolamento para utentes e funcionários, montamos salas de alternativas quer seja para colocar pessoas que eventualmente tivessem infetados ou suspeitos, os não suspeitos ou seja os negativos, na hipótese de termos essas situações e o que teríamos de fazer, portanto e ajustamos isso no plano de contingência.” 

Segundo informação dada pela direção, o lar de idosos até ao momento não tem nenhum caso na instituição “No lar não tivemos nenhum até à presente data.” Para que esta situação fosse possível, tiveram de ajustar as rotinas, determinadas tarefas e até mesmo as atividades. Gradualmente foram avaliando a situação e estendendo as possibilidades fase à situação, agora com determinadas regras e limitações.

Relativamente aos funcionários da instituição, estes adotaram desde logo o uso dos equipamentos de proteção individual, o afastamento e a reorganização entre os utentes (espaços comuns, quartos e refeitório). O lar referencia que foi fundamental incluir os utentes e explicar o que estava a acontecer, adicionando informação à medida que as notícias nos meios de comunicação iam aparecendo. Era importante os utentes entenderem o porquê de as funcionárias fazer o uso de máscara, viseira, explicar que não era nenhuma anomalia, mas sim, uma questão de prevenção e proteção.

Isaura Costa afirma que apenas houve uma situação em que um familiar ficou ansioso e pensou em retirar a utente do lar levando-o para casa, mas a própria negou-o. “Ainda bem que o fez porque a própria familiar depois veio saber que teve infetada pela Covid, mas felizmente passado muito tempo de ter o último contacto com a utente. Não tive mais ninguém a solicitar que os idosos fossem para casa.”

Com a presença do novo coronavírus, os hábitos diários sofreram mudanças. As funcionárias da Santa Casa da Misericórdia passaram então a desempenhar as suas funções formando equipas em espelho, ou seja, estas começaram a trabalhar de 14 em 14 dias enquanto outra equipa se mantinha em casa. 

Neste momento com a situação do desconfinamento, a diretora do lar defende que o primeiro passo é permitir que os familiares venham ver os utentes à instituição e para que isso seja possível dentro das condições indicadas, criaram um espaço próprio com entrada independente à entrada principal para assim evitarem frequentar outras partes da instituição. É de salientar a presença assídua do desinfetante às entradas e saídas do lar e a partir daqui progressivamente começar a inserir passo a passo as medidas possível para desconfinar. “Não sei se chegaremos a desconfinar totalmente, mas penso que algumas regras vamos ter de continuar a tê-las, nomeadamente os acessos dentro da instituição. Se as coisas continuarem a caminhar bem, vamos ter de fazer o nosso próprio caminho, vamos ver no quê que vai dar.”

Período de desconfinamento

Gráfico referentes aos dados da Covid-19 após desconfinamento em S. João da Madeira @barbara-oliveira

Com o plano de desconfinamento aprovado em Conselho de Ministros a 2 de Maio, os sanjoanenses, foram voltando aos velhos hábitos. Num primeiro período em que este plano foi aplicado, é possível ser observado que o número de infetados sofreu um aumento gradual, mas lento, surgindo 1 a 2 casos diários. São João da Madeira atingiu o número de 81 infetados no dia 1 de Junho, tendo esse número se mantido até ao atual momento.

A terceira fase de desconfinamento do país arrancou a 1 de Junho e permitiu a muitos setores recuperarem uma nova normalidade. Em S. João da Madeira parece que as idas às compras, à praia venceram ao medo e aos poucos os sanjoanenses começam a sair a rua, mas é possível sentir o cumprimento das normas estabelecidas pela DGS por parte de todos.

Imagem capturada a 29 de Maio após desconfinamento na Praia do Furadouro, Ovar. @barbara-oliveira

Imagem capturada a 29 de Maio após desconfinamento na Praia do Furadouro, Ovar. @barbara-oliveira

Por Bárbara Oliveira

____________________________________________________________________

Vila Nova de Gaia

Vila Nova de Gaia foi uma das cidades mais fustigadas pelo Covid-19. Chegou a ser o concelho com maior número de novos casos em 24 horas. Sendo os idosos um grupo de risco houve uma grande preocupação com os lares que nesta cidade foram bastante afetados pelo novo coronavírus. Apesar do cenário ser assustador à lares que escaparam imunes a esta pandemia como aconteceu com a Casa da Quinta da Feiteira. 

Vila Nova de Gaia é uma cidade da Área Metropolitana do Porto e pertence ao distrito do Porto, localizado na Região Norte de Portugal. É o terceiro município mais populoso do país, com mais de 300 000 habitantes e também é o mais populoso da região Norte. Mundialmente conhecido pelas caves de vinhos do Porto e do Douro, indústria automóvel, vidreira e de componentes eletrónicos, pelos seus artistas: músicos, pintores, escultores e arquitetos, e pelas atividades turísticas que acolhem por ano milhares de visitantes.

No dia 24 de março Vila Nova de Gaia já contava com 68 casos positivos. A Casa Quinta da Feiteira escapou ilesa a esta pandemia não registando nenhum caso positivo.

No período de confinamento decretado pelo Governo, e que teve a duração do dia 31 de março ao dia 2 de maio, Vila Nova de Gaia foi dos concelhos mais preocupantes. Sendo o 3º mais populoso do país chegou mesmo a ser o que mais casos teve em 24 horas. 

Gráfico da evolução da Covid-19 em Vila Nova de Gaia @debora-sousa

Tendo em conta a informação disponibilizada acima verificamos que Vila Nova de Gaia no dia 24 de março já tinha 68 casos positivos e no primeiro dia presente neste gráfico, referente ao período de confinamento, verificamos um aumento de 270 novos casos em apenas sete dias. 

Observando o gráfico sobre a evolução de casos da Covid-19 posso concluir que Vila Nova de Gaia demonstrou razões para ser uma das cidades mais preocupantes na luta contra o novo coronavírus, tendo essa preocupação começado ainda antes do período de confinamento. 

O aumento de casos foi acentuado em algumas fases. Logo nos primeiros dias existentes neste gráfico Gaia registou um aumento de 49 novos casos referentes a 31 de março e 1 de abril. Mais tarde verificamos que entre o dia 8 e 9 de abril houve 55 novos casos. No dia seguinte Gaia registava 79 novos casos do dia 9 de abril para o dia 10. 

Numa fase final do confinamento verificamos que nos dias 20 e 21 de abril Gaia apenas teve um aumento de seis novos casos. Tendo imediatamente subido poucos dias mais tarde, entre o 22 e o 23 de abril, subindo para 95 novos casos. Foram registados 83 novos casos no dia 26 de abril.

Até ao final do confinamento Vila Nova de Gaia não apresentou mais aumentos significantes, tendo até mantido 1263 casos por três dias consecutivos. Daí para a frente o número de novos casos foi diminuindo e o período de confinamento terminou com 1413 casos da Covid-19 em Gaia.

Casa Quinta da Feiteira

O projeto Alface Freska nasceu em 2013 como um ATL Sénior com Serviço de Apoio Domiciliário pelas mãos de Doroteia Áurea Domingues. O apreço pelos idosos já fazia parte dos valores de Doroteia e daí até o seu sonho se tornar realidade não tardou muito. Fez várias especializações na área da terceira idade e nos cuidados que estes necessitam para poder tornar realidade aquilo que até então estava apenas na sua mente. Tem o propósito de ser um espaço diferente e inovador, como se verifica pelo nome Alface Freska, a ideia foi fugir ao nome habitual dos espaços que acolhem pessoas idosas. É um espaço colorido, vivo, diferente, acolhedor e que se foi posicionando na comunidade como um lugar de excelência no acompanhamento, cuidado e entretenimento de idosos.

Em 2018 e ao fim de 5 anos o sonho de Doroteia Domingues cresceu. Ganhou novas proporções e claramente uma forma bastante maior. Foi assim que nasceu a Casa da Quinta da Feiteira, um espaço que oferece a possibilidade de cuidar mais e melhor das suas “alfaces”. “Um espaço onde as pessoas se sentem revigoradas e frescas como verdadeiras alfaces, rodeadas por cores apelativas e pela natureza tão impulsionadora.”

Na Casa Quinta da Feiteira os utentes podem ficar permanentemente, temporariamente ou apenas um fim de semana. Um fim de semana que pode ser muito importante e que surgiu para dar resposta a um grupo de pessoas que nem sempre é lembrada, os cuidadores.

Definidos como uma equipa especializada e inteiramente dedicada ao cuidado do idoso. A equipa da Casa da Quinta da Feiteira conta vários funcionários dos quais cuidadoras, educadora social, animadora sociocultural, fisioterapeuta, médico e enfermeira. 

Na Casa da Quinta da Feira foram implementadas diversas medidas de prevenção e de contingência começando pelo encerramento “A 8 de março fechamos as visitas no lar e na semana seguinte, fechamos o centro de dia.”. Desde então seguem todas as normas recomendadas pela Direção Geral de Saúde para prevenir o contágio dos doentes de risco de quem cuidam. 

Vila Nova de Gaia foi dos concelhos mais afetados pela pandemia, chegando mesmo a ser o mais afetado. Segundo Doroteia Rodrigues, proprietária do lar, a Casa da Quinta da Feiteira escapou imune ao novo coronavírus “nunca tivemos nenhum caso positivo no lar. Fizemos os testes com o apoio da Câmara de Gaia e toda a equipa de trabalho e utentes, deram negativo.” Desde que Portugal está a lidar com a Covid-19 a Casa da Quinta da Feiteira tem a lamentar duas perdas “Durante estes meses faleceram 2 homens mas por morte natural e não por Covid-19, até porque ambos tinham testado negativo.” afiança Doroteia Domingues.

Com um espaço que acolhe 17 utentes em valência de lar, 12 utentes em centro de dia e ainda 13 funcionárias todos os cuidados poderiam parecer poucos. A proprietária assegura que “armou” os seus funcionários com todas as competências para lidarem com este inimigo “Foi-lhes dada toda a informação necessária e formação para que entendessem também o papel vital delas, neste momento tão difícil. Desde as medições de temperatura à entrada e saída, a troca de roupa/calçado e desinfeção antes de entrar no lar, até ao transporte ser feito por nós para evitarem os transportes públicos, as funcionárias sem carro próprio. Toda a higiene da casa, foi reforçada.”.

A função da Casa da Quinta da Feiteira é acolher idosos mas numa situação tão complicada como a que o mundo atravessa Doroteia Domingues alegra-se de ter mantido todos os idosos consigo “Apesar de termos enviado uma circular a perguntar se tinha intenção de levar o seu familiar para casa, todos responderam que confiavam em nós e assim se mantiveram todos os utentes”.

Excerto do exemplar da circular para as famílias dos utentes

Doroteia Domingues deixa a modéstia de lado enquanto fala sobre o futuro e afirma “A Casa da Quinta da Feiteira, é sem falsa modéstia, um exemplo a copiar por outras instituições. Sabemos que temos que continuar com as medidas apertadas. Isto está longe de ter terminado.”

O futuro passa pelo restabelecimento das visitas dos familiares aos utentes do lar e estas iniciaram na Casa da Quinta da Feiteira “As visitas foram autorizadas no dia 2 de Junho e começamos a 3 de Junho a agendar as visitas. Mais uma vez, cumprindo com o máximo de rigor ao proposto pela DGS, ajustamos à nossa casa.”. Algumas das medidas para as visitas serão agendamento prévio; duração de 30 minutos; registo de visitantes por data, hora, nome, contacto e residente visitado; distanciamento físico; os visitantes não podem levar objetos pessoais; entre outros, de forma assegurar que continuam sem casos positivos da Covid-19 como aconteceu até aqui. Além das medidas exigidas pela DGS a proprietária tomou outras medidas como o teletrabalho por parte da própria e da diretora “Temos 7 colaboradoras a trabalhar e 3 afastadas dos idosos para substituir em caso de necessidade”. 

A Casa da Quinta da Feiteira é uma instituição privada e como tal as ajudas por parte do Governo foram inexistentes “Todo material como EPI’s e todo o equipamento, que na altura estava caríssimo e difícil de encontrar, foi tudo suportado por nós.”. Doroteia considera que a informação foi um bem valioso e “a ARS e Unidade de saúde publica, tem feito um trabalho de proximidade. Envia-nos muita informação e com detalhes e orientações muito importantes. Também por contacto telefónico, temos recebido muita disponibilidade da parte do Delegado de Saúde o Dr. João Moreira.”

Os testes à Covid-19 providenciados pela Câmara de Gaia a todos os lares da cidade, sem distinção dos públicos e privados, foram uma mais valia “A Câmara de Gaia também seguiu de muito perto, em que todas as semanas, nos contactava para saber informação atualizada e sempre com a disponibilidade total para o que fosse necessário. Os testes foram muito bem-vindos e sem dúvida, uma excelente iniciativa da câmara.”.

Apesar de não terem nenhum caso positivo a possibilidade de virem a ter não foi uma realidade muito distante deste lar. Após o internamento de uma utente do lar no hospital esta acabou por contrair o novo coronavírus. O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho forçou à receção desta utente do sexo feminino na Casa da Quinta da Feiteira que havia testado positivo à doença SARS-CoV-2 “Tivemos que nos preparar fisicamente e com equipamento específico para reintegrarmos uma utente que foi infetada no hospital e nos quiseram obrigar a aceitá-la. Tivemos que investir um valor “doido” para nos preparamos. Felizmente, ela deu 2 testes negativos antes de voltar e apenas tivemos que lidar com ela como caso suspeito, no isolamento obrigatório. Mas despesa … essa já tinha sido feita. Felizmente, temos o material guardado e espero não ter que o usar.”.

Período de desconfinamento

Gráfico dos casos após o descofinamento @debora-sousa

Vila Nova de Gaia foi dos concelhos mais afetados durante a pandemia da Covid-19 e após o desconfinamento a 2 de maio o panorama em Gaia não se modificou muito. O aumento de novos casos manteve-se apesar de ligeiramente mais contido, chegando a ter alguns picos mais acentuados. No dia 19 de maio é possível verificar uma subida de 25 novos casos no concelho. Este aumento foi o mais intenso durante o desconfinamento. É possível verificar através de fotografias capturadas a 19 de maio no Jardim do Morro que os gaienses já retomaram a uma nova normalidade e que a procura por espaços públicos tem aumentado.

A 1 de junho iniciou-se a terceira fase de desconfinamento em Portugal e Vila Nova de Gaia já ultrapassou os 1500 casos positivos da Covid-19, tendo a dia dois de junho 1578 casos positivos da Covid-19.

Capturada a 19 de maio no Jardim do Morro em Vila Nova de Gaia @debora-sousa

Por Débora de Sousa

____________________________________________________________________

Póvoa de Varzim

A Santa Casa de Misericórdia da Póvoa de Varzim foi um dos lares sem casos no Norte do país. Apesar do caos instalado na cidade após a vinda de Luís Sepúlveda, a cidade agiu prontamente. Equipada com um Covi-Drive e medidas hospitalares rigorosas, Póvoa de Varzim contou com cerca de metade dos casos da cidade vizinha.

Póvoa de Varzim é uma cidade portuguesa situada na região Norte. Situada numa planície costeira arenosa, entre os rios Minho e Douro, conta com 40 053 habitantes no seu perímetro urbano. É sede de um município com 82,21 Km² de área e com 63 408 habitantes.

Vista Póvoa de Varzim | Direitos Reservados

No passado dia 15 de fevereiro de 2020 realizou-se a 21ª edição do festival literário “Correntes d’ Escritas”, na Póvoa de Varzim, que se prolongou até dia 23 do mesmo mês.

Luís Sepúlveda foi um dos escritores convidados para este evento e por esse mesmo motivo esteve presente de 18 a 23 de fevereiro. O escritor esteve em contato com centenas de pessoas ao longo da duração do mesmo. No âmbito do Correntes d’Escritas, Sepúlveda, de 70 anos, partilhou a mesa a mesa de debate, no dia 20, com os escritores portugueses José Luís Peixoto, José Gardeazabal e Paula Lobato Faria, a espanhola Marta Orriols e o tradutor alemão Michael Kegler. O escritor fazia-se acompanhar da sua mulher Carmen Yañez, de 66 anos, e durante esses seis dias, estiveram alojados no hotel Axis Vermar.

A cidade mostrou-se preocupada, após se confirmar que o escritor estava infetado com a Covid-19 ( resultado divulgado dia 29 de fevereiro). De acordo com Manuela Ribeiro, da organização do festival Correntes d’Escritas, que falou ao jornal Expresso, a organização do festival literário foi “apanhada de surpresa” depois de ver as notícias. A organizadora do festival, afirma que o escritor “já estava bastante constipado quando nos despedimos”, não sendo certo se já tinha contraído o vírus antes, se o contraiu em Portugal ou até se o contraiu mais tarde.

Após este episódio, a Póvoa de Varzim entrou em alerta.

No dia 2 de março, foi conhecido o primeiro resultado relativo à Covid-19. Uma das colaboradoras do Axis Vermar realizou o teste e deu negativo.

A cidade começou a partir daí a declarar uma série de eventos e atividades como cancelados, como foi o caso do evento “Glamour”, a gala dos 104 anos do Varzim, entre outros. A atividade pastoral também foi suspensa.

A 13 de março, o Centro Hospitalar Póvoa de Varzim-Vila do Conde anunciou novas medidas de prevenção face à Covid-19, começando pela suspensão temporária de visitas a doentes internados, existindo algumas exceções.

Avenida dos Banhos | Direitos Reservados

Em virtude do surto de COVID-19, as principais artérias da cidade poveira passam a estar praticamente vazias. (fotos referentes ao dia 16 de março)

Rua da Junqueira | Fonte Vicente Maio

No dia 18 de março de 2020 foi decretado o estado de emergência em Portugal.

A 19 de março, a Câmara da Póvoa decretou mais medidas destinadas a proteger funcionários do município e a população em geral da Covid-19. Mercado Municipal e Cemitérios com novas regras de funcionamento.

A 22 de março, pleno domingo, o sol surge e traz os poveiros à rua, causando polémica. Apesar das recomendações das autoridades e da DGS , o dia foi aproveitado por quem passeou na marginal que liga a Póvoa de Varzim a Vila do Conde.

Marginal | Direitos Reservados

A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim aplicou medidas de restrição de acesso à cidade e de circulação na marginal. Segundo a Lusa, o presidente da Câmara, Aires Pereira, não quer ver repetido o episódio de domingo, no qual se puderam ver centenas de pessoas a passear na marginal, infringindo o estado de emergência.

Medidas de restrição de acesso | Direitos Reservados

A unidade de saúde do Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, sendo um dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, a partir de 26 de março, passou a receber e a tratar de doentes da sua área de referência com suspeita ou confirmação de Covid-19. De acordo com fonte hospitalar, “passamos a ter uma pré triagem e espaços separados Covid-19 e não Covid-19”.

Nesta fase, a cidade da Póvoa de Varzim, ainda muito embrionária no que diz respeito à pandemia da Covid-19, regista 13 casos no dia 26 de março e 15 no dia 27.

Após o dia 2 de abril, todas grávidas em final de gestação, bem como pacientes com operações marcadas, passaram a ter de fazer obrigatoriamente de fazer um teste de despiste à Covid-19 no Centro Hospitalar Póvoa-Varzim-Vila do Conde (CH). Apenas os utentes com resultado negativo são atendidos, sendo que, os restantes deverão ser encaminhados para outros hospitais da região.

O administrador do CH, Gaspar Pais, em declarações para o Mais Semanário afirma que “Estamos apenas a garantir que os nossos utentes não sejam um risco para os outros pacientes e profissionais. Iremos testar os utentes que venham a ser operados e as grávidas em fim de termo, por uma questão de segurança de todos”

Ao analisar o número de casos é possível notar uma estabilização entre o dia 4 e o dia 6 de abril.

A 9 de abril regista-se menos um caso face ao dia anterior. A DGS assume a descida e os número de casos desce. Por outro lado, no dia 10 de abril dá-se a primeira subida mais significativa, ou seja, de 33 casos passaram para 47.

A 13 de abril chega à Póvoa de Varzim uma unidade móvel que permite fazer testes à Covid-19 sem sair do carro. As pessoas passam assim a evitar deslocações à Maia ou ao Porto, uma vez que estas eram as cidades mais próximas com equipamentos semelhantes.

Covi Drive | Direitos Reservados

A unidade “ficará instalada junto ao hospital da Póvoa”, fez saber Aires Pereira e “é dirigido às pessoas que têm prescrição médica e as marcações de exames serão feitas através de uma linha telefónica própria”.

Segundo o Mais Semanário, nos dois primeiros dias, segunda e terça-feira, foram realizados testes a 115 pessoas. Entre quarta e sexta foram realizados 100 testes por dia e, durante o fim de semana, mais 120, com 60 no sábado e outros tantos no domingo. Entre o dia 13 e 17 de abril foram realizados mais de 530 testes.

Entre o dia 13 e o dia 21 registaram-se subidas constantes. O mesmo deveu-se ao aumento do número de testes realizados.

Entre os dias 21 e 22 o número de caso encontrou-se estável. No dia 23, registou-se uma subida de 5 infetados que se manteve durante 3 dias. O mesmo se verificou após mais um pico registado no dia 25. Entre o dia 27 e o dia 28 os números mantiveram-se.

Os restantes dias não registaram grandes subidas.

Póvoa de Varzim em confinamento @vania-maio

No dia 3 de maio, inicia-se o estado de calamidade.

O Mais Semanário comunica, a 14 de maio, que a Associação Pró Maior Segurança dos Homens do Mar (APMSHM) prevê que cerca de dois mil pescadores, que operam na zona norte do país, possam, em breve, ser testados à covid-19.

A 18 de maio começa a instalar-se a “normalidade”. Começam a abrir as escolas, os restaurantes e começam a ser autorizadas as visitas aos lares.

Os números sofreram uma subida mais lenta nesta fase. Entre o dia 13 e o dia 18, o número estagnou nos 145 casos.

A 24 de maio, os pescadores começam a fazer testes para retomar a atividade no dia 1 de junho. Cerca de 100 pescadores da pesca do cerco, realizaram testes à Covid-19. Com estes testes, os profissionais da pesca querem garantir que vão exercer o trabalho em segurança, nomeadamente na atividade da pesca da sardinha que teve início a 1 de junho.

Domingo, 24 de maio, milhares de pessoas aproveitaram as boas temperaturas para irem até às várias praias do concelho poveiro após mais de dois meses de confinamento.

A 28 de maio já se conhecem os resultados dos testes ao novo coronavírus realizados no domingo a uma centena de pescadores. “Deu tudo negativo”, informa a Apropesca, cujo presidente Carlos Cruz também se submeteu aos exames.

Fecha no último dia de maio, dia 31, a Covid-Drive instalada junto ao hospital da Póvoa de Varzim. O centro de rastreio ao novo coronavírus “já não se justifica”, explica a Câmara, tendo em conta “o reduzido número” de infetados no concelho. “São apenas 12 e estão todos confinados”, lembram. De 13 de abril a 31 de maio, terão sido realizados cerca de 1250 testes.

Dia 21 e 22, os números mantiveram-se. Daí para a frente os números iam aumentando de forma muito lenta e com vários dias de estagnação.

 Nos últimos dias do mês de maio e inícios de junho os números mantiveram-se em todo o Norte.

Póvoa de Varzim durante o desconfinamento @vania-maio

Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim

A instituição da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim foi criada em 1756 por diligência da Câmara Municipal e auxílio pecuniário de Maria Fernandes da Vila Velha. 

A Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim tem vindo, ao longo dos seus 251 anos de existência, a prestar apoio a idosos, doentes, pessoas com paramiloidose, bem como desfavorecidos.

O Lar de Idosos encontra-se a funcionar desde 1882, com o objectivo de proporcionar uma boa qualidade de vida, ajudas morais e materiais a pessoas idosas que têm grandes carências ou cujos familiares não possuem condições para manter os idosos em suas casas.

Entrada da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim | Direitos Reservados

A Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim apresenta vários serviços sociais. Entre eles existem o Apoio à Paramiloidose (C.E.A.P) que mantém a sua intervenção junto dos doentes com Paramiloidose e suas famílias, bem como apoio às mesmas através de consultas externas, apoio domiciliário, apoio social e psicológico; o Apoio Domiciliário (S.A.D); Centro de Dia que apresenta capacidade para 60 utentes e assegurando as refeições diárias, higiene pessoal e cuidados de imagem, atividades lúdicas, acompanhamento psicossocial, acompanhamento médico e de enfermagem, administração da medicação, estimulação cognitiva e física e apoio em tarefas quotidianas; Emergência Alimentar (P.E.A) e Estrutura Residencial para Idosos, constituída pelo Pensionato, pelo Lar de Idosos Nossa Senhora da Misericórdia e pelo Lar de idosos de Grandes Dependentes com capacidade para 57 utentes.

Com a vinda do novo Corona Vírus, todo o país sofreu alterações no que toca ao funcionamento dos estabelecimentos. Os idosos, por serem o grupo mais vulnerável às consequências de uma infeção por Covid-19 e aquele com maior mortalidade registada necessitam de uma proteção reforçada.

 “Fomos implementando vários procedimentos internos. Começamos a 2 de março a introduzi-los de forma gradual para assegurar a segurança de todos.” afirma a provedoria.

Em conversa com a provedoria foi possível apurar todo um cronograma, bem como todo um mapeamento de medidas graduais que foram sendo implementadas.

Nos dias 2 e 3 de março, realizou-se uma sessão essencialmente dirigida a quem lida diretamente com os utentes, que contou com 110 trabalhadores. Ainda no dia 3 de março, deu-se a 1ª edição do Plano de Contingência, sendo atualizada de acordo com legislação ou normativos da Segurança Social ou da Saúde. Atualmente o Plano de Contingência vai na sua 16ª Edição.

A 7 de março deu-se o encerramento da ERPI e Unidades de Cuidados Continuados a visitas.

A partir de 20 de março as reuniões internas passaram a adotar o regime não presencial. 

Os funcionários da Santa Casa da Misericórdia foram testados à Covid-19, entre os dias 26 e 28 de abril, apresentando resultados negativos. Virgílio Ferreira, provedor da instituição declara que os 193 trabalhadores foram submetidos ao teste. Os testes foram dirigidos só aos funcionários, dado que poderiam ser o foco de transmissão para o interior das instalações da Misericórdia, em virtude do confinamento existente para com os utentes.

No que toca aos turnos também existiram mudanças. “A partir do dia 30 de março optamos por mudar as coisas. As passagens de turno deixaram de ser presenciais e as equipas passaram a trabalhar vários dias seguidos e depois descansam, alternando as equipas.”

No que toca ao apoio domiciliário, a 30 de março, este passou a ser realizado com uso de viseiras e uso de equipamento descartável pelos trabalhadores que prestam apoio aos utentes das diferentes valências, sendo estes kits disponibilizados pela instituição aos trabalhadores em questão.

Já no dia 6 de abril passou a ser obrigatório de viseiras nos trabalhadores que prestam cuidados próximos aos utentes no estabelecimento. No mesmo dia foram realizados testes serológicos e testes à Covid-19 (foram obrigatórios) aos trabalhadores que retomaram ao serviço, após ausência prolongada por baixa ou outros motivos, bem como todas as novas admissões, com validação da Medicina no Trabalho.

No que toca às visitas, estas passaram a ser realizadas de um novo modo. Os visitantes devem informar a instituição para que se possa realizar um agendamento prévio e a respetiva desinfetação. Para além disso, é agora necessário o registo dos visitantes contendo a data, hora, nome, contacto e residente visitado.
Para os visitantes, a nova realidade passa pelo cumprimento de todas as medidas de distanciamento físico, etiqueta respiratória e higienização das mãos.

Não foi possível recolher informação no que toca a dados numéricos de utentes, nem a possíveis saídas.

De um modo geral , as medidas adotadas pela Santa Casa da Misericórdia, apesar de faseadas, vieram para ficar.

Para a provedoria da instituição “O futuro ainda é muito incerto mas estamos confiantes que vamos manter a saúde aqui”

Por Vânia Maio

____________________________________________________________________

Guarda

A casa de saúde Bento menni, localizada na cidade da Guarda, foi apanhada de surpresa pela COVID-19. Dois funcionários na instituição foram infetados, por este novo vírus, porém a transimaçao não se alastrou aos utentes residentes na instituição. Esta casa continua em alerta, para o surgimento de eventuais novos casos.

A Guarda é a cidade mais alta de Portugal, encontrando-se a 1056m de altitude, com 26 565 habitantes no seu perímetro urbano.

O Hospital Sousa Martins foi indicado como hospital de referência atendendo às suas condições adequadas de instalações, equipamentos existentes no denominado Pavilhão Novo, à capacitação do seu Laboratório de Patologia Clínica e ao reconhecimento da competência técnica e profissionalismo dos seus recursos humanos. Assim sendo, não foram só os casos da cidade que chegaram a esta unidade de saúde.

O dia 15 de março de 2020 foi marcado pelo aparecimento do primeiro caso confirmado, de Covid-19, segundo revelou a ULS (Unidade Local de Saúde) da Guarda.  Tratou-se de um homem com idade entre os 40 e os 50 anos, residente em Viseu, camionista de profissão, que tinha regressado, recentemente, do estrangeiro: Itália, França e Espanha.

No interior do país, são bastantes as zonas onde não existem concelhos com pessoas infetadas (ou menos de três). Há destaque para a zona interior da Beira Alta, onde está inserida a Guarda. Prova disso são os baixos números de infetados na cidade.

Gráfico da evoluçao de casos da covid-19 na Guarda @raul-gaspar

Segundo as, estatísticas, os números de casos na Guarda não foram, nem são preocupantes, sendo que o número de contagiados subiu muito lentamente, e não de forma abrupta.

No dia 31 de março, segundo o gráfico acima apresentado, registaram-se 3 casos confirmados, número que se manteve até ao dia 2 de abril. A 6 de abril, o número subiu para 5 infetados, tendo-se verificado, no dia seguinte, uma diminuição para 3. O número de casos confirmados na Guarda foi constante até dia 8. No dia 9 dá-se conta da maior subida até então, pois o número de infetados subiu de 3 para 14, não havendo uma justificação para esta ascensão. A partir do dia 9 os casos foram aumentando e no dia 23 de abril, contabilizaram-se 20 infetados. Este número manteve-se até ao dia 2 de maio.

Este valor, considerado estável, deve-se ao comportamento exemplar dos egitanienses que se mantiveram nas suas residências, bem como ao facto do interior do país, ter sido pouco afetado pelo novo vírus.

Centro da cidade da Guarda; fonte: google
Jardim José de Lemos; fonte: jornal “O Interior”

Segundo o gráfico de desconfinamento, nos primeiros 10 dias os números oscilaram entre os 20 e os 21 infetados. De16 de maio a 2 de junho os números mantiveram-se constantes, tendo andado entre os 24 e os 25.

Gráfico da evolução dos casos da covid-19 durante o desconfinamento @raul-gaspar

Casa de Saúde Bento Menni

A Casa de Saúde Bento Menni (CSBM) é um estabelecimento de saúde, localizado na cidade da Guarda, que iniciou a sua atividade em abril de 1994. É gerido pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). Este Centro assistencial está vocacionado para a prestação de cuidados em saúde mental, integrando as áreas de psiquiatria, psicogeriatria e deficiência mental, com uma afincada preocupação pela prevenção, tratamento e reabilitação das pessoas que recorrem aos seus serviços, em sintonia com o Modelo Hospitaleiro.

Atualmente, acolhe 180 utentes que se encontram internados, sendo a maior parte deles doentes de média e longa duração. Conta também com 106 funcionários, que se distribuem pelas várias áreas e atividades que ali decorrem.

Contactada a Instituição, nomeadamente a Direção, não obtivemos respostas. Segundo fontes anónimas, funcionários da casa de saúde mental, o estabelecimento terá sido alvo de recentes investigações por parte da CMTV, aquando detetados casos de Covid-19. O hospital recebia, constantemente, telefonemas anónimos e mails não identificados. A instituição anda de “pé atrás”, em resultado da insistência e dos meios pouco ortodoxos deste canal televisivo, para obter informação, tendo-se instalado a desconfiança e o silêncio.

Depois de muita persistência, conseguimos realizar a entrevista a dois funcionários da Casa de Saúde Bento Menni. Estes, não quiseram identificar-se uma vez que foram proibidos pela Direção, após a investigação da CMTV, de prestarem qualquer informação ou declaração.

O nosso primeiro entrevistado referiu que desde que se começou a falar em Covid-19 e sabendo-se da sua rápida propagação, foram aplicadas todas as normas de contenção, propostas pela DGS, isto é, foram distribuías máscaras, quer aos utentes como aos funcionários, bem como espalharam desinfetantes pelos corredores. Foram proibidas as visitas e alguns setores foram fechados, tendo os utentes ficado limitados a uma zona restrita, onde continuaram a ter acesso ao bar da instituição e aos jardins. Desta forma, apenas os funcionários estavam autorizados a circular pelos corredores do hospital.

Ainda a este respeito, o segundo entrevistado afirmou que, num primeiro momento, o uso de máscaras não foi logo aplicado, uma vez que não havia certezas de que a utilização das mesmas, resolveria o risco de contágio.  A Casa de Saúde Mental está dividida por enfermarias, onde normalmente os doentes se deslocavam para fazerem o que quer que seja, mas por segurança, passaram a ser os funcionários a deslocarem-se à zona restrita, onde se encontram os utentes. O entrevistado dois, acrescentou que a partir do momento, em que alguns departamentos foram fechados, “deixou-se de fazer o trabalho de reabilitação, e apenas se fazia um trabalho de acompanhamento.”

Todo o trabalho, por parte dos funcionários, foi feito em espelho, ou seja, divididos por equipas, trabalhavam quatro dias consecutivos e folgavam outros 4, alternando-se as equipas.  

Antes desta situação, o horário de trabalho era diferentetrabalhava 8 horas diárias, tendo 2 horas para ir almoçar a casa. Com o aparecimento do vírus, comecei a trabalhar por turnos, fazendo 10 horas por dia, deixei de ter o mesmo tempo para almoçar, bem como almoçava no refeitório da instituição” – declara o entrevistado 2.

 O entrevistado 2 afirma ainda que “desta forma sentíamo-nos mais seguros, dentro do possível”. Testemunhou também que não foi necessário, qualquer reforço nas equipas.

Segundo a primeira fonte, durante todo este tempo, “nenhum utente abandonou as instalações por medo de ser contagiado pelo novo vírus, pois era-lhes transmitida toda a confiança e segurança necessária, sentindo-se assim seguros”. Esclareceu também que “o estado não ofereceu qualquer tipo de ajuda, porém, tivemos o auxílio da Câmara Municipal da Guarda e de algumas empresas privadas da zona, que forneceram à Casa de Saúde Bento Menni, máscaras, viseiras e desinfetantes”.

Relativamente a ajudas, o entrevistado 2 relatou que foi importante o Programa Extraordinário de Apoio “SALVAGUARDA”, aplicado pela Câmara Municipal da Guarda, uma vez que entregaram equipamentos de proteção individual à IPSS, bem como comparticipou na realização de testes para a Covid-19 “Esta iniciativa foi crucial porque até há duas semanas, não tinha sido feito nenhum teste na instituição. A casa não teve essa iniciativa”.

Apesar de todos os esforços, recentemente, foram detetados dois casos de Covid- 19 em dois dos funcionários, no estabelecimento” – disse o primeiro entrevistado. “Um deles não trabalhava diretamente com os doentes e o outro trabalhava. Contudo, como este último tinha estado quatro dias de folga, e realizou o teste num desses dias, não transmitiu o vírus aos utentes. Mal se soube o resultado dos testes, que deram positivos, os dois funcionários foram de imediato encaminhados para casa, e ficaram em isolamento” – concluiu a primeira fonte.

Foi graças à Camara que se evitou um possível contágio em massa. A fonte revela ainda que “Primeiro testaram os funcionários. Dos 106 funcionários, dois estavam infetados, não tendo havido sintomas, e 13 dos testes foram inconclusivos. Estes 13, tiveram de repetir o teste, e felizmente, não estavam doentes. Seguidamente, os testes foram alargados a todos os utentes e não se registou nenhum caso. Ficámos mais tranquilos, contudo, apanhamos um susto”.

Os entrevistados disseram ainda que, até ao momento, não foram detetados mais casos, bem como os utentes já recebem visitas “as visitas são feitas através de um vidro, não existindo assim contacto físico e cada visita tem apenas a duração máxima de 20 minutos” – testemunharam.

Esta casa de saúde, dispõe de uma igreja onde é celebrada a missa, pois trata-se de uma instituição gerida por irmãs hospitaleiras. O entrevistado 1 partilhou ainda que as celebrações religiosas ainda não estão a ser celebradas, e que tão cedo não acontecerão.

Por Raúl Gaspar

____________________________________________________________________

É possível verificar que as cidades continuam a impor as medidas recomendadas pela Direção Geral de Saúde e fecharam alguns espaços públicos. O número de infetados não sofreu muitas oscilações apesar de as cidades já terem novos casos. Os vários lares referenciados ao longo da reportagem já têm novas normas. Já há visitas com várias restrições e o estado de alerta será sempre mantido pela proteção deste grupo de risco.