Impacto da Covid-19 nos grandes eventos no Norte do país

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Impacto da Covid-19 nos grandes eventos no Norte do país

Em concordância com todos os anos, os eventos de Norte a Sul do país são realizados. Devido à covid-19 o ano de 2020 parou. Os acontecimentos como festivais e feiras ficaram estagnadas e retornam no próximo ano 2021.

https://www.youtube.com/watch?v=tnma6TjpoBk
Testemunhos de portugueses que referem onde não irão neste verão

Afluência em eventos dos anos anteriores

O número de espectadores ao longo dos anos tem vindo a aumentar em eventos culturais por ano em Portugal. Desde 2012 que o número aumentou, sendo que em 2018 foram mais de 17 milhões de espectadores, os dados foram retirados de um estudo feito pela INE.

Os eventos com maior afluência em Portugal com um total de 85,2%, a Web Summit conquistou o primeiro lugar no ranking dos eventos com melhor reputação em Portugal. O Rock in Rio (83,6), o NOS Alive (81,4), a Taça de Portugal Futebol, (78,3) e o MEO Sudoeste (77,5) compõem o top 5 dos eventos com melhor reputação em Portugal.

A tabela fica completa com o festival Vodafone Paredes de Coura, (76,4), o Super Bock Super Rock (75,8), a Volta a Portugal em Bicicleta, (74,5) o Rally de Portugal (73,2), a Meia-Mini Maratona de Lisboa (71,8 pontos), o NOS Primavera Sound (70,1), entre outros.

Restrições aos festivais e espetáculos de natureza análoga

Com o desenrolar da pandemia em Portugal e no mundo, o estado português ao ver a situação a complicar-se decretou “a proibição de realização de festivais e espetáculos de natureza análoga”.

Neste contexto, impõe-se a proibição de realização de festivais e espetáculos de natureza análoga, até 30 de setembro de 2020, e a adoção de um regime de caráter excecional dirigido aos festivais e espetáculos de natureza análoga que não se possam realizar no lugar, dia ou hora agendados, em virtude da pandemia.

“Para o caso de espetáculos cuja data de realização tenha lugar entre o período de 28 de fevereiro de 2020 e 30 de setembro de 2020, e que não sejam realizados por facto imputável ao surto da pandemia da doença COVID-19, prevê-se a emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores”, lê-se no comunicado que detalha as resoluções saídas deste Conselho de Ministros.

Capítulo I

Nos Primavera Sound

Por Sara Silva

Entre confirmações, a adiamentos, a cancelamentos, vários foram os visados com esta pandemia que tomou lugar no ano de 2020. Foram apontadas novas datas para estes eventos, contudo a indignação está presente.

Relativamente ao Nos Primavera Sound, haverá em junho? 

A resposta é não. O NOS Primavera Sound, que chegou a anunciar um adiamento para os dias 3, 4 e 5 de setembro, altura em que afinal também não se poderá realizar.

NOS PRIMAVERA SOUND – Direitos Reservados

Em entrevista ao PÚBLICO, a organização do festival, apontou em março que os bilhetes já adquiridos para a nona edição do festival continuariam válidos em setembro e a organização comprometeu-se, em parceria com os seus patrocinadores.

Fonte de imagem: NOS PRIMAVERA SOUND instagram

Após estudadas “todas as possibilidades para que os festivais se celebrem este ano”eis que em entrevista ao PÚBLICO José Barreiro afirmou que, “é importante que as pessoas possam pensar que isto [a suspensão da vida colectiva] tem um fim”. “Se calhar o mais fácil era cancelar”, diz ao PÚBLICO, “mas queremos acreditar que em setembro haverá uma normalidade”. Caso esse cenário não se verificasse e não houvesse em setembro as “condições” de segurança sanitária, “obviamente o Nos Primavera Sound não se realizará”, admitiu.

Os festivais estão agora proibidos “até 30 de setembro de 2020”

Primeiro ministro António Costa – Direitos Reservados

No comunicado publicado pelo primeiro ministro António Costa, que após Conselho de Ministros, o Governo esclarece ainda que quem comprou bilhetes para “espetáculos” — não apenas festivais — agendados para entre 28 de fevereiro a 30 de setembro que não se realizarem devido à pandemia, deverá ter direitos protegidos, recebendo um vale compensatório no valor da compra. Esta é, para já, apenas uma proposta genérica, que deverá ser detalhada em decreto-lei e votada posteriormente.

José Barreiro – Fonte de imagem BLITZ

Contudo, numa fase mais recente José Barreiro explicou ao PÚBLICO, que tem de aguardar que a lei recentemente proposta pelo Governo, que proíbe os festivais até 30 de Setembro deste ano, seja discutida na quinta-feira no Parlamento, para verificar se há ou não alterações à regulamentação proposta, e que só depois disso terá condições para divulgar quaisquer novidades sobre a próxima edição do Nos Primavera Sound.

NOS PRIMAVERA SOUND – 2018 |Fonte: Sara Silva

Vales para quem comprou bilhetes para usar até 31/12

“Para o caso de espetáculos cuja data de realização tenha lugar entre o período de 28 de fevereiro de 2020 e 30 de setembro de 2020, e que não sejam realizados por facto imputável ao surto da pandemia da doença COVID-19, prevê-se a emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete de ingresso pago, garantindo-se os direitos dos consumidores”, lê-se no comunicado que detalha as resoluções saídas deste Conselho de Ministros.

Adiamentos para Junho de 2021

NOS PRIMAVERA SOUND 2021 – Fonte de imagem bilheteira Fnac

O Nos Primavera Sound tem novas datas para a realização da nona edição. O festival vai voltar ao Parque da Cidade do Porto nos dias 10, 11 e 12 de Junho de 2021.

Inicialmente, este teria sido  adiado para Setembro deste ano, mas a lei que proíbe a realização de festivais até 30 de Setembro fez com que fosse impossível a sua realização, obrigando a um adiamento forçado.

Opinião dos espectadores assíduos

As opiniões divergem, desde pessoas que iriam ao evento se este se realizasse, a outras que não iriam.

Tomás Silva – Direitos Reservados

Tomás Silva  respondendo à pergunta se o evento se realizasse, qual seria a sua decisão o jovem afirma que “Sendo bastante honesto se tal fosse permitido pela DGS e pelo governo português, certamente iria e faria todas as indicações propostas pelas entidades superiores para a realização de um festival em segurança”.

Renata Dunkel – Direitos Reservados

Já Renata Dunkel aponta que iria com as devidas proteções e respeitando todas as indicações e recomendações impostas pela DGS:

Renata Dunkel – Aponta que iria com todas as precauções necessárias.

Débora Sousa – Direitos Reservados

Contudo, Débora Sousa afirma que não iria ao evento, mesmo que se viesse a realizar num futuro próximo. Salientando, que o mesmo não iria ter a mesma afluência:

Débora Sousa adianta que não iria ao evento e acredita que o mesmo não iria ter o mesmo número de pessoas.

Tomás Silva aponta que o Nos Primavera Sound “é sem margem de dúvidas um dos festivais mais agradáveis e promissores a realizar-se na cidade do Porto, pois acredito que tem uma enorme margem de progressão e o espaço é muito acolhedor que permite uma convivência com as pessoas distintas” acrescentou.

Débora Sousa concorda e aponta ainda, que se sente triste com o adiamento, mas salienta que no futuro o evento será ainda melhor:


Débora Sousa refere que o evento é muito agradável e sente pena po ter sido adiado.

Tomás sentiu-se triste com o adiamento do evento mas concorda que foi a melhor decisão possível “por um lado fico um pouco desanimado porque estava bastante ansioso por marcar presença na edição deste ano, mas acredito, sinceramente, que talvez a melhor opção seja mesmo o adiamento do festival porque a probabilidade de contágio iria aumentar em grande escala por causa do evento.”

Renata Dunkel concordo e espera que o festival em 2021 seja melhor ainda:

Renata Dunkel aponta que muitas pessoas teriam vontade de ir.



NOS PRIMAVERA SOUND 2021
Algumas das cabeças de cartaz como Tyler the Creator, Lana Del Rey, Pavement e Bad Bunny deverão aparecer na mona edição que agora se realizará no ano de 2021.

Capítulo II

Viagem medieval

Por Sofia Coelho

24º edição da viagem medieval cancelada

O evento de agosto mais aclamado por toda a população do concelho de Santa Maria Feira foi cancelado devido à covid-19.

A reação da notícia do cancelamento

No dia 19 de abril foi publicado no site da Viagem Medieval uma notícia que informava todos os participantes e visitantes que este evento só se realizaria no ano de 2021. “A renovação do Estado de Emergência, no dia 17 de abril, inviabilizou a realização da XXIV Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, a maior recriação histórica da Europa que iria decorrer de 29 de julho a 9 de agosto.”

A organização deste acontecimento, a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, a Empresa Municipal Feira Viva e a Federação das Coletividades de Cultura e Recreio do Concelho de Santa Maria da Feira confidenciaram que para eles há algo mais importante do que o evento. “O que importa são as pessoas”. “Viveremos juntos esta viagem em 2021”, fortalecem os promotores.

O último ano antes da pandemia

A Viagem Medieval é a maior recriação histórica realizada na Europa. Este evento reúne pessoas de todo o país e até estrangeiros a esta freguesia do Norte. Diferencia-se todos os anos com uma época diferença da história.

Anualmente, a cidade veste-se a rigor durante 12 dias consecutivos, transportando assim, todos os indivíduos que por lá passam, através da transformação da urbanização num intenso palco de momentos marcantes da história de Portugal.

Em 2019, o evento ocupou 34 hectares do centro de Santa Maria da Feira terminando com um registo de 700.000 visitantes. Para além disso, envolveu o trabalho diário de mais de duas mil pessoas e 400 voluntários, assegurando 1700 performances de animação com um orçamento global e autossustentável de 1,5 milhões de euros, segundo o jornal “Público”.

No ano passado, o diretor-geral do evento, Paulo Sérgio Pais, confidenciou à Lusa, “Tínhamos a expectativa de este ano superar os 700.000 visitantes da edição de 2018, mas houve dois dias de chuva persistente em que chegámos a cancelar espetáculos por falta de condições e isso prejudicou a afluência de quarta e quinta-feira”. No entanto, a procura registada nos restantes dias do evento permitiu atingir os mesmos totais da edição de 2018 e proporcionou até novos recordes. Acrescenta ainda, que no último sábado “tivemos a maior afluência de sempre em 23 edições da Viagem, ao receber 70.000 visitantes no recinto e no domingo também ficámos muito perto disso”.

No passado ano, o recinto não atingiu níveis incómodos de visitantes. “O recinto foi alargado e passou a contar com a zona do novo pórtico do Carrascal, que funcionou muito bem”. Paulo Sérgio Pais referenciou, aliás, que esse alargamento urbano seria para continuar neste ano, 2020.

Outra medida aplicada em 2019, que pretendiam continuar este ano, era a oferta de pulseiras livre-trânsito a estudantes com residência ou inscrição escolar no concelho da Feira, seja em estabelecimentos de ensino da rede pública ou da privada. “Mesmo não se tendo vendido bilhetes a esses estudantes, eles fizeram aumentar o fluxo de visitantes efetivos no recinto”, declarou o diretor-geral.

Viagem Medieval 2020

Em nome de toda a organização do evento, Márcia Brito da direção do departamento de gestão de eventos da feira viva cultura e desporto, disponibilizou-se para prestar algumas declarações. Sendo que, começou por esclarecer o motivo do cancelamento prévio do evento, mesmo com o regresso progressivo à normalidade.

Márcia Brito considera neste testemunho que seria complicado realizar o evento, porque este consegue juntar diriamente cerca de 50 mil pessoas

Acrescenta ainda, que o adiamento do evento não foi ponderado, pois não fazia sentido.

Márcia Brito afirma neste testemunho que esta possibilidade “nunca esteve em cima da mesa”

Posteriormente, Márcia Brito, confidencia as reações que obtiveram após o cancelamento ser divulgado.

Márcia Brito declara neste testemunho que tínham algum receio que as pessoas não fossem compreender

Posto isto, explica como funciona em termos económicos a viagem medieval, sendo que, não provocou nenhum tipo de prejuízo.

Márcia Brito refere neste testemunho que fazem o máximo esforço possível para que o evento seja sustentável

A posteriori, conta que ainda estavam em época de candidaturas, por isso os participantes ainda não estavam eleitos.

Márcia Brito declara neste testemunhonada que ainda se encontravam na fase inicial

Por fim, refere que mesmo com as medidas de prevenção não seria possível realizar o evento, porque “a viagem medieval vive do convívio, dos abraços, vive das amizades.”

Márcia Brito menciona neste testemunho que era muito dificil manter o distanciamento num invento como este

Reação dos participantes ao cancelamento do evento

Marco Costa, segurança na viagem medieval confidencia com descontentamento o que sentiu quando soube do cancelamento do evento, “Foi duro saber do cancelamento da viagem. Tentou se sempre até ao fim que o evento decorresse, mas foi inevitável. Foi difícil digerir a notícia. É difícil imaginar um ano sem a nossa viagem medieval.”

Dona Arminda, líder do grupo Malmequeres de Lourosa, assim como Marco mostra o seu desanimo com a notícia.

Dona Arminda declara neste testemunho que assim como toda gente se sentiu triste

Marco, pensa que o cancelamento do evento “foi a decisão mais correta de como as coisas estão devido à covid-19. A viagem mete muitos visitantes e muitos não iriam cumprir as regras da DGS. Foi a decisão mais correta.”

Para além disso, Dona Armida acrescenta que para ser realizado um evento como este, é necessário ter muitas pessoas envolvidas. Sendo que, a decisão do seu cancelamento foi muito ponderada por várias entidades, também por esse motivo.


Dona Arminda refere neste testemunho que pensa que a decisão do cancelamento foi muito ponderada

Posteriormente, Marco explicou como decorre o planeamento do seu trabalho como segundo de ano para ano neste evento “o plano da viagem medieval é feito sempre ano a ano com muito tempo de antecedência. Com base dos anos anteriores claro, mas sempre com alterações e todos os anos e sempre melhorias para que o evento decorra sempre da melhor maneira.”

Relativamente, à organização dos Malmequeres de Lourosa, Dona Arminda esclarece que é preciso muito trabalho e que demora o seu tempo.

Dona Arminda afirma neste testemunho que demoram meio ano nas preparações para o evento

De seguida Marco, deu a sua opinião de como era se decorresse a viagem este ano, “a viagem mesmo com covid-19 iria colocar imensos visitantes. Mas controlar o evento todo se toda a gente se coloca máscaras seria uma tarefa muito difícil.” Visto que, acrescenta, “aliás as máscaras e álcool para as mãos num evento como a viagem não iria enquadrar bem no meu ponto de vista. Já que a é uma viagem no tempo. Antigamente não existia máscaras.”

Por fim, Dona Arminda tristemente que se o evento se realizasse teriam de começar do zero e ter uma nova formação, sendo que, mesmo assim pensa que seria impossível realizar a viagem com as medidas de prevenção.

Dona Arminda declara neste testemunho que a formação teria de ser renovada e adaptada as novas condições

O olhar dos visitantes perante a situação

A Ana Alves descreve o cancelamento do evento como “algo inexplicável.” “Um misto de emoções”, acrescenta.

Por outro lado, Ana Margarida ex-participante da viagem medieval confessa desanimada que já prévia que não se iria realizar “Sem dúvida que fiquei triste, mas confesso que já esperava que fosse cancelada.” Completa ainda que, “apesar de a vontade de regressar ser muita, acho que foi uma boa decisão!”

Também Miguel Santos, pensa que o cancelamento da viagem medieval foi a decisão mais acertada tomada pela organização.

Miguel Santos declara neste testemunho que o cancelamento foi a melhor decisão.

Se o evento se realizasse mesmo com o covid-19, Ana Alves, refere que não tinha intenções de comparecer. “Porque a saúde deve estar em primeiro lugar.” “Trata-se de um acontecimento que atrai bastante público, e tendo em conta que muitas pessoas não respeitam as medidas de segurança, seria arriscado”, acrescenta Ana Margarida.

Ana Alves comenta que mesmo com as medidas de segurança contra a covid-19 não seria possível a realização do evento. “Mesmo com medidas de prevenção nem todos iriam cumprir.” Pelo contrário, Ana Margarida pensa que “poderia ser possível a realização do evento com as medidas de prevenção e muito controlo, mas não teria o mesmo impacto!” Adiciona ainda que, “a viagem medieval tenta recriar a época medieval o mais aproximado da realidade vivida e, para quem nela participa retratando esses tempos, o uso de máscara não seria apropriado.”

Para finalizar, Ana Margarida refere as suas expetativas da próxima viagem medieval. “Espero que no próximo ano seja possível realizar a viagem dentro da normalidade!”. Já Ana Alves menciona positivamente que espera para próxima viagem medieval de 2021. “Expectativas altas. E um ano excecional onde ninguém irá faltar.”

Viagem medieval 2021

Para o próximo ano, a Viagem Medieval não vai deixar de surpreender. Posto isto, em 2021 trará uma nova recriação história, de modo, a suscitar o interesse dos visitantes que será “De Condado a Reino: A Dinastia Afonsina – 3 Séculos de História(s)”.

Márcia Brito refere ainda, “já que temos alguma disponibilidade mental este ano para parar um bocadinho e porque é essa a nossa premissa todos os anos, vamos tentar surpreender novamente as pessoas como temos feito estes anos todos.” E também que os visitantes podem esperar este ano é algo que eles já contam. “Aquilo que sempre podem esperar todos os anos”.

Márcia Brito declara neste testemunho que pretendem dar o melhor quem os visita.

Capítulo III

Agrival

Por Luana Teixeira

O cancelamento da 41ª edição da Agrival

A feira Agrival realizada na cidade de Penafiel, que atrai todos os anos durante o mês de agosto milhares de visitantes foi cancelada devido à Covid-19.

A Agrival ao longo dos anos

A Agrival realizou-se pela primeira vez em 1980, nas instalações da Escola Secundária de Penafiel, tornando-se assim, a 1ª Feira Agrícola do Vale do Sousa.

Este evento começou pela criação de uma pequena feira predominantemente agrícola, que continha poucos expositores, algumas mostras de gado, produtos regionais e artesanais e atuações somente de grupos musicais da região.

Ao longo dos anos a feira foi adquirindo dimensão e grandiosidade que fez com que esta se instalasse no ano de 2001 no Pavilhão de Feiras e Exposições de Penafiel, realizando-se nesse espaço até hoje. 

Este evento conta anualmente com milhares de visitantes, atraindo diferentes tipos de públicos, jovens, adultos e idosos, sendo o que impulsiona os jovens a irem à feira é a zona da praça dos bares, que contém DJs a partir da meia noite, a presença dos adultos relaciona-se essencialmente com os concertos que se realizam todos os dias, e no diz respeito aos idosos, a Mostra Nacional de Gastronomia e a atuação.  

É de evidenciar o impacto que este evento provoca nas pessoas da região, mas também naqueles que vêm de outras partes do país, como Porto, Viana do Castelo e Braga.

A evolução verificada na feira com o decorrer dos anos é notável, sendo agora considerada a maior feira agrícola do norte e centro do país, por isso o orgulho de Adolfo Amílcar, vereador da Câmara Municipal de Penafiel e principal responsável pela conceção e organização da feira agrícola, é impossível de esconder “a Agrival é hoje um evento que orgulha os penafidelenses”.

No dia 6 de maio foi publicado na Penafiel Magazine a notícia que informou todos os participantes e visitantes do cancelamento da Agrival 2020, sendo que a Penafiel Activa, Empresa Municipal, entidade organizadora, explicou “após uma avaliação das condições excecionais e da incerteza decorrente do momento que atualmente vivemos, não estão reunidas as condições necessárias para a realização da Feira Agrival, no próximo mês de agosto”.

Além disso, o presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino de Sousa, declarou à Penafiel Magazine “Agrival faz parte do nosso ADN e é uma decisão difícil de tomar, mas os tempos são difíceis e primeiro está a saúde e bem-estar dos penafidelenses e dos milhares de visitantes”.

Agrival 2020

O Adolfo Amílcar, vereador da Câmara Municipal de Penafiel, em representação da organização do evento, facultou o seu testemunho. Inicialmente, começou por justificar o porquê do cancelamento do evento.

Adolfo Amílcar salienta que a segurança de todos é o mais importante

O prejuízo inerente ao cancelamento é inevitável, mas salienta que a decisão foi tomada em conformidade com os outros responsáveis, parecendo a mais assertiva.

Adolfo Amílcar confessa que a decisão do cancelamento envolveu um consenso

O vereador declarou também que não será realizado nenhum evento para recuperar o prejuízo do cancelamento, pois não há evento que substitua a Agrival.

Adolfo Amílcar refere que todos os eventos até setembro foram cancelados na cidade de Penafiel

Acrescenta ainda que não tinham sido vendidos bilhetes, apenas tinham realizado o cartaz musical.

Adolfo Amílcar revela que para o ano o cartaz musical irá manter-se

Posteriormente, dá a conhecer as reações que recebeu e assistiu por parte dos visitantes.

Adolfo Amílcar confessa que a reação das pessoas foi o que esperava

A segurança de todos é vista pelo vereador como o mais importante. Amílcar revela ainda que no próximo ano algumas surpresas surgirão no evento.

Adolfo Amílcar afirma que o evento terá alterações todos os anos

A reação dos participantes ao cancelamento

O DJ residente da Agrival, Miguel Rocha expõe a reação que teve quando soube do cancelamento do evento. ”Obviamente que já esperava o cancelamento, devido à infeliz situação atual da pandemia do novo Covid-19, atendendo ao desenrolar das circunstâncias atuais, dia para dia, toda a população foi-se consciencializando da realidade” afirma.

A Tita Lopes, proprietária da loja Manual.idades, que costuma marcar presença no evento revela a sua compreensão quando recebeu a notícia.

Tita Lopes confessa que já esperava que o cancelamento acontecesse

O Miguel Rocha refere o que pensa relativamente ao cancelamento do evento. “Sem dúvida, que foi a melhor decisão a ser tomada, não havia outra alternativa. Tenho plena confiança nas pessoas e entidades responsáveis pela organização da feira, sei que foi uma decisão extremamente difícil de tomar, mas que é essencial para a saúde de toda a comunidade” declara.

A proprietária da Cafeína, Otília Rodrigues expôs a reação que teve quando soube do cancelamento.

Otília Rodrigues revela alguma tristeza com o cancelamento
Manual.idades na Agrival 2019 | Fonte: Tita Lopes

Nesta linha de pensamento, Tita Lopes declara que é preferível tomar as devidas precauções e o evento não ser realizado.

Tita Lopes aponta que a segurança tem de estar acima de qualquer evento

Depois, Miguel esclarece que já tinha sido contactado para marcar presença este ano.“Todos os anos, estou em total contacto com a organização da feira, que já se realiza há mais de uma década, tem plena confiança no meu trabalho. Não faço parte da organização, nem sou o responsável pela programação, mas a organização conta comigo para controlar e certificar que tudo corre da melhor forma, no palco 2 nas atuações dos DJ’s convidados pela organização, até ao encerramento da feira, é esse o trabalho do DJ Residente do evento. Desde a primeira vez que existiu música eletrónica no palco 2 há cerca de 11 anos que eu o faço. Existe sempre uma reunião de balanço final da feira onde fica definida a minha disponibilidade para o ano seguinte” confessa.

Otília frisou que também já estava inscrita para marcar presença este ano.

Otília Rodrigues confessa que a inscrição no evento renova anualmente

Pelo contrário, a proprietária do Manual.idades revela que este ano ainda não tinha realizado a inscrição para o evento.

Tita Lopes revela que ainda não tinha realizado a inscrição

De seguida, o Dj residente da Agrival aponta aquilo que o deixa mais feliz ao marcar presença na feira. “A única forma que encontro para explicar a minha felicidade durante a Agrival, é fazendo a comparação com o crescimento de um filho, em que de ano para ano o nosso orgulho vai aumentando ao vermos a evolução natural do nosso esforço na educação do seu crescimento. Apesar de não ser pai, nutro pela Agrival um carinho paternal enorme, pois foi com muita dedicação, empenho e resiliência que o fruto do meu trabalho em conjunto com uma fantástica equipa, chegou aos dias de hoje as “bocas do mundo”.

Tita Lopes salienta ainda quantos dias é que costuma estar na Agrival.

Tita Lopes afirma que quando marca presença mantém-se os 10 dias no evento

O Dj Miguel Rocha como presença assídua todos os anos, acrescenta quantas horas costuma estar no evento. “Costumo estar sempre presente, diariamente, devido as exigências do facto de ser o DJ Residente da Feira”.

A posteriori, Tita confessa não ter prejuízo com o cancelamento, apesar de considerar que a Agrival é um evento que ajuda o seu negócio.

Tita Lopes declara que tem outras formas de vender os seus produtos artesanais

Ótilia Rodrigues revela que também não teve prejuízo.

Otília Rodrigues revela que ainda não tinha comprado o stock para o evento

O DJ Miguel Rocha afirma que o cancelamento lhe provocou prejuízo, mas refere que há coisas mais importantes do que o fator económico. “Mais do que o prejuízo, provocou-me uma mágoa tremenda por este ano não poder alegrar todas as pessoas que visitam a nossa cidade e a nossa “Queima”.  Estou solidário com todas as pessoas que, pelo facto da feira ter sido cancelada, vejam a sua situação profissional e financeira bastante afetada, mas acima de tudo a saúde de todos os penafidelenses e os milhares de visitantes anuais é sem duvida mais valioso que qualquer lucro”.

Tita Lopes salienta novamente o facto do cancelamento do evento não ter influenciado o seu negócio, pois tem outra forma de vender os seus artigos.

Tita Lopes declara que possui alternativas de negócio

De seguida, Miguel Rocha revela o que espera com o regresso do evento no próximo ano. “Estou sempre disponível para servir a minha cidade, e como consequência todos os eventos que nela se realizam. A Agrival será sempre a minha festa de sonho, e como tal estou sempre disponível para todos os anos “meter” Penafiel a dançar e a cantar o nosso “chove e chove”, seja em que formato for, sem dúvida que a organização quer sempre o melhor para todos e para a feira em si”.

Por fim, Tita declara o que prevê fazer quando ocorrer o regresso da Agrival.

Tita revela que no todos os anos dará a conhecer novos produtos

O ponto de vista dos visitantes

O visitante assíduo José Seabra demonstra como se sentiu ao saber do cancelamento do evento. Senti-me um bocado triste porque já era presença habitual na Agrival à muitos anos, com os meus amigos e familiares. De facto, é uma pena não se realizar este ano”.

O evento afetou todos os visitantes, Angelina Pereira não foi exceção. “Eu já esperava que cancelassem, mas não esperava que a decisão fosse tomada tão cedo” confessa.

A visitante Inês Sousa também revelou ser da mesma opinião que Angelina Pereira.Na verdade, eu penso que já seria de esperar, por isso não fiquei muito surpreendida, até porque inúmeras festas e festivais de verão foram cancelados” declara.

Neste contexto, José Seabra descreve o que pensa do cancelamento. “Eu penso que foi uma decisão complicada por quem a tomou, mas do meu ponto de vista, penso que foi uma decisão bem tomada porque acho que não devemos arriscar devido à pandemia que está presente no país. Até porque é um evento com muita gente e que engloba muito contacto, então a saúde das pessoas é o mais importante, embora o divertimento seja importante. No entanto, temos de arranjar outras formas de divertimento, nem que seja em casa, pois a cautela é essencial nesta fase”.

Angelina Pereira revela estar de acordo com a decisão tomada. “Não tem havido muitos progressos relativamente à descoberta de uma vacina ou até mesmo a cura para a doença, por isso foi uma decisão necessária a ser tomada, porque se não tornar-se-ia arriscado comparecer ao evento, caso se realizasse”.

A decisão que envolveu o cancelamento da Agrival também é vista por Inês Sousa como a mais correta. “Na minha opinião foi uma boa decisão, pois temos de pensar em prol de toda a comunidade e a situação que estamos a viver foi inesperada, tendo grandes impactos no nosso dia a dia, logo devemos adaptar-nos a esta nova realidade, prevenindo-nos para que a situação não se agrave”.

Se o evento se realizasse com a Covid-19, José Seabra, revela que pretendia comparecer, ainda que com a adoção de medidas de segurança e higienização. “Iria adotar todos os cuidados necessários, o uso de máscara, o distanciamento social mínimo de dois metros e o controle do número de pessoas presentes no recinto, estabelecendo um limite máximo seriam as medidas fundamentais a adotar”.

De acordo com o ponto de vista oposto de Angelina Pereira, esta confessa não ter intenções de estar presente, caso a feira se realizasse. “Eu costumo ir todos os anos, no entanto não iria comparecer, pois tenho pessoas de risco na família, logo não me iria expor ao perigo, porque se fosse ao evento iria coloca-los em risco, por isso optaria pela prevenção total, não comparecendo” revela.

Por fim, Inês Sousa expõe a incerteza em comparecer nessas condições. “Muito provavelmente não iria comparecer, uma vez que aglomera muitas pessoas e ia ser quase impossível que se cumprisse todas as medidas de segurança estabelecidas, e num momento como este não podemos ser irresponsáveis”.

Expetativas para o verão 2020

Apesar do sucessido no país e no mundo, os portugueses não deixam de ter expetativas para este verão mesmo sendo diferente. A população portuguesa tem como objetivos para este ano passar mais tempo com as suas familias e amigos em locais mais discretos.

Testemunhos de portugueses acerca do que esperam/ desejam do verão 2020