A quarentena de uma atleta profissional
Texto: Andreia Oliveira

Claudia Ferreira tem 21 anos, reside em Viana do Castelo, e está a frequentar a licenciatura de Engenharia de Gestão Industrial, na Faculdade de Engenharia do Porto. Para além disto, é atleta profissional e integrante na Seleção Nacional pelo projeto Olímpico. Atualmente representa o Sporting Clube de Portugal.
Desde que a faculdade encerrou e interrompeu o funcionamento presencial, esteve em casa de quarentena. Dividiu o seu tempo entre aulas online, trabalhos académicos e treinos em casa, uma vez que os estabelecimentos de treino também encerraram.
“Tenho a sorte de poder aqui à volta e de ter espaço próprio desenvolvido ao longo dos anos por mim e pelo meu pai.”
O desporto e a faculdade sempre estiveram em harmonia. Claudia refere que sempre os viveu de forma equilibrada. Continua a conjugar as aulas com os treinos, é com alguma satisfação que afirma que, “chego às cerca das 17h vou treinar até às 20h da noite, é assim os meus dias, 6 dias por semana e tenho um dia de descanso”.
O facto de estar em casa, devido ao coronavírus, implica que esses dois mundos se misturem, causando um pouco de confusão à sua rotina e como lida com ambos.
“O facto de estar em casa parece que tenho menos tempo”, reflete a atleta.
A pandemia veio alterar todo o planeamento desta época desportiva. Grandes provas foram canceladas, dificultando a conquista dos objetivos que tinha em mente, como a presença em grandes palcos internacionais.
A Taça da Europa de Lançamentos, um dos maiores objetivos desta época – onde havia a espectativa de obter uma boa marca – foi uma das provas canceladas e que deixou a atleta um pouco desanimada, porém “é procurar ser positivos e continuar a trabalhar”.
É o seu último ano de Sub23, e a atleta do Sporting não o vai terminar da forma que desejava. Em contrapartida, sente-se muito apoiada pelo clube.
Monótona, incerta, pessoal e temporária, são as quatro palavras que usa para descrever esta quarentena. Os maiores desafios durante este período foi a distância das suas amizades. Reflete sobre a importância do abraço neste tempo, e gostava que o “abraço estivesse associado a alguma liberdade, e como estamos assim, não sei se toda a gente tem alguém que possa abraçar”. Destaca ainda para a importância do aconchego durante um tempo de incerteza, como o que vivemos.
Contudo, acredita que este período está a ser útil para se perceber as coisas valiosas da vida.
Pode conhecer o seu testemunho aqui.