Equipa de Andebol do Colégio de Gaia na tentativa de remate contra a pandemia

Voltar
Escreva o que procura e prima Enter
Equipa de Andebol do Colégio de Gaia na tentativa de remate contra a pandemia

[Texto de Ana Catarina Ferreira, Ana Pascoal Ferreira e Juliana Silva]

O Colégio de Gaia é um exemplo de superação de casos positivos de atletas de andebol por COVID-19. O clube gaiense conta ao #infomedia como acompanhou as atletas e como o trabalho de equipa contribuiu para superar o isolamento profilático com dicas nutricionais e uma gestão eficaz das saúdes física e mental. Agora, com vários jogos à porta, planeia o futuro para tentar recuperar o ritmo, com os devidos cuidados.

Casos positivos

Beatriz Figueiredo a rematar

O clube de andebol feminino Colégio de Gaia, sediado na região Norte de Portugal, foi um dos prejudicados pelo impacto negativo da pandemia. Desde o início da época 2020/2021, a equipa gaiense, com um plantel de 19 atletas, registou um total de sete casos. O primeiro caso positivo na equipa registou-se no dia 30 de outubro e os restantes seis surgiram um, dois e três dias depois. Após estar confirmado o segundo e terceiro casos, o representante do clube entrou em contacto com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Gaia, explicitando o sucedido. No dia 1 de novembro de 2020, a entidade competente decretou o isolamento profilático de 14 dias para todas as atletas e também a equipa técnica.

De acordo com o testemunho das atletas infetadas, os sintomas mais frequentes foram “tosse, dores de cabeça, de corpo e de garganta”. Com o aumento progressivo dos casos, no dia 4 de novembro de 2020, a Autoridade de Saúde do ACES de Gaia entrou em contacto, via e-mail, com cada uma das atletas e com a respetiva equipa técnica. Nesse contacto, estava explícito que as jogadoras que ainda não tinham realizado o teste à COVID-19 tinham de o fazer.  As jovens gaienses saíram do isolamento profilático no dia 11 de novembro e retomaram os treinos. Como consequência da pausa a que foram obrigadas, o clube adiou quatro jogos, levando à realização de seis jogos no mês de janeiro.

Beatriz Figueiredo, de 20 anos, foi o primeiro elemento da equipa a testar positivo à COVID-19. Recorda que “antes de ficar infetada tinha noção do risco que corria ao jogar andebol”, por isso limitou-se ao contacto físico com o seu agregado familiar e a sua equipa, destacando: “o desporto sempre foi bastante importante para mim e era algo que eu não queria interromper”.

Cuidar da saúde física, apesar da “desmotivação”

Como todos os outros clubes desportivos, o Colégio de Gaia teve de se adaptar às circunstâncias impostas pelo desafio de saúde pública. Plataformas digitais como o Zoom foram a solução para manter os treinos, ainda que à distância. Além de refletir um recurso para superar alguns dos obstáculos impostos pela COVID-19, a saída encontrada retrata uma ferramenta para preservar a boa performance das atletas. A preparadora física do clube, Isabella Rezende, afirma que “mesmo que as jogadoras e a equipa técnica façam todo o esforço possível para treinarem em casa, as condições não são as mesmas que encontramos no campo durante um treino dito normal”. Explica ainda que exercícios de fortalecimento com pesos e objetos adaptados são fundamentais no contexto de isolamento, além do “treino cardiorrespiratório com corrida ao ar livre, dentro das normas de segurança, ou até mesmo por meio da metodologia High Intensity Interval Training (HIIT)” – treino de alta intensidade composto por curtos períodos de exercício, seguido de um intervalo de recuperação.

Apesar disso, impunha-se um sentimento de frustração entre as jovens. “Foi nítido como muitas atletas ficaram abaladas com esta situação e começaram a questionar como seria o andamento da época, dos treinos e jogos e, principalmente, qual o seu futuro na modalidade. Foi um momento conturbado”, desabafa Isabella Rezende, preparadora física do clube. Helena Soares, capitã da equipa gaiense, sublinha o importante acompanhamento por parte de Rezende. No entanto, frisa que “a falta de competitividade gera, naturalmente, uma desmotivação”. A atleta evidencia que “é impossível de recrear em casa” a técnica e a resistência física inerentes ao jogo. 

Fotografia cedida pela jogadora| Helena Soares

O #infomedia teve acesso a três planos de treino da equipa gaiense durante o isolamento profilático. O alinhamento de exercícios variava consoante a necessidade de trabalhar músculos e articulações diferentes. O primeiro circuito, de sete minutos, correspondia a exercícios de força de braços, pernas e abdominais. O segundo, com duração de 12 minutos, era, essencialmente, um trabalho de core, ou seja, trabalho abdominal, quadris e parte inferior das costas. O terceiro, também de 12 minutos, era composto por exercícios de agilidade, entre eles deslocamento lateral e prancha. No final de todos os treinos, realizavam-se dez minutos de mobilidade articular, de forma a prevenir lesões e aumentar a eficiência dos movimentos.

Contudo, durante cerca de dois meses, de junho a agosto, a equipa do Colégio de Gaia não treinou, devido ao término da época. Quando voltaram à competição, Helena Soares nota que as atletas tiveram uma quebra no desempenho. “Não tens a bola, não tens a competitividade que a tua colega de equipa te oferece, não tens a interação social que o desporto gera. Acaba por ser uma luta contigo mesma, para não diminuíres em demasia o teu rendimento desportivo/físico”, declara.

COVID-19 e o impacto no desporto

O andebol foi uma das modalidades afetadas pelo coronavírus e a Federação Portuguesa viu-se forçada a atualizar o regulamento da atividade. Emitiu, ainda, um plano de contingência, destacando a realização de provas à porta fechada como sendo uma das normas preventivas mais relevantes. No contexto português, em específico na I Divisão Feminina, existem 14 equipas de andebol, 12 em Portugal Continental e duas nas ilhas.
A presente crise económica no setor de desporto poderá comprometer, no período pós-pandemia, a continuidade da prática desportiva, tanto por parte dos atletas, como por parte dos clubes. Jorge Tormenta, responsável pelo Colégio de Gaia, reconhece que as maiores dificuldades centram-se “no suporte dos custos das atividades, uma vez que houve uma redução de sócios, de praticantes nos escalões jovens, e uma baixa nas receitas dos atuais patrocinadores”. A equipa gaiense já se debate com o afastamento de atletas devido à COVID-19.
A treinadora Paula Castro reconhece que “o grupo terá de lidar com esta situação como se de uma lesão se tratasse, e com a esperança de que o regresso seja o mais rápido possível”. Já a pensar no futuro, Jorge Tormenta mostra-se crente “nas vacinas programadas para 2021”, no entanto “tudo ainda é uma incógnita”.

Nova realidade para o Clube de Gaia

Fotografia cedida pela treinadora | Paula Castro

O desporto, exigindo contacto físico, é uma das áreas mais propícias ao contágio por COVID-19. O clube Colégio de Gaia adotou as normas de prevenção declaradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No pavilhão desportivo é obrigatória a higienização das mãos à entrada, a utilização de máscara até o treino iniciar e a moderação da partilha de materiais e equipamentos. A treinadora Paula Castro acrescenta: “desinfetamos as estruturas fundamentais nos treinos e nos jogos”. Garante ainda que “é assegurado o arejamento do pavilhão, preferencialmente com ventilação natural”.

Nos balneários, devidamente desinfetados, as atletas estão proibidas de tomar banho, “à exceção dos jogos”, assinala. De acordo com as normas da Direção Geral de Saúde (DGS), “no treino não é permitida a presença de pessoas externas ao grupo de trabalho, e nos jogos são seguidas as orientações específicas”, ressalva. Antes de entrarem no pavilhão onde se realizam os jogos, para além da desinfeção das mãos e do uso de máscara, também é feita a medição de temperatura corporal. Caso o jogo seja fora de Portugal, as atletas têm de fazer o teste à COVID-19.

Recomendações alimentares para as atletas

Fotografia cedida pela preparadora física | Isabella Rezende

A manutenção de uma alimentação saudável varia consoante a modalidade praticada, o tipo de treino e as fases de rendimentos de atletas. No andebol, desporto que exige um esforço físico elevado, é fundamental que sejam ingeridas boas quantidades de todos os nutrientes. Isabella Rezende, preparadora física,  esclarece que “uma dieta rica em frutas, legumes, verduras e minerais é fundamental, não só para manter as medidas, mas também para potencializar o sistema imunológico”.

A quarentena vivida entre os meses de março e junho teve repercussões de âmbito alimentar na vida das atletas. “É difícil manter uma alimentação saudável quando se está em casa”, explica Isabella. Aponta, porém, que “é essencial que as jogadoras vejam as refeições como um momento de autocuidado, criatividade e de descontração, e não como um instante para depositar frustrações e impaciências”.

Isabella Rezende conta-nos, ainda, que em período de isolamento, os especialistas recomendam a redução de um terço das porções ingeridas, visto que “as atividades diárias também são reduzidas”. Afirma que “é de extrema importância que as atletas procurem despender energia com os treinos em casa, de maneira a tornar a alimentação um momento de consumo de um combustível saudável, para conseguirem manter uma boa qualidade de vida”.

 História e missão do clube

Jorge Tormenta fundou, em 1983, o clube Colégio de Gaia. Iniciou o projeto como treinador e, atualmente, assume o papel de coordenador. A principal missão do clube é “contribuir para a melhoria do desenvolvimento da formação humana, utilizando o desporto como ferramenta pedagógica”, sustenta o coordenador.
O clube encontra-se há 32 anos na I Divisão. Uma vez que não foram realizados os jogos para atribuição de um campeão nacional nem de um vencedor da Taça de Portugal, o Colégio de Gaia é o atual detentor dos títulos. Importa realçar que, ao longo dos anos, é um clube com presença assídua nas competições europeias.